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A Bourgogne tem outra face

Entre vilarejos e denominações que merecem mais atenção, região francesa revela novos caminhos para autenticidade na taça

Por muito tempo, a fama da Bourgogne esteve atrelada a uma regra: ou você gastava muito, ou ficava na vontade. A região francesa que construiu alguns dos vinhos mais desejados do planeta virou também uma espécie de território inflacionado do vinho. Bastou a combinação entre produção limitada, culto internacional e investidores disputando garrafas para que muitos rótulos deixassem de frequentar as mesas e passassem a habitar cofres climatizados.

Só que, enquanto os holofotes seguem presos aos nomes mais célebres, uma outra Bourgogne continua oferecendo algumas das melhores oportunidades da França. Menos conhecida, mais diversa e espalhada por dezenas de vilarejos, ela permite descobrir terroirs extraordinários, sem necessariamente alcançar os preços das denominações mais famosas.

Essa diversidade se espalha pelas cinco grandes áreas vitícolas da região: Chablis & Grand Auxerrois, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise & Côtes du Couchois e Mâconnais. Juntas, elas formam um mosaico de paisagens, estilos e denominações que ajudam a compreender por que a Bourgogne continua sendo uma das regiões mais fascinantes do mundo do vinho.

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Parte dessa descoberta passa pelas AOCs Régionales com denominação geográfica complementar. Diferentemente das Village AOCs, elas não constituem denominações próprias, mas identificam territórios específicos dentro das amplas AOCs Bourgogne e Mâcon. Seus regulamentos exigem delimitações mais precisas, rendimentos menores e parâmetros qualitativos superiores aos das Régionale AOCs (regionais) tradicionais, representando nível mais elevado nas denominações.

No norte da região, Chablis & Grand Auxerrois apresenta algumas das denominações mais interessantes para quem gosta de fugir do óbvio. Saint-Bris ocupa um lugar singular na Bourgogne por ser a única Village AOC dedicada à Sauvignon Blanc. Já Irancy produz tintos de Pinot

Noir marcados pela acidez vibrante e, em alguns casos, pela presença da histórica uva César, variedade autorizada que acrescenta caráter e identidade aos vinhos locais. Vézelay também integra esse conjunto de denominações que ajuda a revelar uma face menos conhecida da Bourgogne.

Na área central da Bourgogne, em torno da Côte de Nuits e da Côte de Beaune, surgem Village AOCs como Marsannay, Savigny-lès-Beaune, Pernand-Vergelesses, Saint-Aubin, Saint-Romain e Santenay. Ao lado delas aparecem denominações geográficas complementares como Bourgogne Côte d’Or, Bourgogne Hautes Côtes de Nuits e Bourgogne Hautes Côtes de Beaune, entre outras denominações que permitem ao consumidor identificar origens mais específicas dentro das AOCs regionais.

Mais ao sul, a Côte Chalonnaise & Côtes du Couchois reúne apelações como Rully, Givry, Bouzeron, Mercurey e Montagny, contribuindo para a diversidade de estilos encontrada na Bourgogne.

O percurso termina no Mâconnais, uma das cinco grandes áreas vitícolas da Bourgogne. Village AOCs como Saint-Véran, Viré-Clessé e Pouilly-Fuissé figuram entre as denominações mais reconhecidas da região. Paralelamente, denominações geográficas complementares da AOC Mâcon, como Mâcon-Lugny, Mâcon-Solutré-Pouilly e Mâcon-Fuissé, ampliam as possibilidades para quem deseja explorar a diversidade dos terroirs borgonheses.

BIVB / Aurelien IBANEZ

O QUE SÃO DENOMINAÇÕES GEOGRÁFICAS COMPLEMENTARES?
As denominações geográficas complementares não são AOCs independentes. Elas identificam territórios específicos dentro das AOCs regionais Bourgogne e Mâcon. Atualmente, existem 13 denominações geográficas complementares ligadas à AOC Bourgogne e 27 associadas à AOC Mâcon. Seus regulamentos estabelecem delimitações mais precisas, rendimentos menores e exigências qualitativas superiores às das AOCs regionais tradicionais, permitindo ao consumidor identificar origens mais específicas dentro das denominações regionais e compreender melhor a diversidade dos terroirs da Bourgogne.

BIVB / ApoteOz

BOURGOGNE EM CINCO VINHOS DAS SUAS CINCO PRINCIPAIS REGIÕES VITIVINÍCOLAS

CHABLIS & GRAND AUXERROIS
Saint-Bris, branco, Domaine Gueguen (Via Vini)

CÔTE DE NUITS
Marsannay, Les Grasses Têtes, tinto, Domaine Bruno Clair (Vinci)

CÔTE DE BEAUNE
Savigny-lès-Beaune, tinto, Bouchard Père et Fils (Divvino)

CÔTE CHALONNAISE & COUCHOIS
Mercurey, Vieilles Vignes, tinto, Domaine Faiveley (Mistral)

MÂCONNAIS
Saint-Véran, branco, Joseph Drouhin (Mistral)

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