Reportagens

A epopeia da coxinha

Neste 18 de maio, o país celebra o salgado que atravessa gerações, conquista balcões de bar e virou patrimônio afetivo nacional

Existe algo de profundamente brasileiro na coxinha. Talvez seja a mistura de exagero e afeto. Talvez seja aquela casquinha dourada que estala na primeira mordida antes de revelar um recheio cremoso e fumegante. Ou talvez seja o fato de ela conseguir unir todas as tribos possíveis, do executivo engravatado no balcão da padaria ao boêmio que estica o happy hour madrugada adentro. Poucos petiscos carregam tanta memória afetiva quanto ela.

Celebrado neste 18 de maio, o Dia da Coxinha transforma São Paulo em território oficial de um dos salgados mais amados do país. A origem, como quase tudo que vira paixão nacional, vem cercada de histórias improváveis. A mais famosa diz que a receita surgiu no interior paulista no século 19, quando um cozinheiro precisou improvisar um prato para um príncipe obcecado por coxa de frango. Sem quantidade suficiente da ave, teria criado uma massa envolvendo o recheio desfiado no formato da própria coxa. Verdade ou folclore, pouco importa. O fato é que o salgado atravessou décadas, conquistou botequins, padarias, estádios, festas infantis e ganhou status quase patrimonial. Hoje, discutir se começa pela ponta ou pela base é praticamente um esporte nacional.

Em São Paulo, a coxinha encontrou território fértil para virar objeto de culto. Há as clássicas, com massa de batata e frango cremoso. Há releituras contemporâneas com costela, espuma defumada e ingredientes improváveis. Tem também versões que carregam histórias de imigração e cruzamentos culturais que ajudam a explicar a própria identidade gastronômica da cidade. No fim, todas elas cumprem a mesma missão: acompanhar conversas longas, cervejas geladas e mesas barulhentas.

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Bar Original

Original / Foto: divulgação

No Bar Original, a coxinha já virou praticamente patrimônio da casa. A receita leva massa de batata baroa, recheio de frango desfiado e catupiry, combinação clássica que ganha ainda mais força ao lado do famoso chope tirado com precisão quase obsessiva. O curioso é perceber como um petisco aparentemente simples consegue atravessar décadas sem perder relevância quando executado com regularidade de botequim sério.

Rua Graúna, 137, Moema, São Paulo/SP
Telefone: (11) 2299-5336
Segunda a quarta das 17h à 0h, quinta das 17h à 1h, sexta das 12h às 2h, sábado das 12h às 2h e domingo das 12h às 19h
@baroriginal

Câmara Fria

Câmara Fria / Foto: divulgação

Escondido atrás de uma antiga porta frigorífica e alguns degraus acima da rua, o Câmara Fria mistura atmosfera de speakeasy com alma cervejeira. Entre torneiras rotativas de chope artesanal e pizzas autorais, a Coxinha da Hora aparece como companhia natural para cervejas mais lupuladas e conversas que atravessam a madrugada.

Rua Graúna, 137, Moema, São Paulo/SP
Telefone: (11) 2299-5336
Terça e quarta das 18h à 0h, quinta das 18h à 1h, sexta e sábado das 18h às 2h
@camarafria

Esquina do Souza

Esquina do Souza / Foto: divulgação

No Esquina do Souza, a coxinha segue aquela cartilha afetiva dos grandes botecos paulistanos: casquinha crocante, recheio generoso e nenhuma preocupação estética além da felicidade da mesa. O bar, que já foi eleito o melhor boteco da cidade, mantém viva uma certa ideia de São Paulo onde caipirinha forte e petisco bem feito continuam sendo assunto sério.

Vila Leopoldina
Rua Carneiro da Silva, 185, Vila Leopoldina, São Paulo/SP
Telefone: (11) 3641-4759

Pompeia
Rua Coronel Melo de Oliveira, 1066, Pompeia, São Paulo/SP
Telefone: (11) 2538-1861

Terça das 17h às 23h30, quarta a sábado das 12h às 23h30, domingo e feriados das 12h às 19h
@esquinadosouza

Fahrenheit

Fahrenheit / Coxinha de Costela / Foto: Rodolfo Regini

O Fahrenheit mostra como a coxinha também pode ganhar leitura contemporânea sem perder o espírito de comfort food. A versão da casa leva costela cremosa, massa verde e espuma de catupiry defumado. É quase um encontro entre bar paulistano e cozinha ítalo-americana.

Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, Shopping JK Iguatemi, 3º piso, Vila Olímpia, São Paulo/SP
Segunda a sexta das 11h30 às 22h, sábados, domingos e feriados das 12h às 22h
@fahrenheit.jk

Ofner

Ofner / Coxinha / Foto: divulgação

Há mais de sete décadas, a Ofner ocupa um lugar particular na memória gastronômica paulistana. Entre doces, vitrines impecáveis e cafeterias sempre movimentadas, a coxinha virou um dos produtos mais emblemáticos da marca. Dourada por fora, cremosa por dentro e preparada com massa delicada, aparece em diferentes versões que ajudaram a transformar o salgado em um dos grandes clássicos da rede.

Entre as mais procuradas estão a tradicional de frango desfiado e a versão com catupiry, ambas marcadas pelo recheio generoso e textura extremamente macia. A casa ainda aposta em releituras como a coxinha de camarão com catupiry, finalizada com camarão inteiro na ponta, além da clássica coxa creme, receita que há décadas acompanha balcões e cafés paulistanos.

Diversas unidades em São Paulo, Guarulhos e Campinas
Delivery: (11) 5693-8693
WhatsApp: (11) 94479-5383
@ofner

Pão de Queijo Haddock Lobo

Pão de Queijo Haddock Lobo / Foto: Studio Mio

Muito além do endereço clássico nos Jardins, o Pão de Queijo Haddock Lobo construiu uma história que atravessa gerações paulistanas desde 1968. A casa ficou conhecida pelo pão de queijo eleito diversas vezes entre os melhores da cidade, mas a coxinha individual também conquistou status de clássico entre clientes fiéis, aparecendo sempre dourada, cremosa e recém saída da fritura. A combinação entre massa delicada, recheio generoso de frango e casquinha crocante faz dela companhia frequente para cafés demorados e encontros rápidos no meio do dia.

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, Vila Olímpia, São Paulo/SP
Segunda a sábado das 8h às 22h, domingos e feriados das 14h às 20h
Mais 5 lojas em São Paulo e Rio de Janeiro
@paodequeijohaddocklobo

Pirajá

Pirajá / Foto: divulgação

Com quase três décadas de história, o Pirajá ajudou a consolidar em São Paulo uma certa nostalgia da boemia carioca. Samba, chope gelado e petiscos generosos fazem parte do pacote. A coxinha da casa, inspirada na famosa receita do Bar Original, segue como uma das estrelas das mesas mais animadas.

Av. Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, São Paulo/SP
Telefone: (11) 3815-6881
Segunda das 12h às 23h, terça e quarta das 12h à 0h, quinta das 12h à 1h, sexta e sábado das 12h às 2h e domingo das 12h às 19h
@barpiraja

Samir Amis

Samir Amis / Foto: divulgação

Referência da culinária árabe paulistana, o Samir Amis mostra como a coxinha também pode dialogar com a história da imigração em São Paulo. Além das versões clássicas de frango, a casa oferece uma versão recheada com cordeiro, encontro improvável e extremamente paulistano entre tradição síria e salgado brasileiro.

Alameda dos Nhambiquaras, 1020, Moema, São Paulo/SP
Telefone: (11) 5054-2695
Segunda a sábado das 9h às 20h
@samir.amis

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Prazeres da Mesa

Lançada em 2003, a proposta da revista é saciar o apetite de todos os leitores que gostam de cozinhar, viajar e conhecer os segredos dos bons vinhos e de outras bebidas antecipando tendências e mostrando as novidades desse delicioso universo.

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