A viagem saborosa dos dumplings
Pastelaria asiática ganha alma carioca em restaurantes que celebram técnica, história e afeto
Pequenos no tamanho, mas gigantes em significado, os dumplings atravessaram séculos, fronteiras e culturas até pousarem com charme nas mesas cariocas. Criados na China como um gesto de hospitalidade para aquecer viajantes das rotas comerciais, tornaram-se parte do ritual do yum chá — “beber chá” —, experiência que une convívio, delicadeza e sabor. Mais do que alimento, são pedaços de afeto embrulhados em massa fina, daí a tradução de dim sum: “o que toca o coração”.
Seja no vapor que sobe perfumado das cestinhas de bambu, na crocância da chapa quente ou no conforto de um caldo fumegante, cada preparo carrega uma narrativa. Em Hong Kong, marcam encontros de família. No Japão, viram guioza grelhada, quase sempre compartilhada em izakayas. Em Bangkok, são presença obrigatória nos hotéis luxuosos, onde chefs de Hong Kong assinam menus exclusivos. Hoje, esses pequenos embrulhos de sabor ganharam passaporte global e, no Rio, encontram palco em restaurantes que unem tradição, técnica e criatividade autoral.
Três endereços se destacam nesse roteiro de sabores: o pioneirismo tailandês do Nam Thai, o artesanal japonês do Kakurenbo Izakaya e a leitura autoral da Polvo Marisqueria. Cada um deles, a seu modo, transforma os dumplings em protagonistas de experiências que emocionam tanto quanto alimentam.
Nam Thai – pioneirismo e autenticidade
Com 27 anos de história, o Nam Thai, do chef David Zisman, foi o primeiro restaurante carioca a receber o selo internacional Thai Select, que certifica a autenticidade da gastronomia tailandesa. No cardápio, os dim sum aparecem em versões delicadas, que valorizam a textura da massa e a explosão de sabor dos recheios.
“Dumpling é pastelaria chinesa. O termo yum chá desafia os cozinheiros a criar massas com diferentes texturas e recheios. Até a forma de fechar a massa deve ter um toque artístico. A maior parte é cozida no vapor, mas também pode ser assada, cozida em água, grelhada na frigideira e finalizada em caldo com vinagre maltado chinês. Já a gyoza, ou potsticker, é sempre grelhada em chapa ou frigideira. Uma experiência fantástica é o rodízio de dim sum, expressão que significa ‘o que toca o coração’”, explica o chef.
Rua Rainha Guilhermina, 95 – Loja B – Leblon
(21) 97042-6575 | @restaurante\_nam\_thai
Horário de funcionamento: Seg: 18h–22h | Ter–Qua: 12h–22h | Qui–Sáb: 12h–23h | Dom: 12h–22h
Kakurenbo Izakaya – guiozas feitas à mão

No Kakurenbo, o chef Eric Ueda prepara artesanalmente as massas da guioza, que são seladas na frigideira e depois finalizadas no vapor. Entre porções que equilibram simplicidade e técnica, a casa exala o clima descontraído dos izakayas japoneses, onde a guioza é sempre pedida para compartilhar com uma boa bebida.
Av. Ayrton Senna, 5500 | Bloco 12 – Loja 106
(21) 96633-4907 | @kakurenbo.izakaya
Horário de funcionamento: Ter–Qui: 12h–21h30 | Sex–Sáb: 12h–22h30 | Dom: 12h–21h30
Polvo Marisqueria – guiozas com sotaque ibérico

Na Polvo Marisqueria, em Botafogo, a chef Monique Gabiatti dá seu toque autoral aos dumplings, trazendo camadas de sabor que cruzam o Oriente e o Ocidente. A guioza chega envolta em caldo de algas, missô e porco, finalizada com chilli oil, guanciale e cebolinha — uma combinação que traduz, em cada colherada, o diálogo entre a cozinha ibérica e a delicadeza asiática.
Rua Dezenove de Fevereiro, 194 – Botafogo
@polvomarisqueria
Horário de funcionamento: Ter–Qui: 12h–16h e 18h–23h | Sex: 12h–16h e 18h–0h | Sáb: 12h–17h e 19h–0h | Dom: 12h–17h | Seg: fechado



