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Além da tendência: a história por trás dos drinks com vinho

Quem acha que drink com vinho é invenção recente desconhece um capítulo importante da história da coquetelaria

Das casas aristocráticas europeias aos bares contemporâneos de Berlim, Lisboa ou São Paulo, o vinho sempre ocupou espaço. Muito antes do Spritz dominar as redes sociais, já aparecia atrás do balcão, e os espumantes transformavam as bolhas em verdadeiro espetáculo na taça.

“Os drinques com vinho sempre estiveram na moda, não é algo passageiro ou criação dos tempos atuais. Os feitos com espumantes, por exemplo, sempre foram tendência: as bolhas encantam e agradam gerações”, explica Claudia Oliveira, DipWSET, sommelier e bartender.

Há coquetéis com mais de 150 anos de história. O icônico Champagne Cocktail, por exemplo, que une bitters, açúcar e Champagne, foi registrado no século 19 por Jerry Thomas, considerado um dos pais da coquetelaria moderna. Depois vieram clássicos que nunca saíram de cena, como o Mimosa, o Bellini e o Kir – este último originalmente elaborado com vinho branco da Borgonha e licor de cassis, antes de ganhar sua versão mais luxuosa com Champagne e tornando-se o elegante Kir Royale.

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Foto: Tatyana Berkovich

Bolha é celebração e isso não muda. Hoje, o Spritz vive seu auge, especialmente o Aperol Spritz. Leve, instagramável e fácil de beber, tornou-se onipresente. Mas, na prática, estamos apenas assistindo a mais um capítulo na história dos drinques.

Mas há agora um fator comportamental importante. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) mostram que cresce no mundo a preferência por bebidas de menor teor alcoólico. Jovens adultos buscam leveza e frescor – não necessariamente potência alcoólica. Substituir parte dos destilados por vinho em coquetéis é uma resposta natural a essa mudança de perfil.

No Brasil, faz ainda mais sentido. Nosso clima pede gelo, fruta fresca e uma taça generosa. Combina com um estilo mais descontraído de beber vinho, sem formalidades excessivas.

Não são apenas as borbulhas que reinam. Sangrias e Clericots seguem protagonistas quando a proposta é frescor. Adaptáveis, democráticos e visualmente atraentes, fazem todo sentido em países tropicais. “O vinho é versátil. Em drinque, não perde identidade; amplia possibilidades”, resume Claudia.

É justamente essa versatilidade que as seguintes receitas propõem. São fáceis, elegantes e perfeitamente possíveis de preparar em casa. Porque vinho, na taça ou no copo de coquetel, continua sendo protagonista nunca coadjuvante.

Receitas

Spritz Veneziano

  • 90 ml de espumante brut
  • 60 ml de Aperol
  • 30 ml de água com gás
  • Gelo
  • Fatia de laranja

Taça grande, bastante gelo. Espumante primeiro, depois Aperol e finalize com água com gás. Mexa delicadamente.

Clericot

    • 1 garrafa de espumante brut
    • Morangos, kiwi, maçã, laranja e abacaxi
    • Gelo e frutas na jarra e espumante bem gelado. Sirva na hora. Simples e perfeito para receber. 

Sangria

    • 1 garrafa de vinho tinto seco jovem
    • 1 laranja
    • 1 maçã
    • 1 dose de licor de laranja
    • Água tônica ou refrigerante de limão

Misture vinho, frutas e licor. Descanse 30 minutos. Finalize com gelo e a bebida gaseificada.

Mimosa

    • 100 ml de espumante brut
    • 100 ml de suco de laranja fresco

Misture direto na taça flute. Elegância imediata.

Kir Royale

    • 10 ml de licor de cassis
    • 120 ml de espumante brut

Cassis primeiro, espumante depois. Delicado e clássico.

  •  

Tinto de Verano

    • 120 ml de vinho tinto leve
    • 120 ml de refrigerante de limão
    • Gelo
    • Fatia de laranja

Misture tudo em copo alto. Fácil, despretensioso e delicioso.

Por Etienne Carvalho / @vinhosporetienne
Jornalista especialista em vinhos, sócia fundadora da ABS DF

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