Alois Lageder, biodinamismo aos pés dos Alpes
Produtora do Alto Ádige reúne pequenos viticultores, dezenas de variedades e uma abordagem que leva a sustentabilidade da vinha à garrafa
Localizada no coração do Alto Ádige, a cerca de 30 km dos Alpes, a Alois Lageder foi pioneira no biodinamismo no país. Desde 2004 adotou a prática e recebeu sua primeira certificação oficial em 2008. Além dos vinhedos próprios, mantém parceria com sessenta famílias de pequenos produtores que compartilham os mesmos princípios de cultivo, em altitudes que vão de 250 a 1.250 metros. A diversidade de solos e microclimas dá origem a vinhos artesanais, frescos e vibrantes, que procuram traduzir os diferentes terroirs do norte da Itália. O portfólio atualmente reúne vinhos produzidos com 30 variedades cultivadas na região.
Organizado pela importadora Mistral, o painel de degustação apresentou quatro vinhos brancos e dois tintos. Da linha Riff, produzida no Vêneto, o Pinot Grigio 2023 mostrou perfil leve e frutado, com notas florais, boa acidez e médio corpo. Já o Merlot Cabernet 2021, corte das duas castas, passa por botti, grandes recipientes de carvalho da Eslovênia com capacidade para milhares de litros, e apresentou um conjunto equilibrado, macio e fácil de beber.

Da linha Alois Lageder, produzida no Alto Ádige, foram degustados o Pinot Grigio 2022 e o Porer Pinot Grigio 2021, ambos mais minerais e complexos, com elegância e personalidade. O Gaun Chardonnay 2023, considerado um dos melhores Chardonnays italianos de clima frio, apresentou estrutura bem marcada, boa textura e clareza aromática. Completou o painel o Pinot Noir 2022, marcado pela grande expressão de fruta, notas de especiarias e um leve toque defumado.
A sustentabilidade também chega à embalagem. Desde 2021, a Alois Lageder adotou garrafas mais leves, de 420 gramas, em substituição às antigas, de 650 gramas. A medida evitou a produção, o transporte e a reciclagem de 144 toneladas de vidro. A empresa ainda utiliza papel reciclado em todos os seus rótulos, compromisso coerente com sua abordagem biodinâmica. O planeta agradece.
Por Flávia Maia (@degustandocomflaviamaia)



