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Às vésperas da COP30, Belém recebe festival gastronômico dedicado ao pirarucu selvagem

Com a participação de grandes restaurantes como Celeste e Santa Chicória, a edição do Festival Gosto da Amazônia na capital do Pará vai de 19 de setembro a 5 de outubro

Por: Daniel Salles

Um dos restaurantes mais festejados de Belém, hoje em dia, é o Celeste, da chef Esther Weyl. Inaugurado no ano passado, ocupa uma antiga construção próxima da célebre Casa das Onze Janelas, na Cidade Velha. Virou parada obrigatória para boa parte dos turistas, a começar pelos mais ilustres, a exemplo de Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, que jantou recentemente no Celeste. Com ambientação despojada, o endereço serve pratos ao mesmo tempo inventivos e reconfortantes como cupim com arroz pérola, creme de cebola, crispy de alho-poró e puxuri.

A mais recente inclusão no cardápio é o pirarucu fresco selvagem incrementado com o chamado molho XO, levemente picante, pirarucu seco e arroz frito. O prato faz parte da primeira edição na capital do Pará do Festival Gosto da Amazônia, que exalta a versatilidade e a importância do pirarucu selvagem de manejo sustentável. Com a participação de cerca de 25 restaurantes, o festival começa no dia 19 de setembro e vai até 5 de outubro. “É uma oportunidade para apresentar um produto de qualidade e de origem conhecida e para falar sobre ele com o respeito que ele merece”, diz Esther ao comentar a estreia no festival, que já teve edições em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife.

Trata-se de uma iniciativa da marca homônima, Gosto da Amazônia, que comercializa o pirarucu cultivado, de maneira sustentável, na região do Médio Juruá, no Amazonas. Estima-se que a pesca desse peixe nessa área ajude a conservar mais de 11 milhões de hectares da floresta, além de contribuir com o sustento de diversas comunidades ribeirinhas e indígenas. Em comparação com os frigoríficos da região
amazônica, a marca paga aos manejadores cerca de 60% a mais pelo pescado, considerado o maior peixe de escamas de água doce – ele chega a três metros e 200 quilos.

Quem representa as famílias que tiram o sustento do pirarucu selvagem de manejo sustentável é a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC). “O Festival Gosto da Amazônia também gera visibilidade para os chefs e restaurantes parceiros, que passam a integrar essa história de valorização da sociobiodiversidade e conservação da floresta por meio da gastronomia”, diz Ana Alice Britto, coordenadora comercial da entidade.

Não faltam exemplos de como a marca Gosto da Amazônia impactou as comunidades envolvidas positivamente. Até poucos anos atrás, a de São Raimundo, no município de Carauari, dependia de um gerador a diesel. Sabidamente nocivo ao meio ambiente, ele garantia duas horas de energia elétrica por dia. Estamos falando de uma comunidade aonde só se chega depois de duas horas de voo a partir de Manaus, 36 horas de barco e mais uma hora a bordo de canoa motorizada. Agora, São Raimundo dispõe de energia elétrica o dia todo graças aos paineis solares fotovoltaicos que foram custeados com a venda do pirarucu selvagem de manejo sustentável.

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A organização da primeira edição do Festival Gosto da Amazônia na capital do Pará às vésperas da 30ª COP, a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, não é mera coincidência. “A ideia é aproveitar o fato de que os olhos do mundo estão voltados para Belém para colocar nos holofotes uma cadeia produtiva que favorece a preservação da Amazônia”, afirma Sérgio Abdon, responsável pela
produção do Festival e diretor-executivo do SindRio, o sindicato de bares e restaurantes do Rio de Janeiro. “A participação de restaurantes com perfis variados ajuda a evidenciar a enorme versatilidade do pirarucu”.

O filé costuma ser servido frito, empanado, em caldeiradas ou moquecas. O lombo é ótimo para o preparo de carpaccio, tartar, molhos e também pode ser grelhado. Já a barriga (ventrecha) costuma ser assada ou preparada na brasa e há quem opte por curá-la ou transformá-la em torresmo. Para o Festival Gosto da Amazônia de Belém, o restaurante Eugenia, do chef Marley d'Oliveira, em Umarizal, criou uma versão do katso sando, o célebre sanduíche japonês. A receita original leva filé suíno à milanesa, substituído, por d'Oliveira, por pirarucu empanado. Confira a lista completa de casas e pratos participantes em festivalbelem.gostodaamazonia.com.br

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