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Assoolive lança selo e redefine o padrão dos azeites do Sudeste

Cerca de vinte marcas se inscrevem nesta edição, número que reflete o momento do setor

A olivicultura brasileira, especialmente aquela que se desenha nos contornos da Mantiqueira e em diferentes pontos do Sudeste, parece chegar a esse ponto agora. Não por acaso, o lançamento do Selo de Certificação de Origem 2026 da Assoolive surge como sinal de amadurecimento. É quando o discurso da qualidade se organiza em método, e a origem, tão repetida no rótulo, passa a ser submetida a critérios que a sustentem de fato.

A associação reúne hoje cerca de cinquenta produtores espalhados por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, um mosaico que reflete tanto a diversidade de microclimas quanto o esforço coletivo de quem decidiu apostar em uma cultura ainda recente no país. Durante anos, o desafio foi provar que era possível produzir bons azeites em território brasileiro. Superada essa etapa inicial, o foco agora se desloca para algo mais sofisticado: consistência, leitura sensorial e construção de identidade.

Eixo da avaliação

O novo selo se insere exatamente nesse ponto de virada. A adesão continua sendo voluntária, mas carrega um peso simbólico que vai além do marketing. Em um ano de safra generosa, em que o volume cresce e a oferta se amplia, a certificação funciona como um filtro necessário, quase um gesto de responsabilidade com o próprio mercado. Não basta produzir, é preciso sustentar o que se produz.

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A principal mudança desta edição revela bem essa intenção. A análise sensorial, antes complementar, passa a ser obrigatória. Na prática, isso desloca o eixo da avaliação. O azeite não pode apenas atender aos parâmetros físico químicos, precisa se afirmar no nariz e na boca, sem defeitos, com frescor, amargor e picância em equilíbrio. É um convite a olhar o azeite como produto vivo, que se expressa para além dos números. E, ao mesmo tempo, uma forma de alinhar o Brasil aos protocolos mais exigentes do cenário internacional.

Essa etapa acontece no dia 1º de maio, durante a Festa do Azeite Novo 2026, em uma espécie de ritual contemporâneo que mistura celebração e escrutínio técnico. Com apoio da EPAMIG, que entra com estrutura e equipe, e condução da Experienciar, o processo segue um rigor que inclui amostras codificadas, confidencialidade e possibilidade de contraprova. O painel de especialistas trabalha com critérios objetivos para identificar falhas sensoriais que, muitas vezes, passam despercebidas fora de um ambiente controlado. É ali, no detalhe, que se decide quem pode ou não carregar o selo.

@assolive_brasil

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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