A nova era do uísque
Autor de manual sobre o destilado, Dave Broom fala sobre as mudanças no universo da bebida e as apostas frente ao menor consumo de álcool
Lançado no Brasil pela Editora Senac São Paulo, o livro O Atlas Mundial do Whisky: Mais de 500 Destilarias Visitadas e 480 Rótulos Degustados diz a que veio logo no nome. O autor Dave Broom, contudo, conversou com exclusividade com Prazeres da Mesa, contando um pouco sobre o processo de reedição da obra – dez anos depois do primeiro lançamento – e até sobre as expectativas da área quando se fala em reduzir o consumo de álcool. Confira nosso bate-bola com Dave!

Em quanto tempo escreveu o livro, incluindo pesquisa e redação?
Depende do ponto de vista. Outros projetos fizeram com que houvesse um intervalo de dez anos entre a segunda edição e essa. Então, pode-se dizer que levou uma década. Durante todo esse tempo, fui acumulando informações por meio de visitas, degustações, dicas de amigos. Reunir tudo isso, somado a novas pesquisas e à redação propriamente dita, levou cerca de um ano. Foi um processo mais longo do que o habitual porque o mundo do uísque mudou completamente em dez anos, o que significou que tive de começar praticamente do zero. Este é um livro novo, não apenas uma atualização.
Qual é a sua opinião sobre o uísque brasileiro?
Fico animado em ver mais uísque sendo produzido no Brasil – e na América do Sul, em geral. O que mais me intriga é como os destiladores vão imprimir um caráter brasileiro à bebida.
Apesar do interesse pela origem de alimentos e bebidas, há o movimento de reduzir o consumo de álcool. Como a indústria do uísque pode lidar com isso?
É uma ótima pergunta – e importante. Acho que a indústria do uísque precisa descobrir qual é o novo “momento do uísque”. Isso será diferente em cada mercado. O interessante é que não há uma rejeição total ao álcool – ao uísque, neste caso –, mas sim uma mudança na cultura de consumo. O uísque continuará tendo seu lugar nesse cenário, mas precisará se adaptar a essa transformação. Você tem toda razão ao apontar o interesse crescente pela procedência, algo que o uísque pode aproveitar a seu favor. Uma destilaria específica, em um local específico, produzindo um sabor único. Tudo se resume a não apenas produzir uísque no Brasil, mas produzir uísque brasileiro – e isso vale para qualquer país produtor. Quais são o clima, os grãos, a madeira. O que torna a bebida diferente, como o destilador utiliza os recursos ao seu redor, o que se pode aprender com a cultura gastronômica. Trata-se de alinhar o sabor e essa ideia de lugar e cultura aos hábitos de consumo das pessoas. Não é fácil, mas é empolgante.



