Na Paulista, o Bar Brahma descobre que nem todo mundo está atrás de chope
Cercada por corredores, academias, escritórios e uma avenida que abraça novos hábitos, a recém-inaugurada unidade da casa paulistana coloca bowls no cardápio e flerta com a turma wellness sem renegar a boemia
Há uma nova fauna circulando pela Avenida Paulista. Ela aparece cedo, de tênis, relógio esportivo no pulso e quilômetros acumulados antes mesmo do primeiro café. Volta no fim do dia, ocupa academias e estúdios dos Jardins, Bela Vista e Consolação e, aos domingos, praticamente toma conta da avenida. No meio desse cenário, uma marca intimamente ligada à boemia paulistana percebeu que talvez seja possível trocar, ao menos por uma refeição, o balcão pela cumbuca.
O Bar Brahma abriu uma unidade na Rua Luís Coelho, a poucos passos da Paulista, e resolveu conversar também com esse público. Não significa que o chope esteja ameaçado de extinção, longe disso. A novidade está justamente em colocar sob o mesmo teto duas São Paulo que já convivem na calçada: a cidade que brinda e a cidade que corre. Para isso, o cardápio ganhou as Cumbuquinhas, cinco bowls que juntam vegetais, folhas, grãos e proteínas em combinações que vão do falafel ao camarão.
A mudança tem mais a ver com comportamento do que com dieta. Comer de maneira mais leve deixou de ser preocupação restrita a um pequeno grupo e entrou definitivamente na rotina urbana. A pesquisa Voz do Consumidor 2025, da PwC, aponta que 79% dos brasileiros demonstram preocupação com o consumo de ultraprocessados e mais de 70% pretendem aumentar a presença de alimentos frescos na alimentação.
São Paulo também corre como nunca. Segundo a Prefeitura, as corridas de rua com apoio municipal passaram de 158, em 2023, para 182 no ano seguinte, crescimento de 15%. Somados, os eventos reuniram mais de 490 mil participantes. Basta circular pela Paulista e arredores pela manhã ou no começo da noite para perceber que o fenômeno escapou das provas oficiais e virou parte da paisagem.
É nessa avenida de múltiplas personalidades que as Cumbuquinhas encontram seu lugar. A de atum fresco (R$ 69) leva peixe marinado com gergelim, folhas, tomate grape, cebola roxa, rabanete, guacamole, ovo cozido, vagem holandesa com shoyu e gengibre e quinoa vermelha, com molho agridoce. A de camarão tropical (R$ 74) segue por caminho mais solar, combinando camarões salteados, manga fresca, guacamole, pepino japonês, tomate grape, cebola roxa, cenoura palha, folhas e quinoa vermelha, com molho cítrico.
Para quem prefere ficar longe da carne, a cumbuquinha de falafel (R$ 54) reúne os bolinhos de grão de bico com berinjela, cuscuz marroquino, tomate grape, cebola roxa, pepino, coalhada seca e homus. A de frango (R$ 59) traz peito de frango orgânico grelhado com folhas, tomate grape, cebola roxa, milho, pepino japonês, guacamole, cebola crocante, cuscuz marroquino e berinjela.
A cumbuquinha de rosbife (R$ 69) é talvez a que melhor faz a ponte entre o novo e o velho espírito do bar. O rosbife chega acompanhado de folhas, batatas crocantes, ovo cozido, parmesão, tomate grape e cuscuz marroquino, com molho cítrico da casa. Tem salada, mas também tem batata. Afinal, equilíbrio não precisa significar penitência.
No fim, o mais curioso não é encontrar quinoa no Bar Brahma. É perceber como a própria Paulista embaralhou seus personagens. O executivo cruza com o turista, que desvia do corredor, que passa pelo músico, que mais tarde pode sentar para um chope. A nova unidade apenas colocou essa mistura no cardápio. Quem quiser pode chegar depois do treino para um bowl. E nada impede que o chope venha depois.
Bar Brahma Paulista
Rua Luís Coelho, 379, Consolação, São Paulo
Funcionamento: todos os dias, das 11h30 às 5h
Reservas para almoço: 11h30, 12h, 12h30, 13h e 13h30. Aos sábados, às 13h, e aos domingos, às 12h
Reservas para jantar: todos os dias, às 20h
@barbrahmapaulista



