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Luciano Sandrone, um dos principais do Piemonte

Sua idade o colocaria entre os produtores jovens da região, no entanto, a elegância de seus vinhos o afastam da imagem modernista

Por Marcel Miwa

Uma das mais tradicionais vinícolas do Piemonte, a Marchesi di Barolo, foi onde trabalhou Luciano Sandrone. E, mais importante do que aprender a vinificar, ele se aproveitou do grande arsenal de vinhedos daquela vinícola para saber como reconhecer os grandes terroirs do Langhe. Assim, em 1977, reuniu suas economias e com o apoio de sua família, comprou um vinhedo que conhecia bem, em Barolo, no “Cannubi”. Hoje, são três diferentes parcelas em Cannubi, manejadas e colhidas separadamente, que dão origem ao até então conhecidíssimo Barolo Cannubi Boschis.

O “até então” ocorreu, pois em 2017, Sandrone lançou seu icônico Barolo da safra 2013, rebatizado com o nome “Aleste”. Muitos pensaram que ele havia enlouquecido, pois como mudar o nome de seu principal vinho, que o projetou para o mundo, e dentro da tradição piemontesa, carrega o nome do vinhedo de onde saem as uvas? A explicação é simples e diz bastante sobre a personalidade desse produtor. Aleste é a junção dos nomes de seus netos, Alessia e Stephano. O grande salto de Sandrone ocorreu na safra de 1990 de seu Cannubi Boschis, que recebeu os 100 pontos da publicação de Robert Parker, uma das primeiras notas perfeitas dadas pelo crítico a vinhos da região.

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Em 1978, quando começou a vinificar, Sandrone também contou com o apoio da família; no caso, seus pais, que cederam a garagem de casa para montar a cantina de vinificação; além de contar com o trabalho de seu irmão Luca e de sua filha Barbara (mãe de Alessia e Stephano).

Hoje, Sandrone possui 22 hectares de vinhedos próprios e se dedica apenas às três principais tintas da região: Dolcetto, Barbera e Nebbiolo.

Além do conhecimento para identificar as melhores parcelas, Sandrone adota a viticultura orgânica em seus vinhedos e é conhecido por praticar uma poda verde severa, com que “derruba” parte dos cachos ainda verdes para que os remanescentes amadureçam com maior consistência e concentração. Técnica dos modernistas do Piemonte? Verdade. Porém, Sandrone equilibra essa maturação da uva com extrações mais suaves e curtas na vinificação em sua cantina. Vinificação, aliás, que arranca de forma espontânea, sem adição de leveduras. Seguindo no processo de vinificação, se por um lado há maior uso de barris de carvalho francês, estes são de 500 litros, que impactam menos que os de tamanho bordalês (225 litros) e apenas 10% de novos a cada ano.

Conheça os detalhes dos principais vinhos de Luciano Sandrone importados com exclusividade pela Clarets:

Fotos: Divulgação

Sandrone Dolcetto d’Alba 2018

  • Piemonte, Itália
  • R$ 275 – Clarets
  • 90 pontos

Um Dolcetto sofisticado, resultado da vinificação separada de 11 parcelas de vinhedos. Além do típico licor de cereja, traz ao nariz cedro, folha seca e terra. Na boca, é bastante sério, com taninos firmes e um certo calor de álcool. Aqui, não há presença da madeira e, no final, há mais licor de frutas negras, com toque de tomilho.

Sandrone Barbera d’Alba 2017

  • Piemonte, Itália
  • R$ 482 – Clarets
  • 91 pontos

O único rótulo de Sandrone que assume uma feição claramente moderna. Concentrado e exuberante, traz notas de amora, ameixa preta, chocolate amargo e toffee. Há frescor suficiente para equilibrar a concentração e os taninos são finos e compactos, que confirmam a sensação de grande estrutura do vinho. Aqui, há estágio de 15 meses nos barris, com maior proporção de carvalho novo.

Sandrone Nebbiolo d’Alba Valmaggiore 2017

  • Piemonte, Itália
  • R$ 632 – Clarets
  • 91 pontos

A encosta de Valmaggiore, em Roero, dá origem a uma expressão com sutis diferenças em rela-ção a Langhe (onde estão Barolo e Barbaresco, por exemplo), com traços mais delicados e elegantes da Nebbiolo. Na taça, traz fruta vermelha fresca (morango e cereja vermelha), com cânfora e alcaçuz. O conjunto tem boa fluidez na boca, com taninos bastante finos e firmes, ótimo frescor, que reforça as frutas ácidas na boca e toque de cappuccino no final.

Sandrone Barolo La Vigne 2015

  • Piemonte, Itália
  • R$ 1.830 – Clarets
  • 94 pontos

Esse Barolo de Sandrone é resultado da mescla de quatro diferentes vinhedos: Baudana (em Serralunga), Villero (em Castiglione Falletto), Vignane (em Barolo) e Merli (em Novello). Cada um é vinificado separadamente e apenas após o estágio nos barris é feita a mescla final, equilibrando todas as características de cada vinhedo. Há grande intensidade no nariz, com frutas vermelhas maduras, toffee, cânfora e flores secas. Os taninos são muito finos e acetinados, aportam alguma sensação mineral, e são devidamente am-parados pelo frescor e grande presença da fruta. Uma feição mais democrática de Barolo, que se mostra abordável, e taninos que não causam grandes sustos. Final com especiarias, fruta, terra e toffee indica que há um futuro promissor para os aficionados pacientes.

Sandrone Barolo Aleste 2015

  • Piemonte, Itália
  • R$ 2.120 – Clarets
  • 96 pontos

Desde 2013 rebatizado de Cannubi Boschis para Aleste, o vinho não teve seus protocolos de produção alterados. Hoje Sandrone possui três parcelas em Cannubi Boschis, que são vinificados separadamente para serem mesclados antes do engarrafamento.

Aqui há a tensão que muitos esperam dos grandes Baroli. Notas medicinais (iodo e esparadrapo) e minerais (talco e giz) se mesclam com a fruta vermelha ácida e flores secas. A ataque na boca é destacado pela textura cremosa, seguida dos taninos, bastante firmes e tensos, dentro da tipicidade. A fruta vermelha fresca não perde o vigor na boca e recebe a companhia de toques balsâmicos, cedro e sândalo. Um grande Barolo, com tremendo futuro mas que já mostra profundidade, com músculos e esqueleto.

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