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30 safras do ícone

Um dos mais celebrados vinhos tintos chileno, o Don Melchor, completa 30 colheitas e ganha vinícola própria

Enrique Tirado, enólogo de Don Melchor

Vender os vinhos chilenos mais caros no Brasil não é tarefa fácil. A menos que você esteja falando de ícones como o Don Melchor, que faz grande sucesso em solo nacional. E esse grande tinto está celebrando sua 30a. safra e com uma grande novidade: a marca se tornará independente da Concha y Toro e adotará o nome de Viña Don Melchor.

Enrique Tirado, enólogo que desde 1997 assina a produção de um dos primeiros tintos ícones do Chile agora acumulará também a função de gerente-geral. A nova safra, a 2017, apresentada em uma degustação vertical com as edições de 2013, 2001, 1995, e a inaugural, 1987, são exemplos da busca de um vinho que não ambiciona subir mais degraus no vértice da potência e prefere privilegiar a definição e a precisão de suas características.

História de sucesso

Don Melchor em sua primeira safra contou com o endosso de Émile Peynaud (considerado o pai da enologia moderna). Não podendo assumir uma consultoria no projeto, devido à idade avançada, indicou para a função Jacques Boissenot, seu discípulo. Até hoje, Eric (filho de Jacques) é consultor de Don Melchor. Com isso, anualmente, Enrique seleciona amostras do vinho-base com maior potencial, e leva para Bordeaux para então definir com Eric o blend final.

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No campo, o foco está na Cabernet Sauvignon, que ocupa cerca de 90% dos 127 hectares de vinhedos, dividido em mais de 150 microparcelas, sendo as videiras mais antigas, de 1979, em Puente Alto (Maipo Alto). Esse foi um dos primeiros vinhedos chilenos a ter um estudo de mapeamento de solo, feito pelo badalado especialista Pedro Parra, ainda durante seu mestrado em geologia aplicada à produção de vinhos, na França.

Região de Puente Alto, no Chile

Detalhes da nova safra

Don Melchor 2017

A safra 2017 foi considerada mais seca que o habitual. Mas, na taça, não se nota qualquer aresta de tanino ou acidez que pudesse indicar alguma adversidade climática. A mescla final de Don Melchor recebeu 98% de Cabernet Sauvignon com 2% de Cabernet Franc, que estagiaram 15 meses em barricas francesas, cerca de dois terços novas.

Ainda que esteja muito jovem, o Don Melchor 2017 traz notas de violeta, mais frutas negras que vermelhas maduras, com toques defumados e de mentol. Os abaunilhados e a fruta compotada que já foram tão almejados não aparecem mais; em compensação, há frescor e tensão que dão mais vivacidade ao vinho.

A sedosidade dos taninos, a cremosidade do conjunto e a fruta saborosa estão presentes. Afinal, também são marcas da Cabernet Sauvignon de Puente Alto (vide Almaviva e Viñedo Chadwick). No final, aparecem notas lácteas e de grafite, que indicam que o vinho ainda pode se integrar mais e abrir outras camadas de aromas ao longo dos próximos anos e décadas; afinal, até mesmo a safra de 1987 continua viva na taça.

Confira aqui como foi a safra 2015. 

* Reportagem publicada na edição 197 de Prazeres da Mesa

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Marcel Miwa

Especialista em serviço de vinhos pelo Senac-SP e jurado em diversos concursos internacionais de vinhos, desde 2015 Marcel Miwa está à frente do caderno de vinhos de Prazeres da Mesa.

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