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Château Latour

Conhecido por ser o mais consistente e complexo 1er. Cru Classé de Bordeaux, o Château Latour  chegou ao Brasil com sua linha completa de vinhos. Nós os provamos em primeira mão, confira

A notícia que o Château Latour deixaria o sistema “en primeur” de Bordeaux caiu como uma bomba em 2012. Até então, Latour e seus pares Cru Classé de Bordeaux submetiam seus vinhos à prova a partir de abril do ano seguinte à colheita (por exemplo, a safra 2011 seria provada a partir de abril de 2012), quando os vinhos ainda estão nas barricas, mas já podem dar indício de seu potencial. Uma vez provados e pontuados, os preços são fixados e os negociantes abrem os títulos para venda (pois os vinhos ainda não estão prontos, então compra-se um documento).

Os lotes são lançados pouco a pouco e os preços podem flutuar. Financeiramente, os produtores recebem antecipadamente (antes de os vinhos serem efetivamente lançados) e vale o mesmo para os negociantes. É um sistema conveniente. No entanto, em 2012, Latour anunciou que deixaria o sistema e, no ano seguinte, em vez de apresentar a safra 2012, colocou à venda o Château Latour 1995. Frédéric Engerer, diretor do Château, comentou que a ideia é lançar os vinhos quando eles estejam prontos para ser bebidos, fora da pressa e correria causada pela campanha “en primeur”.

Além disso, interessa ao Château ter a rastreabilidade de onde estão sendo vendidos e consumidos seus vinhos a partir de agora, já que parte deles (como o caso do Brasil) será vendida diretamente. Claro que a segurança financeira dada por seu proprietário, François Pinault, uma das maiores fortunas da França, permite que Latour mantenha todos os vinhos “em casa” sem ter seu fluxo de caixa comprometido.

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Se na categoria de 1er. Cru Classé, o topo da pirâmide da classificação de Bordeaux em vigor desde 1855, Mouton tem a imagem de maciez e modernidade; Margaux de elegância e delicadeza; Lafite de austeridade e classicismo; Latour é reputado pela complexidade e longevidade, entre as propriedades que estão em Pauillac. O Château, então, que está no limite entre Pauillac e St-Julien tem 78 hectares de vinhedos, plantados na maior parte com Cabernet Sauvignon (com 74%, além de 24% Merlot, 1,8% Cabernet Franc e 0,2% Petit Verdot), sendo que a “alma” de Latour está na parcela de 47 hectares chamada Enclos, de onde saem as uvas para o Grand Vin de Latour. A partir da safra 2019, todos os vinhos da propriedade serão orgânicos. A Clarets é a importadora oficial do Château Latour no Brasil.

Pauillac de Latour 2008

R$ 1.049* – Clarets.

92 pontos

Este é o terceiro vinho de Latour, e o precursor dos terceiros vinhos de châteaux em Bordeaux. Por outro lado, este rótulo apenas é vendido aos distribuidores oficiais de Latour e não é comercializado pelos negociantes. A mescla de 55% Merlot e 45% Cabernet Sauvignon estagia em barricas de carvalho, apenas 20% novas. O vinho mostra a força e a potência da safra 2008, com produção pequena mas de ciclo que pode se estender ao máximo desejado pelos produtores. Na taça, licor de cassis, fruta negra madura, infusão de ervas, toque de própolis e couro. Nesse sentido, na boca ainda mostra bom vigor com ótima acidez, taninos finos e compactos e algum calor do álcool. A textura cremosa dá a sensação de redondez, com final de almíscar, pão tostado, cravo e cacau. Tem boa concentração e intensidade no nariz.

Les Forts de Latour 2012

R$ 2.990* – Clarets.

93 pontos

O segundo vinho de Latour nesta safra foi feito com Cabernet Sauvignon (76%), Merlot (22%) e Petit Verdot (2%). Além de outras parcelas de Latour, aqui entram uvas das videiras mais jovens de Enclos, e estagiam em barricas, 50% novas. A safra foi considerada difícil em Bordeaux pela alta incidência de chuvas, logo resultou em um vinho mais delicado. Ainda assim, há notas de flores secas, fruta negra fresca (cereja), cedro, toffee e um toque de couro. Na boca, boa fluidez e cremosidade, com menor concentração, ótima acidez e taninos finos com alguma austeridade. As frutas, mescla de vermelhas e negras, mostram-se ainda mais frescas, com erva-doce, pimenta vermelha e tomilho no final. Como resultado, conjunto bastante puro e com foco no frescor.

Grand Vin de Château Latour 2006

R$ 8.660* – Clarets.

96 pontos

Feito apenas com as melhores uvas da parcela Enclos, com idade média de 60 anos, e algumas videiras centenárias. O vinho, então, fermenta em inox e estagia integralmente em barricas novas. O ano considerado frio e úmido se reflete na expressão deste Latour. Há, portanto, boa mescla entre frutas vermelhas e negras, ambas frescas, com cedro, erva-doce, toffee e chocolate ao leite. Bem como na boca apresenta taninos em grande quantidade e muito finos e polidos, integrados à textura delicadamente cremosa e acidez refrescante. Na boca, além disso, abrem-se novas camadas de aromas com flores secas, fruta vermelha e grafite. Por fim, a textura dos taninos se mostra sedutora, a sensação de frescor se mantém, com notas de couro (indicativo que só agora começa a evoluir) e café. Em resumo, complexidade é o lema aqui.

*Os preços foram pesquisados em 2019 e podem sofrer alteração. 

**Matéria publicada na edição 195, de novembro, de Prazeres da Mesa.

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Marcel Miwa

Especialista em serviço de vinhos pelo Senac-SP e jurado em diversos concursos internacionais de vinhos, desde 2015 Marcel Miwa está à frente do caderno de vinhos de Prazeres da Mesa.

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