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O segredo da elegância do vinho

Há 25 anos, Alexandra Marnier Lapostolle procurava um terroir que considerasse excepcional para fazer um grande vinho. Encantou-se pelo Valle de Apalta, no Chile. Nascia, assim, o Clos Apalta, uma bebida chilena de alma francesa. Para o Brasil os vinhos são importados com exclusividade pela Clarets, uma das melhores importadoras do Brasil

Uma das coisas fundamentais para se fazer um grande vinho é acreditar no terroir no qual será felaborado. E isso diz respeito não apenas à terra, mas também ao clima e, claro, ao povo que cuida e que respeita a natureza. Desculpem os céticos, mas não conheço nenhum grande vinho que não tenha nascido em um vinhedo especial, em comunhão com o entorno. Esse é o caso dos vinhos da Casa Lapostolle e de seu Clos Apalta, um dos mais prestigiados do Chile, que nasceu da obsessão de sua fundadora em fazer um grande vinho, a francesa Alexandra Marnier Lapostolle.

O ano era 1994 e, ao lado do marido, Cyril de Bournet, Alexandra viajava o mundo pesquisando e olhando lugares nos quais poderia fazer o seu vinho. Depois de inúmeras visitas pelo mundo, em 1993, a dupla se viu hospedada em meio aos vinhedos de Don José Rabat, em Colchagua. Quando Alexandra viu os antigos parreirais – plantados em Apalta entre 1915 e 1920 –, uma vinha centenária única com 40 hectares, ela instintivamente soube que aquele seria o lugar para fazer um bom vinho.

Foto: Divulgação

Bisneta de Louis Alexander Marnier, criador do lendário licor Grand Marnier e da vinícola Château de Sancerre, no Vale do Loire, Alexandra queria fazer história, como seus antepassados. “Quando pisei naquele vinhedo, percebi que era o lugar ideal”, disse Alexandra, quando visitou o Brasil, em 2008. Mas faltava um o.k., digamos, mais profissional. “Chamei o enólogo francês Michel Rolland e o levei até lá. Rolland caminhou pelos vinhedos, conferiu as videiras, olhou para o céu como que analisando a incidência do sol e, no final, decretou que o lugar seria perfeito.”

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Michel Rolland, enólogo consultor de Clos Apalta e Jacques Begarie, Director Técnico | Foto: Divulgação

Quem conhece Apalta se encanta facilmente com sua alquimia de luzes, e os aromas de tomilho e de alecrim. Ao fundo, a Cordilheira dos Andes se ergue, imponente com seus picos cobertos de neve, fazendo do cenário um dos mais bonitos do mundo.

A Adega Lapostolle nasceu em 1994, em Cunaco, pertinho da cidade histórica de Santa Cruz. Com vinhedos perfeitos para as variedades Carménère, Merlot e Cabernet, com seus fenóis de alta qualidade, que dão uvas excelentes e suculentas e com Rolland como consultor, bastaram cinco safras para que a Casa Lapostolle alcançasse preços mais altos e reconhecimento acima da maioria das vinícolas chilenas. Desde o início, os vinhos da casa agradavam desde a linha de entrada, chegando aos varietais batizados de Cuvée Alexandre, em homenagem ao tataravô de Alexandra. Mas a vontade de lançar um vinho superpremium ainda era a meta. E, assim, nasceu o Clos Apalta, seguindo a mesma filosofia dos vinhos de Bordeaux, desde o corte das uvas, o uso de barris de carvalho francês para o envelhecimento e, claro, em um château próprio.

Charles-Henri de Bournet Marnier, Lapostolle presidente e CEO | Foto: Divulgação

Hoje, o ícone Clos Apalta celebra 20 safras. É feito em uma vinícola alimentada por gravidade, que custou 3 milhões de dólares, obra do arquiteto chileno Roberto Benavente Riquelme, um dos profissionais mais renomados do país. Ele fez um projeto harmoniosamente integrado na paisagem do lugar. Levou seis anos para ficar pronta (1999-2005), e ficou, além de linda, muito funcional. São 4.600 metros, sete pisos escavados na rocha, com profundidade de 35 metros, conservando ao redor as imensas paredes de granito, e funciona com o mínimo de intervenção do homem. Da chegada das uvas até o líquido entrar nas barricas, tudo é feito por gravidade. Nela, os barris e as barricas ficam dispostos como se estivessem em um anfiteatro, afinando e melhorando a cada vinho. Com muita elegância, tornando um sonho realidade.

 

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Sala de fermentação Clos Apalta. | Foto: Divulgação
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Casa Lapostolles Clos Apalta | Foto: Divulgação

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    Vinhos de excelência

     

    Lapostole Apalta 2018

    Entra com classe na categoria de bom custo- benefício. Um delicioso corte de Cabernet Sauvignon, Syrah e Carménère. Envelhece por 12 meses em carvalho francês novo e usado. Muito bem moldado, com taninos macios, muita fruta e aromas de especiarias.
    Foto: Divulgação

     

    Lapostolle Cuvée Alexandre Chardonnay 2016

    Um branco delicioso e que envelhece de maneira única, não demonstrando sua idade em nenhum momento. A cor é viva, brilhante, o frescor e a fruta predominam. Os vinhedos estão em Casablanca, recebendo as brisas do Oceano Pacífico, distante cerca de 22 quilômetros, o que lhe garante um toque mineral especial. Do vinho, 56% fermentaram em barris. Muita fruta e complexidade, com madeira sutil. Branco de grande nível.

     

    Lapostolle Cuvée Alexandre Merlot 2015

    Esse é um tinto para quem é apaixonado pela Merlot. Fruta, madeira, acidez e taninos estão em perfeita harmonia, resultando em um rótulo amplo e elegante. Envelheceu em barris novos e usados, de primeiro e de segundo usos, de 225 litros, por 14 meses. De quebra, os vinhedos são orgânicos e biodinâmicos.

     

    Lapostolle Cuvée Alexandre Cabernet Sauvignon 2018

    Intenso e muito estruturado, é um dos melhores Cabernet do Chile. Leva em sua receita 10% de Cabernet Franc e outros 5% de Carménère. Também passa 14 meses em barricas novas e usadas, de diferentes tanoarias e com diferentes níveis de tosta. Com isso, o objetivo foi alcançado – o de a madeira agregar sem esconder a fruta. Taninos finos e final longo.

     

    Lapostolle Cuvée Alexandre Syrah 2018

    Dessa linha, esse é o meu preferido. Elegante, lembra muito o estilo do Velho Mundo, com taninos bem moldados e uma explosão de frutas no aroma e no paladar. Faz a fermentação malolática em barricas francesas e amadurece por 14 meses em madeira de segundo e terceiro usos. Um dos melhores vinhos da América do Sul.

     

    Le Petit Clos 2017

    A safra de 2017 foi das mais complicadas no Chile, marcada por grandes incêndios florestais, que destruíram perto de 600.000 hectares de floresta. Porém, os vinhedos de Apalta nada sofreram e ainda foram brindados com inverno muito seco, com boas chuvas na época da brotação. Resumindo: as condições de maturação foram excelentes. Com isso, o vinho se mostra grandioso, elaborado com uma das receitas clássicas de Bordeaux, com corte de Cabernet Sauvignon (68%), Carménère (16%), Cabernet Franc (9%), Merlot (5%) e Petit Verdot (2%). Vinho de cor intensa, quase negra, aromas gostosos de especiarias, fruta vermelha, como cerejas e ameixas, e notas de baunilha, provenientes da maturação por 18 meses em barricas francesas variadas. Na boca, é amplo, longo e prazeroso.

     

    Clos Apalta 2017

    Eis o sonho realizado de Alexandra Marnier Lapostolle. Seu grande vinho está comemorando 20 safras, em grande estilo. Ganhou 100 pontos do americano James Suckling. O blend, que muda a percentagem de uvas a cada safra, tem 48% de Carménère, 26% Cabernet Sauvignon, 25% Merlot e 1% Petit Verdot. Tem cor granada profundo, muito por causa da Carménère, mas a abundância de aromas – groselha, framboesa e morangos – reflete o melhor lado da Merlot e da Cabernet Sauvignon. No paladar, a fruta continua, mas escoltada por taninos macios e sedosos, toques de oliva e de alcaçuz. Incrivelmente longo e delicado, expressa a grande elegância do terroir de Apalta.

     

    * Os vinhos são importados com exclusividade pela Clarets

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    Ricardo Castilho

    Ricardo Castilho é diretor editorial de Prazeres da Mesa

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