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Os eleitos

Os rótulos que cabem em nosso bolso e, principalmente, que fazem bonito na taça mostram a deliciosa diversidade do mercado

Para alegria dos apreciadores de vinhos, em 2019, as empresas dedicadas ao comércio etílico continuaram dando prioridade nos seus estoques a goles com perfil, digamos,  pé no chão. Exemplares bons no copo e gentis e compensadores no bolso. Indispensáveis, aliás, para atender um público cada vez mais atento à qualidade dos goles que compram e sobretudo a quanto pagam por eles.

Mesmo com as chuvas e trovoadas que afetaram o ambiente politicoeconômico dentro (e fora) de casa e que levaram o dólar a quebrar a barreira dos 4 reais e alcançar sua maior cotação histórica, desembarcou em 2019 um belo elenco de vinhos atraentes em uma faixa de preços que não ultrapassa em muito os 150 reais (e, mais interessante ainda, com um bom número deles com custo abaixo de 50 reais).

Foi esse tipo de exemplares que ocupou a coluna ao longo do ano. Nove deles, então, voltam hoje selecionados como os três melhores publicados nas categorias de tintos, brancos e espumantes. Definidos os destaques e feitas as contas, o painel reflete de certa forma a deliciosa diversidade que está tomando conta do nosso mercado. Ou seja, são nove vinhos, nove produtores, três continentes, seis países e 15 cepas. Uma variada coleção de pedidas para regar os dias de 2020.

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Os melhores espumantes

AURORA PINTO BANDEIRA EXTRA BRUT (PINTO BANDEIRA, BRASIL)

A cooperativa gaúcha, muito próxima de celebrar 90 anos de existência, tem um belo elenco de espumantes. Entre eles está o Extra Brut, um corte de Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico oriundo de Pinto Bandeira, uma área privilegiada para as borbulhas. Ele, que repousou por 24 meses com as leveduras antes de ser finalizado. Como resultado, mostra um perfil frutado atraente, temperado com pinceladas minerais e de torrefação que, por sua vez, brindam complexidade a um paladar cremoso e de boa persistência. (avaliação: 89 pontos em 100, R$ 78,90). À venda no Emporium São Paulo; emporiumsaopaulo.com.br

FERMÍ BOHIGAS BRUT NATURE RESERVA (CATALUNHA, ESPANHA)

A casa tem no portfólio vinhos tranquilos, mas foca nos espumantes. O Brut Nature (a ala mais seca dos brut, sem adição de açúcar) foi elaborado com o trio de cepas clássicas dos espumantes da região: Xarel-lo (50%) Macabeu (30%) e Parellada. Intenso e elegante mostra perfil amplo, ou seja, com frutas brancas, suave especiaria, leve mostarda. Nesse sentido, tem paladar equilibrado, longo, com boa acidez e bem embrulhado e bolhas finas e abundantes que lhe brindam uma textura muito agradável. (90/100, R$ 103). Casa Santa Luzia; casasantaluzia.com.br 

QUINTA DAS BÁGEIRAS BRUTO NATURAL RESERVA 2004 (BAIRRADA, PORTUGAL)

Da propriedade do enólogo Mario Sergio Alves Nuno, brotam tintos robustos e longevos. Mas a vida longa não é virtude apenas dos goles rubros da casa. Ela aflora também nos seus espumantes. Um bom exemplo é a edição 2004 do seu Reserva Nature, que combina duas variedades típicas daquele canto luso: Rabo de Ovelha e Bical. Os 15 anos de vida do vinho não passaram em vão. Complexo, tem aroma e sabor sedutor (frutas cristalizadas, folhas secas, damascos, suaves tons que lembram um bom Jerez) bem sustentado por uma marcada acidez. Como resultado, seu paladar é vibrante. Para quem gosta de espumantes maduros, bem acariciados pelo tempo, um prato cheio. (92/100, R$ 105,74). Premium; premiumwines.com.br

Os melhores brancos

DON CRISTOBAL 1492 CHARDONNAY 2019 (MENDOZA, ARGENTINA)

Jovem adega platina (seus primeiros vinhos foram os da safra 2001) encravada em Luján de Cuyo, tradicional área produtora ao sul da cidade de Mendoza. Tem no portfólio uma forte ala de entrada, com exemplares bem-feitos, como por exemplo a edição 2019 do Chardonnay. É seco, untuoso, mostrando frutas tropicais maduras, equilibrado na acidez, um vinho gostoso que brilha na sua categoria (88/100, R$ 39,90). Importado pela Domazzi; domazzi.com.br, à venda em emporiumsaopaulo.com.br

CASA SANTOS LIMA BONS VENTOS BRANCO 2017 (PORTUGAL)

O rótulo Bons Ventos, distribuído pela Casa Santos Lima, agrupa vinhos de diversos produtores de vários cantos da Terrinha. O branco 2017, um Vinho Verde, do Minho, no extremo norte do país, foi elaborado pela Casa de Vila Verde. Uvas Loureiro (30%), Arinto (30%) e Trajadura deram vida a um vinho refrescante e vivaz, de corpo ligeiro, saboroso (frutas brancas e cítricas, toques florais) do início ao fim¨. (88/100, R$ 44). Cantu; cantuimportadora.com.br

SPIER DISCOVER COLLECTION CHENIN BLANC-CHARDONNAY 2018 (STELLENBOSCH, ÁFRICA DO SUL)

Estreante no Brasil, a Spier Wine Farm tem sua base em Stellenbosch, canto vinícola ao leste da Cidade do Cabo. Na primeira leva, impressionaram seus brancos. Um dos destaques, então, foi o Chenin-Chardonnay, bem frutado (maçã, abacaxi, toques cítricos), além de corpo médio, leve e saboroso, sustentado por uma boa acidez (88/100, R$ 44,99). Importação e venda, Oba Hortifruti; obahortifruti.com.br 

Os melhores tintos

CASA VIÑA MONTES FUEGO NEGRO CABERNET SAUVIGNON 2018 (SAN JUAN, ARGENTINA)

Vinícola da Província de San Juan, segunda produtora de vinhos do país (atrás de Mendoza, com a qual limita ao sul). No primeiro desembarque, a casa mostrou forte linha básica com destaque para um Cabernet Sauvignon bem estruturado, mas redondo, rico em fruta (ameixas pretas) bem temperada com uma dose leve de madeira. Um rubro equilibrado e prazeroso. (89/100, R$ 39,90) Oba Hortifruti; obahortifruti.com.br 

CALMEL & JOSEPH CORBIÈRES 2017 (LANGUEDOC-ROUSSILLON, FRANÇA)

A empresa, fundada em 1995, pertence a Laurent Calmel (enólogo) e Jerôme Joseph e tem um amplo portfólio de vinhos de diversas denominações da região. Menção especial para o de Corbières, um corte de Grenache (60%) e Syrah elaborado sem contato com madeira e com seis meses de estágio em tanques de concreto. As frutas vermelhas¨, por sua vez, dominam a cena cobertas por um sutil verniz tostado e toques de suave louro. Sendo assim, temos um tinto macio, instigante e muito saboroso. (91/100, R$ 79). Wines4u; wines4u.com.br

BERTRAND AMBROISE CÔTE D’OR 2017 (BORGONHA, FRANÇA)

O Domaine  de Ambroise tem um catálogo bem provido de Crus do lugar, como Échezaux ou Clos Vougeot, mas conta também com exemplares sedutores na ala de entrada. Como, por exemplo, o Côte d´Or 2017,  delicado, elegante e ao mesmo tempo intenso e exuberante. Frutas como groselha e cereja aparecem junto a notas de canela, couro e tabaco, dando forma a um paladar multidimensional, encantador, com final deliciosamente persistente. (93/100, R$ 150). Cellar; cellar-af.com.br  

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