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Bourgogne desconhecida

Na região das denominações de origem, vinícolas menos renomadas brilham com diferentes vinhos e práticas sustentáveis

Fotos Divulgação/BIVB

Na Bourgogne, na França, os vinhos carregam identidade. Mas nem sempre fama. Muito além das glórias de Montrachet ou da reverência por Vosne-Romanée, há um mosaico de denominações menos renomadas que guardam o mesmo rigor, paixão e sentido de origem – e que merecem ser conhecidas.

A proposta é simples e ousada: convidar o mundo a enxergar a Bourgogne além do rótulo. Em vez de correr atrás dos ícones, mesmo que existam apenas alguns e seja muito difícil consegui-los, por que não se deixar surpreender por nomes como Vézelay, Givry, Irancy ou Saint-Bris? Cada uma dessas Denominações de Origem Controlada, as AOCs, esconde um universo próprio – e um convite à descoberta.

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Longe dos holofotes, esses vinhos revelam com nitidez o que faz da região um dos territórios mais emocionantes do mundo do vinho: a diversidade de terroirs, a conexão íntima com o solo e o savoir-faire construído ao longo de gerações. São vinhos que não dependem da fama para emocionar e que encontram, na delicadeza e na precisão, sua forma de grandeza.

Com 84 denominações oficiais, estando incluídas nessas 44 AOCs Villages, a Bourgogne é um mosaico de vinícolas em que cada detalhe importa. Os brancos, majoritariamente de Chardonnay, vão da tensão mineral de solos calcários ao volume untuoso de climas mais quentes. Nos tintos, o Pinot Noir domina com elegância, revelando nuances que variam de um vilarejo a outro – do frescor sutil ao caráter mais estruturado. Há espaço ainda para as brancas Aligoté e Sauvignon Blanc, assim como para a tinta Gamay, cultivada em Saint-Bris, mais para o norte da Bourgogne.

Além da diversidade, chama atenção o movimento crescente por práticas sustentáveis. Muitas propriedades estão convertidas à agricultura orgânica, outras adotam práticas inspiradas na biodinâmica ou modelos de vitifloresta, que integra videiras com outras árvores e plantas, promovendo um ecossistema mais equilibrado. A meta regional de neutralidade de carbono até 2035 também vem mobilizando produtores, que conciliam tradição com responsabilidade ambiental.

Embora a região represente apenas 0,5% da produção mundial, os vinhos nela produzidos entregam consistência, autenticidade e emoção em cada taça. Sua identidade não está na quantidade, mas na precisão. Cada parcela — ou Climat — é uma assinatura do solo, do clima e da mão que a cultiva.

“A emoção e o terroir não estão apenas nos nomes famosos. Estão na dedicação de cada produtor que decide extrair o melhor do seu solo, ano após ano”, resume Anne Moreau, presidente da Comissão de Comunicação do BIVB (Bureau Interprofessionnel des Vins de Bourgogne).

Para os curiosos, os ousados e os apaixonados por vinho, este é um território fértil. Cada garrafa guarda uma história. E cada gole, uma chance de sentir – de verdade – o que faz da Bourgogne uma das regiões mais fascinantes e singulares do mundo do vinho.

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