Caju Limão chega a São Paulo e transforma o chope cremoso de Brasília em aposta milionária
Boteco nascido na capital federal abre flagship no coração do Itaim e acelera plano para virar marca nacional
Em Brasília, o Caju Limão já tinha ultrapassado faz tempo a condição de “bar da moda”. Virou daqueles lugares onde sempre parece estar acontecendo alguma coisa: mesa cheia no meio da tarde, chope escorrendo sem parar, aniversários improvisados, grupos enormes dividindo petiscos e uma fila que muita gente encara quase como parte da experiência. Agora, o boteco que nasceu na capital federal desembarca em São Paulo disposto a testar um passo ainda maior: transformar um sucesso regional em marca nacional de peso.
A primeira unidade fora de Brasília acaba de abrir no Itaim Bibi, em um imóvel de 1.200 metros quadrados a poucos metros da Faria Lima, em uma região onde bares surgem e desaparecem com velocidade quase cruel. O Caju Limão chega apostando justamente no oposto da timidez: salão enorme, operação musculosa, cozinha parruda e ambição declarada de ocupar um espaço ainda meio vazio entre os botecos tradicionais e os restaurantes casuais de escala milionária.

Potencial de multiplicação
O tamanho da aposta aparece logo nos números. Foram R$ 40 milhões investidos na nova unidade, incluindo a compra do imóvel, além de um novo ciclo de expansão que ganhou combustível com a entrada de Afrânio Barreira na sociedade. O fundador do Coco Bambu enxergou no Caju Limão algo raro no mercado brasileiro: uma marca com personalidade própria, produto forte e potencial de multiplicação em larga escala. O plano prevê aporte de R$ 100 milhões para novas unidades nos próximos dois anos.
A casa paulistana funciona quase como uma vitrine do que o grupo imagina para o futuro. O projeto de Otavio de Sanctis aposta naquele clima de boteco expandido ao máximo: varanda retrátil integrada ao salão, muito espaço de circulação, mesas grandes e um segundo andar pensado para confraternizações, festas e encontros corporativos que inevitavelmente terminam em chope.

Repertório à mesa
Mas o que talvez explique melhor o fenômeno do Caju Limão é o fato de a casa nunca ter tratado comida como coadjuvante. Existe uma lógica de boteco, claro, mas ela vem atravessada por repertório técnico, boas matérias-primas e uma cozinha que flerta com a brasa sem cair no excesso de firula. Para a chegada a São Paulo, o menu ganhou 30 novas receitas e hoje soma 75 pratos.
A consultoria da chef Paula Labaki ajuda a entender essa direção. Conhecida pelo domínio das técnicas de fogo, ela trabalha ao lado de Douglas Benatti e Camila de Luccas em uma carta que vai da Pipoca de Coração, uma versão crocante de coração de frango em tempurá com molho tarê, até pratos mais robustos como a Barriga à Pururuca, o Chorizo Black com fritas e os Risoles de Rabada. Tem ainda uma ala inspirada na cozinha ibérica, em que aparecem polvo, camarões e arroz caldoso para compartilhar sem muita cerimônia.

Tudo parece desenhado para prolongar a mesa. O mesmo vale para o bar, onde o caju naturalmente domina boa parte da narrativa líquida da casa. A carta criada pelo mixologista Bruno Machado transforma a fruta em diferentes versões alcoólicas, incluindo a já famosa Caipi de Caju Limão, além de drinques como Cajuzinho e Caju Amigo. E, claro, há o chope cremoso, talvez o item que mais ajudou a transformar o bar em obsessão brasiliense.
Segundo Vinicius Telles, fundador da marca, São Paulo representa um novo grau de exigência para a operação, mas sem alterar a essência que fez o projeto crescer. A ideia continua sendo oferecer um boteco com cara de encontro, comida generosa e ritmo acelerado, só que agora em escala muito maior.
Caju Limão
Rua Pedroso Alvarenga, 1.111, Itaim Bibi, São Paulo
Aberto diariamente a partir das 11h30.
@botecocajulimao.sp



