Chef Malu Mello entra para o seleto grupo das dez melhores do mundo no Mondial de Fondue, na Suíça
Conquista da brasileira reforça a força dos queijos artesanais nacionais em um cenário de expansão e prestígio internacional
O fondue mais tradicional da Suíça ganhou um toque brasileiro na final do Mondial de Fondue, realizada neste sábado, na charmosa vila de Tartegnin. Entre chefs profissionais e amadores de vários países, a carioca destacou-se ao conquistar um lugar entre os dez melhores do planeta com uma interpretação autoral do prato, equilibrando técnica clássica suíça e ingredientes artesanais nacionais.
O reconhecimento chega em um momento de forte expansão do setor queijeiro no Brasil. Segundo a ABLV, o volume de leite destinado à produção de queijos cresceu 4% em 2024 — quase três vezes a média da última década. A Nielsen também aponta aumento de 15% em valor e 10% em volume no consumo nacional. No exterior, a reputação brasileira vive uma fase de ascensão: no Mondial du Fromage, na França, o país conquistou 58 medalhas, um recorde histórico.
Na competição suíça, a receita apresentada partiu de uma base clássica com 50% de Gruyère de 16 meses e avançou para um blend que uniu Vacherin e dois queijos artesanais brasileiros: o Lua Cheia, da Serra das Antas (RJ), e o Estela, raclette criada pela mineira Gabi Laporta. A combinação, desenvolvida ao longo de meses, conquistou o júri pela textura firme, fio contínuo e equilíbrio entre intensidade e delicadeza.

Outro detalhe marcante foi a substituição do tradicional kirsch por uma cachaça envelhecida da Serra Fluminense. A escolha, adotada ainda nos primeiros testes, reforçou o caráter brasileiro da receita sem comprometer a técnica clássica. O preparo também chamou atenção pela ausência de amido, princípio que a chef mantém como regra.
A edição premiou Benedikt Wüthrich (Auboranges FR) entre os profissionais e Frédéric e Lucie Gay (Thônex GE) entre os amadores. Durante três dias, Tartegnin — vila de apenas 249 habitantes — transformou-se na capital mundial do fondue, com degustações, apresentações culturais e atividades abertas ao público.
Aos 41 anos, nascida em Paty do Alferes e formada pela Escola Alain Ducasse, a chef comanda um bufê no Rio e trabalha diretamente com seis fazendas que fornecem os queijos de sua produção. Sua relação com o campo influenciou a escolha dos ingredientes usados na competição. Como gesto simbólico, escolheu um vinho local, Domaine de la Brazière, para harmonizar sua fondue na apresentação ao júri.
Com a conquista, Malu passa a ocupar posição de destaque no cenário internacional do fondue e reforça a presença do Brasil em uma pauta que só cresce: a dos queijos artesanais de identidade própria, capazes de dialogar com tradições centenárias sem perder o sotaque brasileiro.
@chefmalumello



