Sobremesas

Chocolate e morango: um casamento que a confeitaria tornou eterno

O encontro levou séculos para acontecer, virou símbolo de sedução, atravessou modas e excessos e continua encontrando novas formas de chegar à sobremesa

Chocolate e morango já passaram da fase de precisar provar alguma coisa. A dupla sobreviveu ao fondue, às fontes de chocolate, às caixas em formato de coração, aos jantares românticos e a toda sorte de sobremesa criada para terminar a noite com segundas intenções.

Já foi chique, cafona, infantil, sexy e voltou a ser chique. Poucos casais atravessam tantas fases sem pedir divórcio.

O mais curioso é que essa história de amor demorou bastante para começar. O cacau já circulava entre os povos da Mesoamérica muito antes de desembarcar na Europa no século XVI. O morango moderno chegou depois à festa. A fruta grande, carnuda e vermelha que conhecemos hoje descende do cruzamento, feito na Europa no século XVIII, entre espécies vindas das Américas.

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Antes de dividirem a mesma sobremesa, portanto, chocolate e morango precisaram cruzar oceanos, mudar de continente e esperar alguns séculos. Para um casal tratado hoje como óbvio, o primeiro encontro deu um certo trabalho.

Quando finalmente aconteceu, os dois já vinham acompanhados de reputação. O chocolate havia conquistado as cortes europeias e acumulado histórias sobre prazer, desejo e supostos poderes afrodisíacos, que sempre renderam muito mais conversa do que comprovação científica.

O morango não ficou muito atrás. Vermelho, perfumado, delicado e convenientemente fotogênico antes mesmo da existência da fotografia, também foi associado ao amor e à sensualidade. Digamos que nenhum dos dois chegou inocente à sobremesa.

O morango coberto de chocolate como conhecemos hoje aparece bem mais tarde. Uma das versões mais repetidas dessa história aponta para Chicago, nos anos 1960, quando Lorraine Lorusso teria mergulhado morangos frescos em chocolate em uma loja gourmet.

A autoria não é daquelas que se pode registrar em cartório gastronômico, mas a ideia é tão simples que quase parece inevitável. Em algum momento alguém precisaria olhar para um morango e concluir que faltava chocolate.

Nanica / Bombonoffee / Foto: Dari Luz

E funciona porque não há harmonia perfeita coisa nenhuma. Há atrito. O chocolate é gordura, intensidade, doçura e permanência. O morango entra com acidez, água, perfume e a capacidade de limpar o terreno para a próxima mordida. Um ocupa a boca, o outro abre espaço. É menos um casamento por afinidade do que uma excelente discussão.

Talvez por isso a confeitaria nunca consiga deixar o assunto quieto. A cada tanto alguém mexe nessa relação e encontra outro jeito de contar a mesma história.

Novidade em São Paulo

Agora é a vez do Nanica, que parte de uma lembrança bastante brasileira, o bombom de morango de vitrine de confeitaria, e o transforma em Bombonoffee.

A nova torta começa com uma massa de bolacha ao leite, recebe leite condensado cremoso e morangos frescos, depois ganha mousse de chocolate meio amargo da casa. Para fechar, uma casquinha fina de chocolate traz aquele pequeno estalo que muda tudo. É justamente aí que a receita fica interessante: em vez de simplesmente colocar morango e chocolate em uma torta, desmonta a lógica do bombom e a reconstrói em camadas.

Também ajuda o fato de o Nanica não ter descoberto o morango ontem. Há seis anos, a fruta aparece na Monoffee, sabor permanente e um dos mais vendidos da marca, e já ganhou companhia de Nutella na Moranlove, criada para o Dia dos Namorados. A Bombonoffee chega agora aproveitando a temporada da fruta e fica no cardápio até 15 de novembro ou enquanto durarem os estoques.

Bombonoffee, Nanica
Até 15 de novembro ou enquanto durarem os estoques
Fatia: R$ 29
Torta média: R$ 155
Torta grande: R$ 270
Disponível nas lojas físicas e no delivery pelo iFood e 99Food
@nanicabrasil

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