Vinhos

Ciência, sustentabilidade e inovação no centro do debate sobre o vinho

Segunda edição do EnoMeeting reuniu especialistas de nove países em Bento Gonçalves para discutir os desafios e as transformações da vitivinicultura mundial

Durante os dias 27, 28 e 29 de agosto, Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, tornou-se ponto de encontro para profissionais, pesquisadores e especialistas da vitivinicultura mundial. A segunda edição do EnoMeeting, organizada por Edegar Scortegna e André Mallmann, sócios da Escola Conceptwine, reuniu grandes nomes da enologia de nove países para discutir sustentabilidade, mercados, comportamento dos consumidores e os desafios que se apresentam para o setor.
Entre os destaques do encontro esteve a presença de Yvette van der Merwe, presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), que apresentou um panorama da vitivinicultura mundial e compartilhou as perspectivas da entidade para o futuro do setor.

Ao longo do congresso, foram mais de 18 horas de masterclasses, palestras e degustações de vinhos brasileiros e internacionais levados pelos próprios participantes. Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, África do Sul, Portugal, Espanha e França estiveram representados na programação.

Ciência a serviço da vitivinicultura

Edegar Scortegagna e André Mallmann / Foto: Lucas Jaques

A ciência e a inovação ocuparam lugar de destaque nos debates. Temas como viticultura sustentável, uso de produtos de menor impacto ambiental, mudanças climáticas e a crescente ocorrência de eventos extremos foram abordados por Adelino Cargnin, da Embrapa Uva e Vinho; Isabela Peregrino, da Vitácea Enológica; e Marcos Gabbardo, da Unipampa.
Também estiveram em pauta as pesquisas para o desenvolvimento de variedades mais resistentes, como as uvas Piwi, a enologia de correção no Sudeste brasileiro e o uso de madeiras nacionais na elaboração de vinhos.

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Do Chile, Mário Geisse, da Família Geisse, e Fernando Cordova, da Universidade de Talca, compartilharam conhecimentos sobre a busca e a determinação de terroirs e sobre biotecnologia aplicada à vitivinicultura.

Representando a Espanha, Juan Carlos Sancha, da Universidade de La Rioja, apresentou estudos recentes relacionados à viticultura ecológica e aos vinhos naturais. De Portugal, Pedro Felix, da Amorim Cork, mostrou tecnologias avançadas utilizadas na produção de rolhas naturais, incluindo a tecnologia supercrítica.

O uruguaio Francisco Carrau, da Bodega Cerro Chapéu, e o argentino Daniel Bergamin, do Vivero Mercier Argentina, trouxeram para o debate as novidades relacionadas às leveduras naturais, cada vez mais importantes diante dos novos desafios da viticultura.

A tecnologia também esteve presente na programação. Mathieu Basquiat, da Parsec, apresentou os avanços da enologia de precisão e o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio ao gerenciamento de processos.

As perspectivas da OIV

EnoMeeting 2026 / Foto: Lucas Jaques

À frente da OIV, Yvette van der Merwe destacou a dimensão e a representatividade da entidade, dedicada exclusivamente à vinha e ao vinho. Atualmente, são 51 países membros, que correspondem a cerca de 85% da superfície mundial de vinhedos e representam aproximadamente 90% da produção global de vinho.

Em sua apresentação, a presidente abordou conceitos como resiliência, investimento estratégico, redução do impacto ambiental e, principalmente, a necessidade de compreender e acompanhar as demandas de um consumidor em constante transformação.

Van der Merwe também apresentou dados sobre o cenário atual da vitivinicultura mundial e destacou o crescente interesse internacional pelo mercado brasileiro, que vem apresentando avanços tanto na produção quanto no consumo de vinho.
Mais do que números e tendências, a presidente ressaltou a importância econômica, cultural e social da atividade. Para ela, o vinho deve ser reconhecido como um produto ligado à origem, à cultura e à identidade dos povos — capaz de conectar pessoas, gerar empregos e promover encontros e relações humanas.

Ao reunir conhecimento científico, experiência de mercado e diferentes visões sobre o futuro do vinho, o EnoMeeting deixou uma mensagem clara: diante das transformações climáticas, tecnológicas e comportamentais que desafiam a vitivinicultura, ciência, cooperação e sustentabilidade serão fundamentais para o futuro da enologia mundial.

Por Flávia Maia (@degustandocomflaviamaia)

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