Sem categoria

Os universos distintos de LOUIS XIII e Rémy Martin XO

Com propostas distintas, os rótulos da maison Rémy Martin se destacam por sua complexidade

No frio, nem só de lareira se faz o aconchego. Há bebidas que aquecem de outro modo — pela densidade do tempo que carregam, pela riqueza de aromas, ou pela forma como desafiam o paladar a ir além do óbvio. É o caso dos cognacs LOUIS XIII e Rémy Martin XO, dois ícones da tradicional maison Rémy Martin, produzidos na região francesa que dá nome à bebida.

O LOUIS XIII é, em muitos sentidos, um monumento líquido. Criado em 1874, ele é feito exclusivamente com eaux-de-vie da sub-região de Grande Champagne, considerada o terroir mais nobre da denominação Cognac. Cada gota envelhece por décadas — algumas por quase cem anos — em barris chamados *tierçons*, esculpidos a partir de carvalhos centenários e usados exclusivamente para ele. O resultado é engarrafado em decanters de cristal feitos à mão, cuja forma remete a um frasco de metal encontrado por soldados franceses após a Batalha de Jarnac, no século XVI. Desde então, o recipiente tornou-se um dos símbolos mais reconhecíveis da alta destilação.

O ritual de consumo acompanha a aura solene da bebida: a sugestão é servi-la em taças Baccarat, à temperatura ambiente, em silêncio — literalmente. O gesto busca aguçar a percepção dos sentidos, permitindo que o cognac revele lentamente suas camadas: tabaco, fruta seca, jasmim, madeira antiga, trufas, couro e notas quase minerais. Um dos aspectos mais singulares? O retrogosto pode durar mais de uma hora.

Continua após o anúncio
Rémy Martin XO Opulence / Foto: divulgação

Do outro lado da mesa, o Rémy Martin XO adota uma abordagem mais festiva. Lançado em 1981 por André Giraud, ex-master blender da casa, o XO (sigla para “Extra Old”) reúne mais de 400 eaux-de-vie das regiões de Grande e Petite Champagne, com idades que variam de 10 a 37 anos. Seu perfil é voluptuoso, com notas de figo seco, canela, casca de laranja cristalizada e madeiras nobres — uma combinação que permite ousar nas harmonizações.

Foi dessa ideia que nasceu o “Opulence to Your Table”, ritual proposto pela marca para convidar chefs e consumidores a explorar novos pares: macarons, frutas frescas, queijos curados, especiarias e flores podem acompanhar o XO, transformando a degustação em uma experiência quase cenográfica. Entre os pares sugeridos estão queijo manchego, jasmim, uvas brancas e até chocolate com flor de sal.

Ambos os rótulos são parte do portfólio do grupo Rémy Cointreau, que surgiu da fusão entre as casas Rémy Martin e Cointreau em 1990, mas cujas origens remontam a 1724. O grupo também é responsável por marcas como o rum Mount Gay, os uísques Bruichladdich e Port Charlotte e o próprio licor Cointreau — e mantém como filosofia o cuidado artesanal, o respeito à origem e a busca por identidade em cada garrafa.

 

Mostrar mais

Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo