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Conheça as variedades de azeitonas brasileiras

Surgem as primeiras olivas nacionais, desenvolvidas pelos experts da Epamig e que dão origem a excelentes azeites

O Brasil é um crescente e importante mercado de consumo de azeitonas e azeites no mundo. Importamos 80.000 toneladas de azeite de oliva e 110.000 toneladas de azeitona de mesa (como são nomeadas pelos órgãos do setor na venda da azeitona em conserva) em 2019. Esses dados, portanto, nos colocam como o segundo maior importador de azeites e azeitonas do mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos.

O COI, organismo oficial mundial do azeite, estabelece as normas e é o responsável por divulgar dados estatísticos sobre a produção mundial. Segundo ele, portanto, os principais fornecedores no Brasil de azeitona de mesa em 2019 foram: Argentina  com 58,7% do mercado; Egito com 29,5%; Peru com 7,4%  e Espanha com 6,1%. Os países mediterrâneos Albânia e Síria lideram o consumo mundial de azeitona de mesa per capita, com o consumo em média de 10 quilos por pessoa ao ano. Enquanto a Argélia, com o consumo de 7 quilos per capita é o terceiro maior consumidor, seguida do Egito e da Turquia, que consomem 4 quilos per capita. Em comparação, os Estados Unidos consomem 0,6 quilo e no Brasil consumimos 0,4 quilo per capita ao ano.

O cultivo de oliveiras no Brasil

Desde a década de 1960, porém, há relatos de plantio de mais de 40 variedades de oliveiras no Brasil. Estados como o de Amazonas, Maranhão e Pernambuco já tiveram oliveiras plantadas, porém, atualmente, concentram-se os plantios nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, bem como na Região Sul do Brasil, no Paraná, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, este último sendo o maior produtor de azeitonas no Brasil, com mais de 1.500 hectares plantados.

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Localizada na região da cidade de Maria da Fé, no sul de Minas Gerais, a Epamig, centro de tecnologia do governo de Minas Gerais, desde sua fundação em 1974, pesquisa a cultura da oliveira no Brasil. Portanto, um importante banco de germoplasma nacional foi formado. E, atualmente, são oito os cultivares já protegidos e quatro em processo de proteção. Sim, temos variedades de azeitonas brasileiras para a produção de azeitona de mesa e de azeite.

Durante a colheita da safra deste ano, em minha visita ao laboratório da Epamig, em Maria da Fé, pude conhecer a variedade brasileira MGS Neblina, recém-colhida. Além disso, recebi para degustar o único vidro do azeite extraído produzido dessa variedade brasileiríssima em 2020.

Os poucos quilos de frutos colhidos estavam machucados e isso fez com que o azeite não estivesse em seu esplendor de aroma e sabor. Contudo, o que era para ser uma desilusão, transformou-se em alegria e orgulho em ter tido a experiência de provar um azeite produzido com uma variedade nacional, resultado de anos de estudos dos pesquisadores da Epamig.

O azeite da variedade brasileira MGS Neblina mesmo tendo defeitos sensoriais, ostenta sua intensidade herbácea, com amargor e picância elevada e evolutiva em boca, sendo portanto, muito similar à Grappollo 541, uma das variedades nacionais que mais aprecio.

Sobre as pesquisas com azeitonas brasileiras

Nessa visita, o coordenador de pesquisa Luiz Fernando de Oliveira da Silva, da Epamig de Maria da Fé, me contou um pouco sobre o trabalho de pesquisa das azeitonas brasileiras. “O objetivo com a seleção de novos cultivares a partir de hibridizações espontâneas é o de eleger cultivares mais adaptados às nossas condições agrícolas, bem como edafoclimáticas e/ou com determinadas características que sejam de interesse para o produtor rural. No início dos trabalhos de avaliação do material genético, priorizou-se a seleção de cultivares que apresentassem significativa produção de frutos na época da colheita. Além disso, era prioridade aqueles com alta concentração de azeite e frutos maiores para ser comercializados como azeitonas de mesa”.

Entre os materiais catalogados, algumas particularidades de nossas variedades nacionais são encontradas quando comparada às importadas.  “Por exemplo, a MGS Grap 556 apresenta menor produtividade. Porém seus frutos de grandes proporções são semelhantes aos de uma Gordal espanhola de Sevilla. A MGS Mariense, por outro lado, apresenta baixa relação polpa-caroço e alto rendimento de azeite. Além disso seu azeite tem notas sensoriais mais frutadas durante a extração.”, comenta o pesquisador Luiz Fernando, que dá sequência ao trabalho de dr. Washington Alvarenga Viglione, dr. Adelson Francisco de Oliveira, Joaquim Gonçalves de Pádua, João Vieira Neto e Carolina Ruiz Zambon de avaliação e seleção dos frutos junto aos pesquisadores Pedro Henrique Moura Abreu e Emerson Dias Gonçalves, na Epamig.

O plantio de oliveiras é um plano de negócios para longos anos, de pai para filho, de filho para neto e de neto para bisneto. Um cultivar que requer paciência. Por ser um país tropical, a oliveira se comporta de maneira diferente do restante dos olivais no mundo. No Brasil ainda possuímos poucos olivicultores com produção em larga escala, porém, temos como destaque a qualidade do produto. Resta ao consumidor conhecer e valorizar nossas variedades brasileiras de azeitonas existentes, e os azeites produzidos a partir delas.

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