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Consumidores querem qualidade

Esta é uma das tendências descortinadas pelo avanço do consumo de vinhos no Brasil – e que traz junto um oceano de oportunidades

Por Andreia Gentilini Milan

O número de apreciadores de vinhos no Brasil cresceu de 22 milhões, em 2010, para 39 milhões, em 2020, segundo dados da Wine Inteligence. Ou seja, foram cerca de 17 milhões de novos consumidores que passaram a degustar a bebida com mais regularidade. O fato revela que o mercado brasileiro de vinho não está maduro, pois ainda há muito a ser desenvolvido e, nele, um grande oceano de oportunidades. A base de consumidores regulares de vinho chegou a 51 milhões de brasileiros no ano de 2021. Isso significa que 36% da população adulta provam vinho ao menos uma vez por mês. O fato demonstra que estamos conseguindo, aqui, algo que muitos países ainda não conseguem: incrementar uma grande base de novos consumidores de vinhos. Além daquela pessoa que já tinha o hábito, esses neófitos começaram a buscar alternativas. Tivemos a grande chance de que os brasileiros fizessem as pazes com o vinho nacional – e precisou que surgisse uma pandemia para que isso se tornasse realidade. Segundo projeções da Wine Inteligence, os famosos 2,7 litros per capita consumidos em 2020 poderão, dentro de cinco anos, alcançar o patamar de até 3,3 litros.

Os vinhos nacionais seguem conquistando espaço. O consumo do vinho fino aumentou 85% entre o primeiro trimestre de 2017 e o primeiro trimestre de 2022. No mesmo período, o rosé multiplicou por sete sua participação, sendo que avançou 22%, do ano que passou para este ano. Os espumantes também fazem parte dessa festa. Com o retorno dos eventos – principalmente os casamentos (cerca de 500.000 não foram realizados entre 2020 e 2021, segundo o IBGE) –, as borbulhas garantiram 42% de crescimento e o Moscatel 12%. Nesse contexto, descortino algumas tendências que deverão acontecer no decorrer deste ano.

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Sob controle

A informação está na palma da mão. Por essa razão, os consumidores querem cada vez mais fichas técnicas, informações, experiências, vídeos. Tudo é muito importante para que eles consigam entender um rótulo. Rastreabilidade dos produtos também já é obrigatória por lei, e o jovem se importa com essas questões. O grande marketing de uma garrafa de vinho é o rótulo e o contrarrótulo, que caibam, inclusive, no espaço delimitado pelo Instagram. Também valem dicas de harmonização – não como já vi certa vez em um supermercado, uma sugestão de caviar com um vinho de 20 reais. E sabemos que no Brasil comemos pizza, massa, carne etc. Sim, pequenos detalhes podem fazer toda a diferença.

Ética e meio ambiente

Os consumidores querem medir os impactos para o meio ambiente e que as empresas façam a coisa certa quando se tratar de vinho. A sustentabilidade tem sido uma grande preocupação de todos e precisa estar na pauta dos gestores. O vinho global levará a sério o “peso leve” ao reduzir o peso da embalagem de vidro (redução da emissão de carbono na produção). O mercado inglês trata o assunto com muita seriedade. O luxo terá de mostrar que é sustentável para consumidores mais jovens, pois eles querem comprar de empresas que se preocupam com o meio ambiente e com as comunidades.

Low-cost no carrinho

O brasileiro tem deixado o produto premium na gôndola e coloca o low-cost no carrinho. Os produtos mais consumidos são – e continuarão sendo – os de baixo custo (20,8%), enquanto 51,9% é o consumo de marcas intermediárias e 27,3% é o índice que resta ao premium. E algo importante: a cada dez garrafas de vinho consumidas hoje, nada menos que três são vendidas em supermercado. Por tudo isso, tenha atenção ao sortimento. É preciso entender o que o cliente quer e se você está com os produtos certos para ele. Se ele for a sua loja e encontrar algo diferente da expectativa, poderá facilmente recorrer ao seu concorrente on-line. Exemplo recente disso é a Casas Bahia vendendo vinho, algo que a Via Varejo anunciou ter como meta a ser estabelecida ainda neste ano.

Menos é mais

Os consumidores de vinho estão diminuindo em volume e buscando qualidade. Uma legião de pessoas está entrando no mundo dos vinhos, sabe do que gosta e compartilha experiências. Logo, qualquer vinho não serve. Você precisa estar atento, para vender a segunda garrafa. Vinhos em formato portátil, ready to drink, em lata, dose única e com baixo teor alcoólico também são outras tendências que se consolidarão.

Afinal, para onde vai o mercado?

A busca por vinhos de primeiro preço (até R$ 30) continuará. Os consumidores estarão abertos para experimentar novos produtos, desde que mantenham o mesmo valor desembolsado, especialmente até 50 reais. Tendo em vista o atual cenário econômico brasileiro, haverá, com certeza, migração de marcas (especialmente os importados). Os vinhos seguirão ganhando share com alta percepção de qualidade junto aos consumidores. O grande desafio deste ano será para o vinho de mesa de até 15 reais. Com tudo isso, podemos esperar margens menores. Será preciso lutar para manter o consumidor e conseguir bons indicadores. Quem lida com o mercado de vinhos precisará usar a criatividade, tentar ter iniciativas novas com cada vez mais ofertas e, claro, utilizar o e-commerce – e a criatividade – como nunca.

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Lançada em 2003, a proposta da revista é saciar o apetite de todos os leitores que gostam de cozinhar, viajar e conhecer os segredos dos bons vinhos e de outras bebidas antecipando tendências e mostrando as novidades desse delicioso universo.

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