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Comida nortenha, típica do norte do Peru em plena Lima

Em Lima, a capital gastronômica da América Latina, novos restaurantes abrem com certa frequência, ampliando as opções de lugares para se conhecer e experimentar diferentes estilos e propostas

Por Giu Rovai, de Lima (@giurovai)

O restaurante Alegría Picantería Piurana se encaixa na mais recente onda de novidades e merece uma visita — ou inclusão na sua lista de bons lugares para explorar durante uma viagem à capital peruana e provar pratos que vão além dos tradicionais ceviche e lomo saltado.

Aberto há um ano, no bairro de Miraflores, o restaurante funciona como uma “embaixada” da comida norteña, como é chamada a culinária das regiões ao norte do país, incluindo Piura, cidade da costa amplamente servida pela riqueza marinha do Pacífico. Mas não só. Pratos como seco de cabrito a la norteña e arroz con pato, típicos dessa parte do Peru, também estão presentes no cardápio.

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Conchas / Foto: divulgação

As opções, embora façam jus às suas raízes e mantenham entradas e pratos clássicos — como diz o próprio cardápio —, permitem algumas “licenças criativas”, o que torna o local ainda mais interessante. Na seção “Al ritmo de la leña”, os pratos são preparados na brasa de lenha de algarrobo, árvore típica da região e origem da algarrobina, fruta usada em coquetéis e sobremesas.

Ao sentar-se à mesa, espere por chifles (chips de banana) e um shot de leche de tigre caliente. As boas-vindas servem para abrir o apetite e dar tempo para escolher com calma a refeição. Na minha visita, comecei pelas conchas (vieiras, em português), preparadas na brasa e banhadas em um molho feito com ají amarillo — o tempero peruano por excelência — e chicha de jora, fermentado à base de milho muito usado na culinária do norte. As vieiras vieram carnudas e de sabor picante. Ainda que o prato tenha intensidade marcante, é uma boa opção para os já iniciados na gastronomia peruana ou para quem não teme um certo ardor.

Polvo / Foto: divulgação

Na sequência, o prato principal: polvo, também preparado à lenha, acompanhado de um purê rústico de mandioca — conhecida localmente como yuca. A textura e os temperos fazem toda a diferença nesse acompanhamento aparentemente trivial. A mandioca é temperada com leche de tigre, chicha de jora, ají e zarandaja, uma espécie de feijão branco consumido nessa região e que substitui o milho peruano (choclo) nos ceviches norteños.

Para contrastar com os sabores fortes, arrisquei uma bebida não alcoólica e tradicional do norte: a cebada. Refrescante, é preparada com grãos de cevada tostados, fervidos com cravo, canela, casca e polpa ralada de abacaxi.

Para finalizar — e seguir conhecendo as tradições norteñas sem sair de Lima —, a sobremesa não poderia ser mais típica: quesillo con miel de chancaca. Traduzindo: queijo fresco em cubinhos, mergulhado em mel de rapadura morno.

 

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