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Cowley Manor: um banquete no país das maravilhas

Instalado na região dos Cotswolds, uma das mais charmosas da Inglaterra, o Hotel Cowley Manor ocupa uma propriedade do século XIX com jardins extensos, estrutura robusta e uma proposta atualizada de hospitalidade. Mais do que revisitar o passado rural inglês, opera em sintonia com um público que valoriza boa arquitetura, gastronomia, estética e certo distanciamento da teatralidade associada a muitos hotéis históricos.

Adquirido e transformado pelo Experimental Group — grupo francês responsável também por endereços como o Henrietta Hotel, em Londres —, o Cowley Manor ganhou nova identidade visual e operacional. A rede é responsável por diversos hotéis e bares na Europa. O endereço londrino — também com menu assinado por Jackson Boxer —, é uma versão urbana da mesma proposta: design de interiores marcante, foco em coquetelaria e gastronomia e uma operação enxuta, voltada a um público exigente, mas que rejeita formalidades desnecessárias.

A presença de Boxer nos dois projetos cria um elo de qualidade e consistência. No Henrietta, o restaurante opera em sintonia com a cena londrina, servindo pratos criativos em ambiente de design setentista. No Cowley, a mesma visão ganha mais espaço e uma ligação mais próxima com o campo. Sem abrir mão da história da história e arquitetura imponente do edifício, o grupo reformulou a experiência com foco em design, serviço e gastronomia contemporânea. A cozinha, comandada pelo chef britânico, é um dos principais ativos da casa.

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A proposta gastronômica do restaurante do Cowley é um exemplo claro de como o hotel se posiciona. Boxer, desenvolveu um cardápio com forte ênfase na produção local e sazonalidade, usando ingredientes frescos de pequenos produtores da região. O resultado é uma cozinha autoral, com atenção à técnica e à composição dos pratos. A abordagem garantiu a eles a “Chave Michelin”, voltada a estabelecimentos com excelência geral em hospedagem, não apenas à cozinha.

Os menus são ajustados com frequência, de acordo com a disponibilidade dos ingredientes. Pratos como cordeiro dos arredores grelhado com hortaliças do próprio jardim, ou vieiras em manteiga noisette com ruibarbo, ilustram bem o equilíbrio entre técnica e rusticidade. A carta de vinhos acompanha a filosofia, com seleções de rótulos de pequenos produtores europeus, muitos com práticas naturais ou biodinâmicas.

A paisagem típica da região — vales, gramados densos, bosques e pequenos lagos — se impõe sem esforço. Além, é claro, do rigoroso cuidado com o belíssimo e extenso jardim da propriedade. Mas o grupo soube evitar o caminho fácil da nostalgia. A reforma preservou as linhas originais da mansão,
mas adotou mobiliário contemporâneo, iluminação suave e obras de arte modernas no interior.

São 31 quartos e suítes, cada um com composição diferente. Banheiros amplos, camas largas e janelas que enquadram os jardins fazem parte da equação. Em vez de exageros decorativos ou ambientações temáticas, o Cowley opta por um desenho mais limpo e funcional, sem perder sofisticação.

Embora mantenha o tradicional chá da tarde — hábito enraizado na cultura britânica —, o Cowley o faz de maneira alinhada à identidade do hotel: menos protocolar, mais informal e com toques discretos de design. A apresentação é cuidadosa. A louça com utilizada, incluindo uma em formato de coelho, traz
referências à obra Alice no País das Maravilhas, cuja narrativa, segundo estudiosos, teria sido inspirada nos jardins da propriedade.

Entre bolos, scones, compotas e sanduíches, o destaque está na qualidade dos ingredientes e no ambiente. Dependendo do clima, o serviço pode ser feito ao ar livre, o que amplia a experiência para além da mesa e faz-nos sentir dentro da história de Alice.

O Cowley conta ainda com Spa com piscinas internas e externas, sauna, salas de tratamento e uma pequena área de ginástica. Diferente de muitos hotéis campestres, não promete experiências transcendentes de reconexão ou retiros espirituais. A proposta por lá é conforto, privacidade e um ritmo mais desacelerado.

Eles se destacam por evitar exageros. Seu luxo está na combinação precisa entre lugar, arquitetura e operação bem pensada. Para quem parte de Londres, a viagem até os Cotswolds leva cerca de duas horas. O deslocamento vale especialmente para quem busca uma pausa urbana. Uma experiência inesquecível, no “país das maravilhas” pelo interior da Inglaterra.

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