De Avaré para o mundo: aos 24 anos, Ana Flávia mira uma vaga na final mundial da S.Pellegrino
Única brasileira entre os 15 finalistas da América Latina e do Caribe, jovem chef do Broca transforma uma carreira de apenas quatro anos em passaporte para a disputa no Panamá, acompanhada de perto pela mentora Mirela Lancelotti
Quatro anos podem parecer pouco para quem escolheu a cozinha como profissão. Para Ana Flávia Batista Graciolli, foram suficientes para sair de Avaré, no interior paulista, passar por cozinhas importantes e chegar, aos 24 anos, à porta de uma final mundial. Ela é a única brasileira entre os 15 jovens chefs escolhidos para a etapa da América Latina e do Caribe da S.Pellegrino Young Chef Academy Competition 2026-2027, marcada para 29 de setembro, no Panamá.
O currículo ainda cabe em poucas linhas, mas os endereços ajudam a contar a história. Formada pelo Centro Universitário Senac Águas de São Pedro, Ana Flávia trabalhou durante dois anos no Grande Hotel Senac, uma das tradicionais escolas práticas de formação de cozinheiros no país. Depois veio São Paulo e uma passagem pelo Nelita, onde circulou pela produção, pelo garde manger e pela confeitaria. Hoje, integra a equipe do Broca.

É justamente no Broca que sua caminhada até o Panamá ganhou uma parceira importante. Mirela Lancelotti, que trabalha ao lado de Ana Flávia no restaurante, assumiu o papel de mentora e acompanha a preparação da jovem chef para a competição. Entre testes, ajustes e conversas, as duas trabalham para transformar repertório pessoal em um prato capaz de funcionar diante de um júri internacional. Mais do que acertar ponto, textura ou apresentação, a tarefa é fazer com que a receita tenha identidade.
E Ana Flávia decidiu procurar essa identidade bem antes de sua primeira cozinha profissional. Seu prato autoral nasce das lembranças da infância e, principalmente, da relação com a avó, também cozinheira. É uma memória doméstica que agora atravessa fronteiras e chega a uma competição internacional. A cozinha que começou como afeto ganha técnica, repertório e uma leitura própria depois das experiências acumuladas nos últimos quatro anos.
A trajetória coloca Ana Flávia em uma geração de cozinheiros brasileiros que começa a circular cada vez mais cedo por restaurantes de perfis distintos, acumula experiências em diferentes praças e encontra nas competições internacionais uma vitrine que antes costumava aparecer mais tarde na carreira. No caso dela, tudo acontece antes dos 25 anos.

No Panamá, a brasileira estará diante de outros 14 jovens talentos vindos de México, El Salvador, Colômbia, Chile, Peru, Costa Rica, Argentina e do próprio país anfitrião. Todos foram selecionados após avaliação da ALMA, Escola Internacional de Cozinha Italiana, que considera domínio técnico, criatividade e a capacidade de expressar uma visão pessoal sobre a gastronomia.
No dia 29 de setembro, chega a hora de colocar tudo isso no prato. A avaliação ficará nas mãos de Marsia Taha Mohamed, da Bolívia; Luiz Filipe Souza, do Brasil; Jaime David Rodríguez Camacho, da Colômbia; Jaime Pesaque, do Peru; e Alejandra Navarro, do México. O vencedor da etapa regional conquista uma vaga para representar a América Latina e o Caribe na Grande Final da S.Pellegrino Young Chef Academy, em Milão, em 2027.



