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Dolci Pavè transforma o doce mais familiar do Brasil em estrela de confeitaria

Com cozinha à vista, receitas autorais e atmosfera de casa, a confeitaria paulistana reposiciona o pavê como experiência afetiva e contemporânea

Há doces que dispensam apresentação. O pavê é um deles. Basta surgir à mesa para acionar memórias, piadas recorrentes e aquela expectativa silenciosa de quem já sabe que vem algo bom. Tão presente nas reuniões de família quanto ausente das vitrines profissionais, o pavê sempre viveu mais no afeto do que no mercado. A Dolci Pavè Pasticceria nasce justamente desse paradoxo e o resolve com delicadeza, técnica e uma boa dose de bossa, ao transformar o clássico doméstico em protagonista de confeitaria, na Vila Clementino.

Instalada em um imóvel gracioso na Rua Napoleão de Barros, a casa assume desde a entrada um gesto de aproximação. A cozinha aberta à clientela não é mero detalhe estético, mas parte do discurso. Ali, o preparo acontece à vista, como nas casas onde as melhores receitas são feitas sem segredo e com tempo. O resultado é uma atmosfera que convida à permanência e desperta curiosidade antes mesmo da primeira colherada.

Dolci Pavè / Foto: divulgação

Embora tenha se popularizado no Brasil como um doce de improviso criativo, o pavê tem origem europeia. O nome vem do francês pavé, referência às camadas geométricas que estruturam a sobremesa. Ao atravessar fronteiras, ganhou novas leituras, ingredientes locais e uma identidade própria, até se tornar esse símbolo afetivo tão brasileiro. A Dolci Pavè parte dessa herança para oferecer uma leitura contemporânea, inspirada na confeitaria italiana, com uma base cuidadosamente guardada a sete chaves. O único segredo revelado é o creme de leite, preparado fora do fogo, que sustenta a leveza das receitas.

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Dolci Pavè / Foto: divulgação

A ideia ganhou forma pelas mãos de Eduardo Cruz e Daniela De Pieri, sócios e idealizadores do negócio. A constatação era simples: o pavê estava em todas as casas, mas em quase nenhuma confeitaria. O ponto de virada veio com o pavê de chocolate, hoje emblemático da casa, seguido pelas versões de banana e paçoca, rapidamente eleitas entre as preferidas do público. A vitrine se amplia com sabores como abacaxi, caramelo salgado, coco, frutas vermelhas, morango, maracujá, nozes, nutella, pêssego, limão e uva verde, além de quatro opções zero açúcar nos sabores chocolate, banana, morango e nozes com doce de leite.

As porções individuais, com cerca de 150 gramas, são servidas em acetato e custam entre R$ 19,90 e R$ 22,90. Para compartilhar, há versões de 600 gramas e 1 quilo, mantidas em expositor refrigerado, que atendem de quatro a oito pessoas. A produção é diária e respeita o tempo do doce: ao menos quatro horas de descanso na geladeira para atingir a textura ideal. Nos dias mais movimentados, a casa ultrapassa a marca de cem unidades vendidas, reflexo de uma demanda que mistura curiosidade e memória afetiva.

Dolci Pavè / Pavè de Chocolate / Foto: divulgação

A Dolci Pavè não se limita ao pavê, embora ele seja o fio condutor de toda a narrativa. O cardápio inclui bolos confeitados em nove versões, com destaque para pistache, red velvet e o clássico floresta negra, além de um tiramisù fiel à receita italiana, leve e equilibrado. Sequilhos, casadinhos e brigadeiros aparecem em versões refinadas, como chocolate setenta por cento e caramelo com flor de sal. Para acompanhar, um expresso bem tirado encerra a experiência com precisão.

A história da confeitaria é tão íntima quanto o doce que a inspira. Tudo começou com o pavê de chocolate da tia Lucila, presença aguardada em todas as festas de família. Anos depois, Eduardo herdou a receita e, em 2024, apresentou uma releitura com paçoca que conquistou elogios imediatos. Vieram os testes, os novos sabores e a certeza de que ali havia mais do que uma sobremesa: havia um conceito. Em menos de um ano, a ideia se transformou em negócio e encontrou seu endereço definitivo.

Dolci Pavè / Pavè de Abacaxi / Foto: divulgação

Os sócios se definem como pavezeiros, e não por acaso. A escolha pela cozinha aparente reforça a noção de que o doce nasce do processo, do tempo e da troca. O espaço compacto, com cerca de sessenta metros quadrados, decorado em verde colegial por dentro e por fora, acomoda vinte e cinco pessoas entre área interna e externa e ainda é pet friendly. Tudo ali parece pensado para que o pavê deixe de ser apenas lembrança e passe a ser experiência.

@dolcipave

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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