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Sem álcool, com sabor

De bares especializados a marcas de bebidas prontas, a busca por coquetéis complexos é a regra, não a exceção

No começo, era suco. Dava vergonha de pedir. Parecia um improviso do bar e uma peculiaridade chata do cliente. Isso ficou no passado. Nenhum bar de alta coquetelaria no mundo abre mão de ter mocktails em sua carta – e não qualquer misturinha zero álcool. Bartenders têm aplicado as mais variadas técnicas para entregar um produto com textura e profundidade similares às de seus pares etílicos.

Hoje, é praticamente impossível “adivinhar” que um drinque é sem álcool só de olhar. Às vezes, nem depois do primeiro gole a diferença do “sem” para o “com” fica muito evidente. Portanto, os mocktails já são uma realidade. Agora, a tendência é que eles ganhem cada vez mais protagonismo e deixem de ser uma subdivisão dentro dos menus – que deixem de ser um nicho no mundo da coquetelaria.

Thiago Bañares, diretor criativo do grupo Tan Tan / Foto: Divulgação
Thiago Bañares, diretor criativo do grupo Tan Tan / Foto: Divulgação

O bar mais premiado e reconhecido internacionalmente do Brasil já faz isso. O Tan Tan, na capital paulista, inclui seus coquetéis sem álcool no meio da carta de drinques. “Coquetel sem álcool não é cota. Acho que a distinção gera um lugar de rejeição. Colocar em uma subcategoria afasta o cliente. O drinque sem álcool está na carta para todos, até para quem consome álcool”, diz Thiago Bañares, diretor criativo do grupo.

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Além de se enturmarem com os outros drinques, os sem álcool devem ganhar ainda mais protagonismo, com a criação de bares em que o foco está justamente nesses produtos. Modelos como o do bar Setim devem ser reproduzidos pelo país. Localizado em São Paulo, o espaço tem como principal proposta oferecer coquetéis zero álcool ou com baixo teor alcoólico. “As pessoas se surpreendem com a complexidade que nossos drinques sem álcool entregam”, diz Amanda Socha, fundadora do empreendimento.

Além dos autorais, a casa ainda trabalha com coquetéis reversíveis – receitas clássicas que são reinterpretadas sem a presença de álcool. Aliás, algumas cartas autorais em São Paulo já trabalham com criações reversíveis (uma tendência que deve se espalhar rapidamente).

Pronto pra beber

O mundo dos sem álcool também está criando um caminho de sucesso no universo dos RTDs (Ready To Drink) – o termo refere-se a bebidas alcoólicas ou não alcoólicas que já vêm misturadas, preparadas e prontas para beber. Neste momento, estamos diante de, ao menos, dois casos de sucesso comercial que devem abrir outras portas: Lucia e Yuna. 

A Lucia é um aperitivo não alcoólico e funcional composto por jambu, cupuaçu, gengibre, botânicos e adaptógenos, como valeriana e ginseng. “Durante muito tempo, quem escolhia não beber álcool em uma ocasião ficava limitado a opções que não entregavam a mesma experiência: faltava ritual, complexidade, estética e presença. A Lucia veio para ocupar esse espaço”, afirmou Bertha Jucá, fundadora da marca. “Cada vez mais, bares, restaurantes, hotéis e consumidores entendem que uma boa opção sem álcool não é um detalhe. O futuro desses drinques passa por qualidade, repertório e desejo. É preciso entregar uma bebida que faça sentido no copo, na mesa e no momento social. Não significa abrir mão da experiência, mas ampliar as possibilidades de escolha”, completou.

Já o Yuna apresenta três versões: o Rubi Spritz, que combina jabuticaba, amora e ginseng em uma base floral; o Cajá Bitters, que aposta em perfil tropical e amargo; e o Mate Ginger Ale, que tem refrescância botânica e notas de gengibre. “Assim como aconteceu com os cafés especiais, vinhos naturais e alimentos de origem mais transparente, veremos consumidores cada vez mais interessados em sabor, ingredientes, origem e experiência. A categoria deve evoluir para oferecer bebidas com personalidade própria, e não apenas versões ‘sem álcool' de produtos tradicionais”, diz Luiza Arcuschin, co-fundadora da marca. “O futuro dos drinques sem álcool é de consolidação”, finaliza. 

@bar.setim
@drinklucia 
@tantannb

Dirty Cooler, do Setim / Foto: Divulgação
Dirty Cooler, do Setim / Foto: Divulgação

Dirty Cooler, do Setim

1 taça 

2 rodelas de pepino
10 ml de xarope de açúcar
1 pitada de sal
5 ml de vinagre de maçã
30 ml de suco de limão-taiti
Gelo e água tônica bem gelada

1 Em um copo alto, macere as rodelas de pepino com o açúcar e o sal, até liberar o aroma fresco e adocicado. 2 Acrescente o vinagre e o suco de limão-taiti, misturando levemente para que a acidez se funda à base macerada. 3 Complete com água tônica e preencha o copo com muito gelo, mexendo delicadamente para preservar as bolhas.

Dicas do Setim

Para a versão alcoólica: adicione 30 ml de gim depois do vinagre e do limão, e complete com água tônica. Siga os demais passos.

Para uma profundidade de sabor ainda maior: use 30 ml de um gim não alcoólico no lugar do tradicional. 

Por Gilberto Amendola

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