Edição 269Nós na Rede

Educação sobre o umami

Coautora do livro Papilex – A História Invisível dos Sabores, Carolina Dini fala sobre como informar adultos e crianças sobre o gosto

O negócio da mineira Carolina Dini é ensinar. Se no perfil Cebola na Manteiga ela se dedica a passar conhecimento sobre receitas e fermentação, com seu novo livro busca desvendar os gostos, abrir a cabeça das pessoas para os gostos. Ou a boca. “Eu começo a falar, nas oficinas, as crianças colocam a língua pra fora. É muito palpável, as papilas estão ali.” Intitulada Papilex – A História Invisível dos Sabores, sua primeira obra infantil tem co-autoria da educadora e ilustradora Isabela Righi. Confira o bate-bola com Carolina! 

Por que escolheu falar dos cinco gostos em seu primeiro livro infantil? 

Na verdade, esse é o primeiro de um trio, que tem como mote alimentação e educação. A obra é considerada infantil, porque é obrigatório ter uma faixa etária, mas ela atinge o público adulto de maneira massiva, como educadores e pais de crianças atípicas. Ela materializa a discussão sobre gosto, é sobre alimentar as Papilex, não a si mesmo. Uma mãe me contou que conseguiu alimentar o filho, que tem muita dificuldade de comer, com o livro. Como fermentadora, quero chamar atenção para o corpo e para esse mundo invisível.

Você tem dado oficinas sobre o livro. Qual é o público-alvo? 

Eu sabia que ia rolar esse interesse dos adultos. Eu abri duas oficinas na Flip, em Paraty (RJ): uma só tinha crianças, a outra tinha adultos desenhando, resgatando memórias afetivas, catalogando receitas, que hoje ficam no mundo digital. Conseguimos encantar as crianças de três anos pelas imagens, enquanto os mais velhos pegam referências. As discussões se abrem, independente da idade do leitor. 

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Por que um livro como plataforma para tratar dos gostos com crianças?

Tenho muitas memórias dos livros infantis. Quando se fala sobre literatura, formação e educação, o que fica guardado é o livro lido repetidas vezes. E além de ele falar dos cincos gostos, ele aborda os sabores, que incluem aromas, o tato. O livro foi pensado página por página para essa interação sensorial, em que o personagem é o leitor.

Carolina Dini, à direita, com a ilustradora Isabela Righi. Foto: Laís Gouvêa.
Carolina Dini, à direita, com a ilustradora Isabela Righi. Foto: Laís Gouvêa.

E como foi feita a pesquisa pro livro? 

Ela durou cinco anos. Tivemos a consultoria de uma pessoa especializada em infância, estudamos o ser humano em comparação aos animais, entrevistamos crianças. Íamos mostrando os desenhos pra elas e ouvindo o que elas achavam. E quisemos escutar todas, mesmo as que achavam que o quiabo é amargo, sem ficar dizendo o que é certo e errado. É um material baseado em muita pesquisa científica, feito para educar, porque temos vários mitos, como o de que sentimos os gostos em partes separadas da língua. Queremos atingir pedagogos, pediatras e nutricionistas. E chegar ao PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático), estar nas escolas.

Como educar sobre o umami?  

Para ser um gosto, ele tem que ser recorrente em vários alimentos e lugares do mundo. Por isso fiz a moqueca de hashi. O umami é catalogado, suas moléculas foram estudadas. Parece complexo, a gente pensa que as crianças não vão entender, mas elas estão muito abertas. A gente pega uma receita simples e analisa se tem umami, mas também acidez, picância. O livro traz o sensorial dos gostos e sabores.

@cebolanamanteiga
@editorabiruta 

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