Febres da internet: risco ou sucesso?
Como navegar nas tendências gastronômicas com autenticidade e estratégia

As tendências gastronômicas surgem e desaparecem rapidamente, e o papel das redes sociais na identificação de produtos e novidades se torna crucial para restaurantes que buscam se destacar. Cada nova moda, seja a popularização do pistache ou a febre dos cupcakes em 2010, levanta a questão: vale a pena investir? Alex Minho, da Gastronominho, compartilhou insights sobre como adotar essas tendências de forma autêntica e eficiente, sem comprometer o conceito do seu restaurante.
Alex destaca que as tendências muitas vezes são passageiras, com ciclos mais curtos que as modas tradicionais. “As modas são mais curtas e podem mudar rapidamente. O caso das paletas mexicanas é um exemplo claro: muitas lojas foram abertas, mas hoje em dia sua presença é quase nula”, explica. Ele menciona também a ascensão e a posterior queda do Frozen Yogurt e do poke, que, embora ainda tenham um espaço no mercado, não são mais o foco principal de consumo como antes. “Essas tendências acabam se consolidando em marcas que estabelecem uma identidade forte no mercado, mas o interesse inicial costuma ser efêmero.”
Recentemente, o pistache ganhou destaque, especialmente após uma onda de sucesso no Tiktok. “Muita gente começou a explorar o pistache em suas receitas, e isso gerou uma onda. Acompanhar as grandes marcas e como elas reagem a essas tendências é uma boa estratégia para pequenos estabelecimentos”, sugere Minho.
Mas ele alerta para o erro comum de seguir modas apenas porque estão em alta, sem considerar a expectativa do cliente. “É essencial ouvir seu consumidor. As redes sociais são uma ferramenta poderosa para entender seu comportamento e engajá-lo em conversas. Isso pode ajudar a determinar se investir em uma tendência vale a pena.” Alex recomenda que os restaurantes utilizem enquetes, comentários e reações para captar o que os clientes realmente desejam.
Uma estratégia eficaz que Alex recomenda é a criação de ações pontuais. “Esse tipo de abordagem permite testar uma nova tendência por um curto período. Você pode lançar uma sobremesa do dia com pistache, por exemplo, e monitorar a adesão do público. Dessa forma, o risco financeiro é reduzido, e você pode decidir se vale a pena prolongar a oferta”, sugere.
Ele também enfatiza a importância de criar experiências autênticas em torno de cada tendência. “Marcas que se destacam, como algumas de poke, construíram uma proposta clara e ofereceram uma experiência única. Por exemplo, uma loja que oferece pratos personalizáveis e um ambiente acolhedor atrai clientes não apenas pelo produto, mas pela vivência completa”, ressalta Alex. Porém, ele alerta: “isso vem com riscos. Se a moda passar, será que o restaurante conseguirá sobreviver?”
Por fim, Alex defende que a presença online deve ir além da simples promoção de produtos. “O erro fatal é pensar que o marketing digital é apenas sobre vendas. Os consumidores estão em busca de entretenimento e experiências memoráveis. Ao compartilhar conteúdo que educa, engaja e entretém, os restaurantes podem cultivar um relacionamento mais próximo com seu público e escolher com mais sabedoria o que vale a pena ser aderido”, conclui.



