Fogo de Chão e Mistral promovem noite dedicada aos grandes vinhos portugueses
Jantar harmonizado passa por espumantes da Bairrada, tintos históricos e cortes maturados em uma experiência que mistura churrasqueira brasileira e tradição lusitana à mesa
Existe algo quase inevitável na relação entre carne assada e vinho português. Talvez porque Portugal nunca tenha separado muito bem comida de convivência. Lá, vinho não costuma ocupar apenas a taça. Ele participa da mesa, da conversa, da travessa passando de mão em mão e daquele almoço que começa sem hora para terminar. Quando esse repertório encontra a cultura brasileira da churrasqueira, o resultado normalmente funciona sem precisar de muito esforço.
É justamente essa ponte que o Fogo de Chão e a Mistral retomam na primeira edição de 2026 do Wine Dinner, marcada para 15 de maio nas unidades Jardins, Tamboré e Brasília. O encontro foi desenhado para percorrer diferentes regiões de Portugal enquanto cortes clássicos saem da brasa em ritmo quase coreografado. Mais do que um jantar harmonizado, a proposta lembra aqueles encontros em que ninguém olha o relógio porque sempre existe mais uma garrafa sendo aberta.
Sequência harmonizada
O roteiro começa pela Bairrada, região que durante muitos anos viveu à sombra do Douro entre os consumidores brasileiros, mas que hoje aparece cada vez mais associada a vinhos vibrantes e gastronômicos. É dali que vem o espumante Maria Gomes, elaborado por Luís Pato, produtor que ajudou a modernizar a imagem dos vinhos portugueses sem abrir mão das castas locais. O espumante acompanha saladas e entradas de mesa e já dá o tom do jantar: frescor, textura e acidez para preparar o paladar antes da chegada da carne.
Na sequência, entra o Altano 2021, um daqueles vinhos que ajudam a explicar por que o Douro deixou de ser conhecido apenas pelo Porto e passou a ocupar espaço importante entre os tintos gastronômicos do mundo. Ele acompanha o galeto e prepara o terreno para a etapa seguinte, quando cortes clássicos como picanha, alcatra e costela suína encontram o Meandro do Vale Meão 2022.
O Vale Meão carrega uma história particularmente fascinante no vinho português. A propriedade pertence à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira, figura quase mítica do Douro no século XIX e peça fundamental para transformar a região em referência internacional. Décadas depois, o nome segue associado a alguns dos vinhos mais respeitados de Portugal. Colocar esse rótulo ao lado de cortes servidos na brasa ajuda a mostrar como o vinho português ganhou musculatura e refinamento sem perder sua vocação para a mesa.
O quarto tempo talvez seja o mais interessante da noite. O Dry Aged T-Bone será harmonizado com o Luís Pato Vinhas Velhas 2022, combinação que conversa diretamente com textura, maturação e profundidade de sabor. Carnes dry aged carregam notas mais intensas, quase amanteigadas, resultado da maturação prolongada. Vinhos de vinhas antigas costumam responder muito bem a isso porque entregam concentração sem necessariamente pesar.
O encerramento chega com um clássico que atravessa gerações praticamente intacto: Graham’s 10 Years Tawny Port. Poucos vinhos conseguem carregar tanta sensação de conforto quanto um bom Tawny envelhecido. As notas de frutas secas, caramelo, madeira antiga e especiarias parecem feitas sob medida para desacelerar o fim da refeição.
A condução da noite ficará com nomes conhecidos do mercado. Em Brasília, o evento será apresentado pelo sommelier João Baptista Bonato, profissional ligado à Mistral há quase vinte anos. Já nas unidades paulistas, quem assume a apresentação é Cassiano Borges, profissional com passagem por importantes produtores internacionais.
@fogodechaobr



