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França considera arrancar vinhas para salvar o vinho

No Wine Paris 2026, em 9 de fevereiro, Emmanuel Macron defende redução de áreas plantadas diante da queda no consumo, da superprodução e da pressão global sobre o setor vinícola

Em um dos momentos mais simbólicos na abertura do Wine Paris 2026, maior salão profissional de vinhos e destilados da Europa, o presidente francês Emmanuel Macron lançou uma frase que ecoou pelos corredores do evento e pelas vinhas do país: talvez seja hora de arrancar parte dos vinhedos franceses para salvar o vinho. A declaração, feita durante a abertura oficial do salão, escancarou a gravidade da crise que atinge uma das indústrias mais emblemáticas da França.

A proposta, conhecida no jargão do setor como arrachage, surge em resposta a um cenário de superprodução estrutural, consumo interno em queda e exportações pressionadas por barreiras comerciais e mudanças no comportamento do consumidor global. Segundo a agência Reuters, as exportações francesas de vinhos e destilados recuaram pelo terceiro ano consecutivo em 2025, com queda de cerca de 8% em valor, afetadas sobretudo por tarifas nos Estados Unidos e entraves no mercado chinês, dois dos principais destinos do vinho francês.

De acordo com Macron, manter vinhas economicamente inviáveis pode comprometer todo o sistema. É preciso proteger o valor do que produzimos, afirmou o presidente ao dialogar com produtores e líderes do setor, defendendo uma reorganização profunda da vitivinicultura francesa para preservar competitividade e renda no campo. A fala foi reforçada por análises publicadas por veículos internacionais como Reuters e Digital Journal, que apontam excesso de oferta especialmente em regiões produtoras de vinhos tintos de maior volume, como Bordeaux e partes do Languedoc.

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Para viabilizar a medida, o governo francês anunciou um fundo de aproximadamente 130 milhões de euros destinado a incentivar produtores em dificuldade a remover parcelas menos produtivas de vinha. A lógica é simples, embora politicamente sensível: menos volume, mais valor. A França já recorreu a estratégias semelhantes no passado, como subsídios para a destilação de excedentes, mas o atual movimento sinaliza um ajuste mais estrutural e duradouro.

Além da questão econômica, pesa a mudança nos hábitos de consumo. O consumo de vinho na França segue em trajetória descendente, especialmente entre os mais jovens, que demonstram preferência por bebidas de menor teor alcoólico ou por um consumo mais ocasional. Trata-se de uma tendência observada em diversos mercados europeus e que pressiona modelos tradicionais baseados em produção volumosa.

@vinexposium

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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