Hot dog sem fronteiras: endereços em São Paulo para provar o clássico em novas versões
Da salsicha com pão que ganhou fama em Coney Island a receitas com polvo, lula, chistorra, linguiça artesanal e Gruyère, o cachorro quente atravessa cozinhas e reaparece com novos sotaques pela cidade
Poucos lanches são tão associados aos Estados Unidos quanto o hot dog, mas sua história começa com um imigrante alemão e passa pelo calçadão de Coney Island, em Nova York. Charles L. Feltman chegou ao país em 1856 e abriu uma padaria que fornecia tortas para empresas da região. As entregas eram feitas em um carrinho, que também servia para vender frutos do mar. A virada aconteceu em 1867. Depois de ouvir dos clientes pedidos por opções de comida quente, Feltman adaptou o carrinho para cozinhar salsichas, ingrediente comum em sua terra natal, e aquecer os pães. A combinação era simples, prática para comer andando e rapidamente conquistou os frequentadores de Coney Island.
O sucesso foi tamanho que, quatro anos depois, Feltman inaugurou o Feltman’s Ocean Pavilion. O negócio cresceu até ocupar um quarteirão inteiro e se transformar em um grande complexo de entretenimento, com restaurantes, carrossel, cinema e outras atrações. A salsicha no pão deixava de ser apenas comida de rua e começava a construir seu lugar entre os símbolos gastronômicos americanos. O império da família Feltman não resistiu com a mesma força às crises econômicas e às dificuldades provocadas pela Segunda Guerra Mundial. Os negócios foram vendidos em 1940 e, em 1954, o restaurante fechou definitivamente, já sob nova administração. O hot dog, porém, estava longe de desaparecer.
A receita atravessou fronteiras e ganhou sotaques próprios. No Brasil, encontrou terreno especialmente fértil e acabou rebatizada de cachorro quente, com versões que pouco têm da simplicidade do modelo americano. Molho de tomate, purê de batata, milho, ervilha, vinagrete, queijo ralado e batata palha passaram a disputar espaço dentro do pão, com combinações que mudam conforme a cidade e a região do país. Tamanha popularidade ganhou até data no calendário. Em 9 de setembro é celebrado o Dia do Cachorro Quente no Brasil, uma homenagem a um lanche que há décadas faz parte da comida de rua brasileira, das festas infantis e das lanchonetes. A data também serve de pretexto para observar como uma receita aparentemente elementar conseguiu assumir identidades tão diferentes pelo país.
Em São Paulo, essa vocação para a reinvenção aparece com força. O cachorro quente saiu das barraquinhas e passou a dividir espaço em cardápios de hamburguerias, bares e restaurantes, muitas vezes com ingredientes e técnicas pouco óbvios para o lanche. Há desde receitas que preservam a velha combinação de pão e salsicha até interpretações com polvo, lula, chistorra, linguiça artesanal, bao, massa de pizza e queijo Gruyère. A seguir, dez endereços, em ordem alfabética, que mostram como um dos sanduíches mais populares do mundo continua aberto a novas interpretações.
Azur do Mar

Instalado no Mercado de Pinheiros, o Azur do Mar tem peixes e frutos do mar como protagonistas. Além das mesas na área externa, há lugares no balcão, de onde é possível acompanhar os preparos na parrilla. É justamente do mar que vem uma das interpretações mais curiosas da seleção: o Choripolvo (R$ 57, com duas unidades), um hot dog de polvo com chimichurri e aïoli, servido em pão brioche.
Rua Pedro Cristi, 89, Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: segunda a quinta, das 11h30 às 17h; sexta, das 11h30 às 20h; sábado, das 10h30 às 20h
@azur.do.mar
Bodega Pepito

Comandada pelo chef Oscar Bosch, a Bodega Pepito aproxima o espírito das tradicionais bodegas espanholas da informalidade dos botecos brasileiros. A chamada cozinha inquieta da casa também chega ao cachorro quente. Aqui, o pão tradicional dá lugar ao bao, pão asiático cozido no vapor. O Choribao (R$ 59, com duas unidades) leva chistorra, molho de chipotle e picles, numa receita que atravessa referências espanholas, asiáticas e latino americanas.
Rua dos Pinheiros, 320, Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: terça a quinta, das 12h às 15h e das 18h às 23h30; sexta, das 12h às 16h e das 18h à 0h; sábado, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 17h
@bodega_pepito
Câmara Fria

Escondido no andar superior do Bar Original, o Câmara Fria surgiu como o primeiro speakeasy de chope artesanal da capital paulista. O ambiente de pegada industrial acompanha uma seleção de cervejas, pizzas de fermentação natural, petiscos e embutidos artesanais. Entre os sanduíches está o CF Dog (R$ 42), que coloca uma salsicha defumada em massa de pizza, com molho de tomate levemente apimentado, cheddar inglês, bacon, relish de pepino e mostarda escura.
Rua Graúna, 137, Moema, São Paulo, SP
Horário: terça e quarta, das 18h à 0h; quinta, das 18h à 1h; sexta e sábado, das 18h às 2h
@camarafria
Cuia

No térreo do Edifício Copan, o Cuia, da chef Bel Coelho, mistura restaurante, bar e café em torno de uma cozinha dedicada à diversidade gastronômica brasileira e aos ingredientes nativos. O Choripan (R$ 49) segue a família dos sanduíches de pão e embutido, mas ganha personalidade com linguiça artesanal, picles de vegetais e queijo Boursin.
Avenida Ipiranga, 200, loja 48, Edifício Copan, República, São Paulo, SP
Horário: segunda, das 10h às 16h; terça a sexta, das 10h às 22h; sábado, das 10h às 23h; domingo, das 10h às 17h
@cuia_restaurante
Hospedaria

A cozinha do Hospedaria mergulha na memória gastronômica paulistana, especialmente nas receitas trazidas pelas diferentes ondas de imigração que ajudaram a formar a cidade. No cardápio, o Sanduba de Lula (R$ 64) flerta com o formato do hot dog sem tentar reproduzi lo ao pé da letra. A lula empanada chega com maionese de alho preparada na casa e vinagrete de feira, tudo servido em pão semi italiano.
Rua Borges de Figueiredo, 82, Mooca, São Paulo, SP
Horário: segunda, das 12h às 15h; terça a quinta, das 12h às 15h e das 18h às 22h; sexta e sábado, das 12h às 22h30; domingo, das 12h às 17h
Rua Clodomiro Amazonas, 216, Itaim Bibi, São Paulo, SP
Horário: segunda, das 12h às 15h; terça a quinta, das 12h às 15h e das 17h às 22h; sexta e sábado, das 12h às 22h30; domingo, das 12h às 17h
@hospedariasp
Lanchonete da Cidade

Com 20 anos de história, a Lanchonete da Cidade se consolidou entre os endereços paulistanos conhecidos pelos hambúrgueres, mas os cachorros quentes também têm espaço no cardápio. O Vira Latinha (R$ 39) leva salsicha Berna envolta em bacon, creme de queijo, picles e cebola no pão de cachorro quente, acompanhado de fritas fininhas. Já o X Totó (R$ 36) combina salsicha Berna, molho de tomate fresco e queijo derretido.
Unidades: quatro endereços, incluindo Rua Coropé, 51, Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: segunda a quinta, das 12h às 15h e das 17h à 0h; sexta e sábado, das 12h à 1h; domingo, das 12h à 0h
@lanchonetedacidade
Le Jazz Brasserie

Conhecido pelos clássicos da cozinha francesa, como omeletes, quiches, steak tartare e filet au poivre, o Le Jazz Brasserie também reservou espaço no cardápio para uma versão francesa do cachorro quente. A receita (R$ 53,50) leva salsicha Frankfurt gratinada com queijo Gruyère em pão brioche, mostarda Dijon temperada com picles e chega acompanhada de batatas fritas e salada verde.
Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: domingo a quinta, das 11h30 às 23h; sexta e sábado, das 11h30 à 1h
Rua Dr. Melo Alves, 734, Jardins, São Paulo, SP
Horário: segunda a quinta, das 11h30 às 23h; sexta, das 11h30 à 0h; sábado, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 23h
Shopping Iguatemi São Paulo, Boulevard, piso térreo
Horário: domingo a quinta, das 11h30 às 23h; sexta e sábado, das 11h30 à 0h
Higienópolis: Shopping Pátio Higienópolis, Piso Pacaembu
Horário: domingo a quinta, das 11h30 às 23h; sexta e sábado, das 11h30 à 0h
@lejazzbrasserie
Milk & Mellow

Um dos endereços mais tradicionais do roteiro, o Milk & Mellow mantém diferentes interpretações do cachorro quente no cardápio. O Pic Nic Dog (R$ 32) combina salsicha longa, queijo prato e vinagrete, enquanto o Chopper Cheddar Dog (R$ 26) aposta em cheddar cremoso e cebola roxa. Ambos chegam acompanhados de uma porção individual de batata chips. A seleção inclui ainda outras quatro versões do lanche.
Endereço: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 101, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP
Horário: segunda e terça, das 12h à 0h; quarta a sábado, das 12h às 4h; domingo, das 12h às 2h
@milkmellowoficial
Pobre Juan

Inspirado nas típicas casas argentinas, o Pobre Juan construiu sua reputação em torno dos cortes preparados na parrilla, mas também há espaço para um dos grandes parentes sul americanos do hot dog. O Choripán (R$ 62) é servido em pão de batata com linguiça fina de pernil, chimichurri e maionese temperada.
Unidades: cinco endereços, incluindo Rua Comendador Miguel Calfat, 525, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP
Horário: segunda a quinta, das 12h às 15h e das 19h às 22h; sexta e sábado, das 12h às 23h; domingo, das 12h às 20h
@restaurantepobrejuan
Vinil Burger

Conhecido pelos hambúrgueres e pela proposta urbana e descomplicada, o Vinil Burger ampliou a relação com o cachorro quente em uma parceria com o chef Jefferson Rueda, da Casa do Porco. São quatro receitas. O Beatrix Dog (R$ 36) leva american cheese, cebola crispy e ketchup da casa; o Cheese Bacon Dog (R$ 34) reúne maionese da casa, queijo fundido e farofa de bacon; o Cheese Dog (R$ 30) combina maionese e queijo fundido; e o Hot Dog (R$ 23) vai ao essencial, com pão, salsicha e maionese da casa.
Rua Dr. Melo Alves, 445, Cerqueira César, São Paulo, SP
Horário: domingo a quinta, das 11h às 23h; sexta e sábado, das 11h à 0h
Rua Padre Carvalho, 18, Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: domingo a quarta, das 12h às 23h; quinta, das 12h à 0h; sexta e sábado, das 12h à 0h50
Rua Ministro Roberto Cardoso Alves, 539, Santo Amaro, São Paulo, SP
Horário: segunda a domingo, das 11h30 às 22h
Avenida Piracema, 669, Shopping Tamboré, Taste Lab, Barueri, SP
Horário: domingo a quinta, das 11h às 22h; sexta e sábado, das 11h às 23h
@vinilburger



