Inverno à mesa: os drinques clássicos que elevam os sabores da estação
Mixologista Alexandre D'Agostino reúne combinações que aproximam coquetelaria e gastronomia, mostrando como diferentes estilos de drinks podem acompanhar dos pratos mais robustos às sobremesas
Quando as temperaturas caem, o cardápio ganha novas cores, aromas e consistências. Ensopados, carnes de longa cocção, massas com molhos intensos, cogumelos, queijos curados e sobremesas mais elaboradas passam a ocupar o centro da mesa. Para Alexandre D'Agostino, bartender, mixologista e responsável pela curadoria dos coquetéis da APTK, esse também é o momento ideal para explorar a harmonização entre gastronomia e coquetelaria clássica.
Segundo o especialista, um bom coquetel vai muito além de acompanhar a refeição. Acidez, dulçor, amargor, textura e notas aromáticas podem criar contraste ou afinidade com os ingredientes, valorizando tanto a bebida quanto o prato. O resultado é uma experiência mais equilibrada e cheia de nuances.
Entre as sugestões para o inverno, o Negroni Clássico aparece como parceiro natural de ragus, polenta cremosa, lasanhas, ossobuco e massas com molhos de carne. Seu amargor ajuda a renovar o paladar entre uma garfada e outra, enquanto o vermute rosso e o gin se conectam às ervas e especiarias presentes nas receitas.

Já o Old Fashioned acompanha carnes assadas, defumadas ou caramelizadas. Costela, brisket, steak au poivre, carré de cordeiro e até legumes tostados encontram afinidade com a estrutura do drink, marcada pelo whiskey e pelo leve toque adocicado.
Para tábuas de queijos curados, embutidos e pratos à base de carne suína, a recomendação é o Boulevardier. O whiskey, combinado ao vermute e ao bitter, forma um conjunto que conversa bem com porchetta, pastrami, pancetta e risotos preparados com linguiça artesanal.
Mesmo servido bem gelado, o Dry Martini também tem espaço no inverno. Sua característica mais seca ajuda a equilibrar preparos ricos em untuosidade, como fondue de queijo, brie assado, steak tartare, salmão curado e batatas com creme e ervas.
Quem prefere um perfil mais fresco pode apostar no Fitzgerald. As notas cítricas criam contraste com pratos amanteigados e harmonizam com frango assado com ervas, peixes preparados na manteiga, camarões grelhados, risoto de limão-siciliano e massas com frutos do mar.
Na hora da sobremesa, o Limoncello assume o papel de digestivo elegante. Servido ao final da refeição, combina com torta de limão, cheesecake, panna cotta, panetone tostado, sorvete de creme e queijos frescos.
Entre as opções com identidade brasileira, o Caju Amigo mostra versatilidade ao acompanhar escondidinho de carne-seca, queijo coalho grelhado, bolinho de mandioca, dadinho de tapioca e receitas com leve toque de pimenta, reforçando que os sabores do inverno também podem ganhar um sotaque nacional.
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