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Itália em três tempos

Do Norte ao Sul, os produtores italianos traduzem um pouco do país através de seus vinhos

Uma das maiores qualidades de um vinho é a capacidade que a bebida tem de expressar seu terroir – solo, clima, tempo e de alguma forma, se tornar, pelas mãos de bons produtores, um vinho único.

E mesmo com a Itália, um dos maiores países produtores de vinho que tem nas entranhas enraizada cultura do vinho, não poderia ser diferente. Cada microrregião deste país tão próximo da cultura brasileira pode ser traduzida em cada garrafa que produz. Não somente das prestigiadas Piemonte ou Toscana, mas também da bela ilha da Sicília terras vulcânicas, como Nerello.

Selecionamos três vinícolas italianas para ilustrar essa capacidade de transpor para a taça o DNA da região. Em especial, Norte, Sul e Centro.

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Nicosia e a descontração siciliana

O Sul da Itália possui clima mediterrâneo, solo fértil e proximidade com o mar. Por isso, historicamente, a Sicília sempre foi uma região agrícola de grande importância. Durante séculos, alimentou impérios com uma diversidade de produtos agrícolas, como trigo, olivas e uvas.

Atualmente, a principal atividade econômica da Sicília é o turismo, que cresceu 30% nos últimos cinco anos. A região atrai milhões de visitantes anualmente com suas belezas naturais, resorts de luxo e passeios de iate.

Foto: Divulgação

Em termos de população, o italiano sulista é conhecido por sua hospitalidade calorosa e despreocupação com a vida, características que lembram o “nosso jeitinho brasileiro”. O que não acontece por acaso.

Durante o final do século XIX e início do XX, milhares de italianos emigraram para o Brasil, sendo que 40% dessa emigração foi de famílias sicilianas.

Os vinhos da vinícola Nicosia capturam a descontração do Sul da Itália de uma forma única. Eles são capazes de transmitir o clima e personalidade da região em uma composição elegante. Caso do Lenza di Munti Etna Rosso. Um vinho delicado e, ao mesmo tempo, complexo. Feito com as duas uvas tintas típicas da região – Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio. É perfumado, com aromas de frutas vermelhas frescas acompanhadas do toque mineral “vulcânico”. Possui uma textura vivaz com taninos macios, o que faz dele um vinho gastronômico e versátil.

Nerello Mascalese | Foto: Divulgação

Uggiano e a vivacidade toscana

Enquanto o Sul da Itália tem um clima de maior descontração, o Centro da Itália é o berço da inovação italiana. Cidades como Roma e Florença sempre foram palco de transformações culturais. Roma moldou o mundo com avanços arquitetônicos no Império Romano, enquanto Florença propagou a alma do Renascimento com Michelangelo e Leonardo da Vinci.

A essência vanguardista desses lugares continua viva. E, até hoje, eles atraem multidões de mentes criativas e artísticas. A Toscana, com suas 10 principais universidades, abriga uma das maiores concentrações de jovens estudantes, criando um ambiente fértil para novas ideias. Eventos culturais como o Firenze Rocks e o Lucca Comics&Games são exemplos dessa efervescência.

Foto: Divulgação

Na gastronomia, o encontro entre o antigo e o moderno também é uma constante. Restaurantes famosos como Il Santo Bevitore e Locale Firenze oferecem releituras de pratos clássicos toscanos em uma atmosfera moderna.

Os vinhos da vinícola Uggiano, fundada por três amigos apaixonados pelo vinho toscano, representam perfeitamente esse encontro entre a tradição e a inovação. Seus vinhos são puristas com destaque na fruta e uso cuidadoso de madeira.

O Prestige Vermentino IGT leva, como o próprio nome diz, a casta Vermentino, uva tipicamente plantada no noroeste da Itália e na Sardenha. No entanto, vinícolas vanguardistas, como a Uggiano, apostam nesta variedade na Toscana. O Prestige Vermentino IGT é um vinho branco refrescante, com sabores de cítricos e peras, complementados por um toque de amêndoas. Um vinho surpreendente que, apesar de ser produzido com uma casta não muito cultivada na região, tem um evidente DNA toscano.

Prestige Vermentino IGT | Foto: Divulgação

Massolino e a sofisticação piemontesa

Já o Norte da Itália tem uma história diferente do Centro e do Sul. A região foi berço da industrialização do país e a riqueza ali gerada moldou a cultura regional, atualmente entrelaçada na sofisticação e no luxo.

Por exemplo, Milão, na Lombardia, tornou-se um símbolo da moda mundial. A cidade é sede de eventos e lançamentos fashion que moldam a indústria da moda. Já os arredores de Modena, na Emilia-Romagna, também exalam refinamento através da produção de carros de alto luxo como Ferrari, Pagani e Lamborghini.

Foto: Divulgação

A região do Piemonte não fica para trás nessa corrida. Grandes marcas de alta costura italiana, como Ermenegildo Zegna e Loro Piana, nasceram lá. A Ermenegildo Zegna é renomada por seus ternos sob medida, enquanto a Loro Piana é um ícone do quiet luxury italiano.
O Piemonte também se destaca no design de carros esportivos de luxo, com Turim sendo sede da Pininfarina, empresa famosa por desenvolver verdadeiras obras de arte sobre rodas para marcas como Ferrari.

A riqueza e a sofisticação do Norte da Itália também permeiam a gastronomia e a produção de vinhos. O Piemonte brilha no mapa gastronômico mundial com suas 46 estrelas Michelin, espalhadas por restaurantes que são referências mundiais.

Na produção de vinhos, a vinícola Massolino é capaz de engarrafar essa sofisticação piemontesa. Seus vinhos refletem profundidade e refinamento, especialmente nos prestigiosos crus de Barolo (Vigna Rionda, Parussi e Margheria) e no Barbaresco.

O icônico Barolo Parussi é o primeiro Barolo feito pela família Massolino com uvas cultivadas em Castiglione Falletto. O cru tem apenas 1,3 ha e produz vinhos de estilo elegante e saboroso, em contraponto com a austeridade que é frequente em Serralunga d’Alba. Tem estrutura firme e taninos notáveis, que se tornam mais macios com o tempo e fazem dele um excelente vinho de guarda. O vinho é envelhecido em grandes recipientes de carvalho esloveno por até 30 meses, seguido de mais 12 meses em garrafa.

Barolo Parussi | Foto: Divulgação
Barbaresco | Foto: Divulgação

    Já o Barbaresco foi produzido a partir de 2019 com uvas da sub-região de Neive. A elegância é protagonista, com taninos polidos e acidez equilibrada, complementados por um caráter floral e madeira muito bem integrada. É envelhecido em grandes recipientes de carvalho esloveno por até 18 meses, seguido de afinamento em garrafa.

    De fato, explorar os vinhos italianos vai muito além de simplesmente degustar rótulos. É perceber como o vinho pode absorver a cultura, a história e o povo do local.

    Todos os vinhos são importados e distribuídos com exclusividade pela Zahil @zahilvinhos

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    Prazeres da Mesa

    Lançada em 2003, a proposta da revista é saciar o apetite de todos os leitores que gostam de cozinhar, viajar e conhecer os segredos dos bons vinhos e de outras bebidas antecipando tendências e mostrando as novidades desse delicioso universo.

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