Jazzy Sushi House dá novo fôlego ao Campo Belo com japonês de atmosfera afinada
Mudança de nome revela integração com casas vizinhas e aposta em experiência que vai além do prato
No Campo Belo, onde a cidade começa a olhar com mais atenção para fora do eixo óbvio, um restaurante japonês troca de nome e, com isso, ajusta também o tom. O Omakase Nihon agora atende por Jazzy Sushi House, movimento puxado pelo empresário Leandro Dias que, mais do que reposicionar a casa, amarra de vez a identidade do pequeno polo gastronômico que se forma ali, lado a lado com o La Paella e o Miles Wine Bar.
O nome novo diz muito sobre o que acontece dentro. Não é só estética. É atmosfera. Do Miles, casa dedicada ao jazz com apresentações ao vivo, escapam acordes que atravessam o espaço e chegam ao salão do restaurante quase como uma trilha involuntária, criando um cenário em que o serviço japonês ganha outro ritmo, menos rígido, mais sensorial, quase como um improviso bem conduzido.

O ambiente acompanha esse espírito sem exageros. Luz baixa, paredes com referências orientais e uma divisão que privilegia diferentes formas de ocupação. Há o balcão de omakase, com apenas nove lugares, onde tudo acontece diante do cliente, quase em silêncio. A Sala Samurai oferece um respiro mais íntimo, enquanto o andar superior guarda a Sala do Dragão, marcada por uma peça de oito metros feita à mão, que observa o salão com certa imponência discreta.

Na cozinha, o trabalho segue dividido com clareza. Claudio Rodrigues cuida dos pratos quentes, enquanto Marcelo Almeida conduz a frente fria e o balcão com precisão e uma leveza que aparece tanto na montagem quanto na interação. O cardápio percorre ingredientes de alta gama sem cair em exibicionismo, trazendo desde bluefin e uni até enguia e centolla, sempre com um olhar atento ao corte, à textura e ao tempo.

Entre os pratos, o ussuzukuri de polvo espanhol surge delicado, quase translúcido, com toques de trufa e limão que equilibram gordura e frescor. O tempurá de camarão mantém a crocância leve, sem pesar, e o combinado do chef funciona como uma boa síntese da casa, com peças que alternam intensidade e sutileza. Já o cabochan ebi, servido na mini moranga, aponta para um lado mais autoral, confortável e bem resolvido.

O omakase continua como eixo da experiência. São 14 etapas que se desenrolam no tempo certo, sem pressa, com ingredientes do dia e uma lógica que valoriza o gesto do itamae. Mais do que um menu, é um exercício de confiança que se constrói prato a prato, quase como uma conversa baixa entre cozinha e cliente.
Na parte doce, a leveza volta à mesa com um cheesecake de tofu equilibrado e um trio de choux que brinca com sabores como matchá e missô sem perder elegância. Para beber, a casa mantém uma carta enxuta, com vinhos, sakes e coquetéis autorais que acompanham sem interferir.
Jazzy Sushi House
Rua Antônio de Macedo Soares, 1377, Campo Belo
Segunda das 12h às 15h e das 18h às 22h
Terça a sábado das 12h às 15h e das 18h às 23h
@jazzysushihouse



