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Joana Vasconcelos assina o rótulo do Château Mouton Rothschild 2023

Artista portuguesa cria “Paraíso” e integra a prestigiada galeria de nomes que ilustram as safras do Premier Grand Cru Classé

Pela primeira vez desde 1945, o Château Mouton Rothschild entrega seu rótulo a uma artista portuguesa. A escolha recai sobre Joana Vasconcelos, figura central da arte contemporânea, conhecida por transformar elementos do cotidiano em exuberantes instalações repletas de cor, humor e poesia visual. Para a safra 2023, ela cria “Paraíso”, uma obra que traduz, em linhas vibrantes, o encontro entre a natureza, o tempo e a mão humana — trio que molda o espírito do vinho de Pauillac.

O desenho parte de um cacho de uvas, símbolo absoluto da origem, e se abre em formas que representam a terra, o sol, a água, o frescor da noite e a intervenção cuidadosa do homem. Nada é literal: Joana constrói um pequeno universo gráfico no qual cada cor e cada figura dialogam como peças de um enigma. A artista define a obra como um gesto inspirado pela ideia de perfeição, de luxo e da harmonia possível entre o que nasce da terra e aquilo que o homem transforma.

Joana Vasconcelos e Julien de Beaumarchais de Rothschild/ Foto: divulgação

Julien de Beaumarchais de Rothschild, responsável pela relação do château com artistas, acompanha o trabalho de Joana há anos. Ele relembra a força de suas exposições no Palácio de Versalhes e no Palácio Liria, onde suas criações contemporâneas dialogavam com séculos de história. Para ele, há um parentesco natural entre o universo da artista — que reinventa bordados, crochês e técnicas tradicionais portuguesas — e o savoir-faire do Mouton Rothschild, onde a precisão artesanal convive com a busca constante pelo excepcional.

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Château Mouton Rothschild 2023 / Foto: divulgação

A trajetória de Joana é marcada por feitos que ampliaram as fronteiras da arte portuguesa: exposição emblemática em Versalhes, presença múltipla na Bienal de Veneza, pavilhão flutuante inédito em 2013, mostra individual no Guggenheim Bilbao, e mais recentemente, o convite para expor ao lado de mestres como Leonardo da Vinci e Caravaggio nas Galerias Uffizi e no Palácio Pitti. Sua obra Wedding Cake, criada para Waddesdon Manor, foi celebrada pelo jornal The Guardian como um raro sopro de alegria plena no século XXI.

Mouton Rothschild, por sua vez, mantém desde 1945 uma tradição que se tornou um capítulo à parte na história do vinho: convidar artistas a traduzirem cada safra em um rótulo exclusivo. Já passaram por ali nomes como Dalí, Miró, Chagall, Picasso, Andy Warhol, Pierre Soulages, Francis Bacon, Balthus, Jeff Koons, David Hockney, Olafur Eliasson, Peter Doig e Chiharu Shiota. A coleção completa está hoje instalada na exposição permanente “L’Art et l’Étiquette”, dentro da propriedade.

O vinho que estreia “Paraíso” nasce dos 82 hectares do Premier Grand Cru Classé em Pauillac, onde solos profundos de cascalho favorecem o reinado do Cabernet Sauvignon, que compõe a espinha dorsal do blend. Com vinhas de cerca de 50 anos, manejo minucioso e envelhecimento em barris novos de carvalho francês, o Mouton Rothschild segue fiel à sua identidade: clássico na essência, preciso na técnica e guiado pela filosofia deixada pelo Barão Philippe — viver a vinha, honrá-la em seus ciclos e celebrá-la pela arte que carrega em cada garrafa.

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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