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Joia brasileira

POR RICARDO CASTILHO
FOTOS BANCO DE IMAGENS PDM

Foi amor ao primeiro gole. Pode-se definir assim a relação dos vinhos da Villa Francioni com o consumidor brasileiro. Suas primeiras garrafas chegaram ao mercado no final de 2005, e conquistaram a opinião positiva da crítica e, claro, o aval dos consumidores.

Tal êxito é conseqüência de um grande investimento baseado em cepas de qualidade, plantadas em sistema de espaldeira – considerado o melhor para as condições brasileiras -, no uso de tecnologia tanto no campo como na vinícola; na vinificação cuidadosa e criteriosa e na consultoria internacional.

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Mas o fator principal foi sem dúvida a determinação de seu fundador, Manoel Dilor de Freitas, um apaixonado pelo assunto, que rodou o mundo vinícola à procura de informações sobre terroirs e suas possíveis localizações, antes de se decidir por Santa Catarina.

Região escolhida, filosofia traçada, era hora de montar o time que tocaria o projeto. Craques internacionais foram convocados: caso do enólogo espanhol Gustavo Gonzalez, que trabalhou na elaboração do Ornellaia, um dos míticos vinhos italianos; e de Michael Raymor, especialista na condução de vinhedos, ambos com experiência de trabalho na Robert Mondavi, onde fizeram parte no vitorioso projeto do Opus One. A eles se juntou o competente enólogo gaúcho Orgalindo Bettú, um verdadeiro artista na arte da vinificação.
O terroir catarinense

A Villa Francioni possui 50 hectares de vinhedos divididos entre São Joaquim e Bom Retiro, duas cidades na Serra de Santa Catarina. Em São Joaquim, suas vinhas são plantadas num solo pedregoso, com altitude de 1.260 metros, no Paralelo-28 Sul. Em Bom Retiro, o solo é franco-argiloso, a altitude é de 960 metros e o paralelo é o 27 Sul.

O clima se destaca pela amplitude térmica de 19 a 23 graus e pela ausência de chuvas na época de amadurecimento final das uvas e da conseqüente colheita. Por ser uma das regiões mais frias do país — onde a neve é freqüente — as geadas acabam sendo o maior problema climático. Para amenizar os possíveis estragos, a vinícola investiu pesado em telas anti-granito em toda a extensão dos vinhedos, um luxo difícil de encontrar mesmo nas melhores vinícolas do mundo.

CEPAS DE QUALIDADE

Entre as variedades plantadas estão Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Nebbiolo, nas tintas; e Chardonnay e Sauvignon Blanc, nas brancas. Mas diversas outras cepas estão sendo estudadas, casos da Malbec e Syrah. “Também estamos trabalhando muito bem a Sangiovese”, revela Bettú, que também explica um dos motivos para a evolução do vinho brasileiro. “Estávamos acostumados a trabalhar com uvas americanas hibridas. Hoje, só usamos mudas viniferas européias e o salto de qualidade é uma realidade”.

COMO NA TOSCANA

O projeto da vinícola lembra uma vila da região italiana da Toscana. Tem 4.478,57 metros quadrados de área construída, divididos por seis níveis. Esse modelo é importante, já que é baseado na gravidade — princípio da enologia moderna que prega desníveis em vez de bombas para transportar o vinho – em que se diminuem o máximo possível as transferências mecânicas. A sala de barricas é outro de seus trunfos. Com umidade controlada para evitar a evaporação da bebida, tem capacidade para 1.200 unidades. Hoje, conta com 400 delas, todas francesas, selecionadas nas melhores tanoarias.

Hoje, no comando da empresa está Daniela Borges de Freitas, que com os irmãos João Paulo, Adriana e André prometeram continuar o sonho de seu pai em fazer um grande vinho brasileiro. Pelos rótulos que já foram lançados, esse objetivo se torna cada vez mais uma realidade.

PROVA DOS NOVE

BRANCOS

Chardonnay 2006. Praticamente já está esgotado, sendo encontrado em poucas lojas. Bem típico, tem bom corpo, mas com madeira um pouco acentuada.

Sauvignon Blanc 2007. Muito fresco, com fruta intensa e bom corpo. Uma delícia.

ROSÉ

Rose. Fresco, com aromas de frutas vermelhas e de flores.

TINTOS

Joaquim 2005. Corte de cabernet sauvignon e merlot que passa 10 meses em barricas de carvalho. Bons aromas, que lembram fruta vermelha e chocolate, taninos macios e final prazeroso.

Francesco 2005. Corte de cabernet sauvignon e franc, merlot, malbec e syrah. Complexo e muito equilibrado. Passou 11 meses em barricas, mas a madeira está muito bem casada com a fruta.

Villa Francioni 2004. Ícone da casa, corte das duas cabernets, de merlot e malbec, com 12 meses de estágio nas barricas. Complexo e elegante, trata-se de um dos melhores tintos brasileiros.

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