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La Grande Dame Rosé 2018 revisita a invenção que mudou o champanhe

Nova safra da cuvée de prestígio da Veuve Clicquot coloca a Pinot Noir e os tintos de Bouzy no centro de uma história que começou com Madame Clicquot em 1818

A ideia parece simples vista de hoje, justamente porque se tornou parte do repertório da região de Champagne. Madame Clicquot decidiu acrescentar vinho tinto tranquilo ao vinho branco antes da segunda fermentação.

Para isso, voltou os olhos para Bouzy, Grand Cru da Montagne de Reims historicamente reconhecido não apenas pela Pinot Noir destinada ao champagne, mas também pela produção de vinhos tintos tranquilos.

Nascia assim, em 1818, o primeiro champagne rosé de assemblage de que se tem registro.

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A diferença é importante. No rosé de assemblage, a cor e parte do caráter do vinho vêm da adição de uma pequena proporção de vinho tinto tranquilo ao vinho base.

É uma particularidade de Champagne, já que a mistura de vinho branco e tinto para produzir rosé não é permitida na maior parte das denominações europeias. A região também trabalha com outro método, o rosé de saignée, no qual a cor é extraída diretamente das cascas das uvas tintas durante uma curta maceração. São caminhos bastante diferentes para chegar ao rosé.

No assemblage, portanto, o vinho tinto está longe de funcionar apenas como um corante. Sua origem, maturação, taninos e perfil aromático interferem diretamente no resultado. É aí que Bouzy ganha importância na história de Madame Clicquot. Ela conhecia e admirava os tintos da região e já os enviava a clientes anos antes da experiência de 1818. Correspondências preservadas pela maison mostram a atenção que dedicava a esses vinhos, que descrevia pela finesse.

A inovação acabou atravessando Champagne. O rosé de assemblage se consolidou como um dos métodos clássicos da região e hoje está presente no portfólio de inúmeras maisons. Mais de dois séculos depois, a Veuve Clicquot usa La Grande Dame Rosé para manter especialmente visível essa ligação entre champagne rosé, vinho tinto e Bouzy.

Veuve Clicquot / Foto: divulgação
Veuve Clicquot / Foto: divulgação

É justamente esse passado que reaparece na safra 2018. La Grande Dame Rosé tem a Pinot Noir como protagonista, sobretudo a proveniente dos vinhedos históricos da Montagne de Reims. O Chardonnay da Côte des Blancs completa o assemblage, contribuindo com frescor, finesse e uma nota salina.

Mas a parte mais interessante da receita talvez esteja no vinho tinto. Ele vem exclusivamente do Clos Colin, uma pequena parcela Grand Cru de Bouzy adquirida pela Veuve Clicquot em 1741 e posteriormente ampliada, sob Madame Clicquot, até alcançar 1.3 hectare. Mais do que uma referência histórica no rótulo, é desse pedaço de terra que saem as uvas responsáveis por levar ao champagne cor, textura e parte de seus aromas de frutas vermelhas.

O Clos Colin tem solo argilo calcário, com presença de areia e partículas minerais, além de boa exposição solar. Na vinificação, as uvas passam por duas seleções, primeiro no vinhedo e novamente na chegada à adega. Depois de desengaçadas, seguem para maceração a frio em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada. Durante a fermentação, pigeage e remontagem ajudam a extrair gradualmente cor, taninos e estrutura.

O vinho tinto resultante apresenta tonalidade rubi, taninos macios e aromas que passam por cereja, framboesa e groselha, acompanhados por especiarias. No champagne, encontra diferentes expressões da Pinot Noir da Montagne de Reims. As parcelas das encostas ao norte contribuem com tensão e estrutura, enquanto as do sul acrescentam textura e um caráter mais sedoso.

Lançamento La Grande Dame Rosé 2018 / Foto: Horst Kissmann
Lançamento La Grande Dame Rosé 2018 / Foto: Horst Kissmann

A própria safra ajuda a explicar por que 2018 entrou para a pequena coleção de La Grande Dame Rosé. O ano começou com um inverno particularmente chuvoso e avançou para um verão longo e quente. As condições favoreceram a maturação da Pinot Noir e permitiram à maison trabalhar concentração e frescor na composição final.

O lançamento chega também com nova apresentação. O estojo é produzido integralmente com papel reciclado e sua fita pode ser personalizada com um nome ou uma mensagem de até 78 caracteres. Segundo a maison, a distribuição da embalagem é realizada exclusivamente por transporte terrestre e marítimo.

La Grande Dame Rosé 2018 também passa a integrar o projeto Gastronomia do Jardim, iniciativa criada em 2021 para aproximar a cuvée de uma cozinha em que vegetais, frutas e ervas ocupam o centro do prato. A proposta reúne uma comunidade internacional de chefs, entre eles Enrico Crippa, Kanji Kobayashi, Luke Selby, Lucas Brocheton, Dario Cadonau e Michaël Vrijmoed.

@veuveclicquot

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