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Louis Roederer estreia na Borgonha ao adquirir um dos mais valiosos domínios da Côte de Nuits

Compra do Domaine Pierre Damoy marca a primeira presença da histórica maison de Champagne na região e coloca sob o mesmo grupo um dos maiores patrimônios de Grands Crus da França

Poucas negociações movimentaram tanto o mercado internacional do vinho nos últimos dias quanto a aquisição do Domaine Pierre Damoy pela Louis Roederer. Anunciada na semana em que a tradicional maison celebra seus 250 anos de história, a operação representa a primeira incursão da produtora de Champagne na Borgonha e envolve uma das propriedades mais cobiçadas da Côte de Nuits, coração dos grandes Pinot Noir franceses.

Mais do que ampliar sua presença no mapa dos vinhos de prestígio, a Louis Roederer incorpora um patrimônio vitícola raro. Localizado em Gevrey Chambertin, o Domaine Pierre Damoy reúne cerca de 8 hectares de vinhedos classificados como Grand Cru, incluindo parcelas em Chambertin, Chambertin Clos de Bèze e Chapelle Chambertin, além do monopólio Clos Tamisot. Entre esses ativos, destaca-se uma participação de aproximadamente 5,36 hectares em Chambertin Clos de Bèze, o equivalente a quase um terço de toda a área dessa histórica denominação, considerada uma das mais prestigiadas da Borgonha.

Fundada em 1776, a Louis Roederer construiu sua reputação como uma das mais respeitadas casas de Champagne. Seu rótulo mais célebre, Cristal, nasceu em 1876 por encomenda do czar Alexandre II da Rússia e permanece entre os espumantes mais valorizados do mundo. Diferentemente de muitas grandes maisons, a empresa manteve-se independente ao longo de sua trajetória e apostou na aquisição gradual de vinhedos próprios. Hoje controla mais de 240 hectares em Champagne, grande parte conduzida sob práticas de agricultura orgânica e biodinâmica.

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A chegada à Borgonha amplia esse projeto. A operação passa a integrar a Roederer Collection, divisão responsável pelas propriedades vitivinícolas do grupo em diferentes países, que já reúne nomes como Domaine Anderson, na Califórnia, Ramos Pinto, no Douro, e Deutz, em Champagne.

Embora o valor da negociação não tenha sido divulgado, especialistas consideram a compra uma das mais importantes dos últimos anos na Borgonha. A região possui uma oferta extremamente limitada de terras vitícolas e praticamente não há disponibilidade de novos vinhedos. Quando uma propriedade histórica muda de mãos, o mercado acompanha atentamente a transação, especialmente quando envolve parcelas classificadas como Grand Cru, cujo valor pode alcançar dezenas de milhões de euros por hectare.

A aquisição também evidencia a intensa disputa pelos grandes terroirs da Borgonha. Com produção naturalmente limitada e demanda crescente entre colecionadores e investidores, propriedades desse porte raramente chegam ao mercado. Mais do que ampliar seu portfólio, a Louis Roederer garante acesso permanente a uma das áreas mais valorizadas da viticultura mundial.

O anúncio simboliza ainda uma aproximação entre duas das regiões mais emblemáticas do vinho francês. Se Champagne construiu sua fama sobre a excelência dos espumantes, a Borgonha tornou-se referência absoluta na interpretação do terroir por meio da Pinot Noir e da Chardonnay. Ao reunir esses dois universos sob o mesmo grupo, a Louis Roederer reforça sua estratégia de longo prazo baseada na valorização de grandes vinhedos, patrimônio cada vez mais escasso e disputado no cenário internacional.

@louisroederer_

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