Colunas

Quem é Lucas Ripper, braço direito do restaurateur Marcelo Torres no BestFork

Com cerca de 1.000 funcionários e 1,2 milhão de clientes por ano, a holding carioca está prestes a inaugurar seu primeiro empreendimento em Botafogo, o restaurante São Miguel

Lucas Ripper não acredita muito no acaso. Foi por mera casualidade, por exemplo, que ele entrou no Giuseppe Grill, no Leblon, numa certa tarde de 2014? Ou foi obra do inconsciente, do destino ou sabe-se lá do quê? Até há uma explicação lógica para aquela visita: com 17 anos na época, Ripper pisou pela primeira vez na célebre casa de carnes do restaurateur Marcelo Torres com o intuito de pegar um autógrafo de Joseph Blatter, então presidente da Fifa.

A notícia de que o dirigente estava almoçando naquele endereço chegou aos ouvidos da mãe do adolescente. Informado por ela, lá foi ele tentar a sorte com Blatter, de quem era fã. “Ele estava com uns 15 seguranças”, recorda Ripper, que conseguiu voltar para casa com o sonhado autógrafo. A obstinação do rapaz não passou despercebida por Torres, que o contratou, logo em seguida, como host do Giuseppe Grill. De lá para cá, Ripper se converteu em um dos dois braços-direitos do restaurateur — o outro é Tiago Camargo.  

Bife Wellington do Giuseppe Grill
Bife Wellington do Giuseppe Grill

Portfólio superlativo

A empresa de Torres, o Grupo BestFork, é composta por dez empreendimentos, contando com o Giuseppe Grill, todos no Rio de Janeiro. O estabelecimento de número um é o italiano Giuseppe — na ativa desde 1993, fica na Rua Sete de Setembro, no Centro. O Xian encontra-se na cobertura do Bossa Nova Mall, colado ao aeroporto Santos Dumont. Cinco empreendimentos estão dentro de shoppings na Barra da Tijuca: o Nolita Roastery no New York City Center; o Giuseppe Mar, o Nolita e o Yusha no VillageMall; e o Giuseppe SQ no BarraShopping.

Continua após o anúncio

Faltou falar de um espaço de eventos em São Conrado, o Villa Riso, gerenciado pelo BestFork, e do bufê Laguiole, que ocupa uma parte das instalações do Xian. Ao todo são quase 1.000 funcionários e 1,2 milhão de clientes por ano. E há mais um restaurante em vias de inauguração, o São Miguel, em Botafogo, bairro ainda inexplorado por Torres. Será mais um empreendimento superlativo para o portfólio dele. Com 2 mil metros quadrados, deverá custar entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões. A inauguração está prevista para meados deste mês.

Xian, no Bossa Nova Mall
Xian, no Bossa Nova Mall

“Não sei dizer se foi uma coincidência ou não”, diz Ripper, ao refletir sobre o fato de ter ido atrás daquele autógrafo de Blatter bem no Giuseppe Grill — e não nos demais restaurantes cariocas que o dirigente certamente frequentou naquele ano de Copa do Brasil. Depois da contratação como host, não demorou para Ripper migrar para o marketing, onde começou como assistente.

Para adquirir a fama de “pau para toda obra” foi um pulo. “Sempre que precisavam de alguém para algo, eu me candidatava”, recorda. “Nunca tive medo de trabalhar”. Em 2017, no ano de inauguração do Xian, assumiu a área comercial do empreendimento, concentrando-se na elaboração de eventos, um dos focos de lá.

Em seguida, assumiu a gerência do Giuseppe Grill. “Uma coisa é cuidar de planilhas”, diz ele, formado em administração de empresas. “Outra coisa, totalmente diferente, é administrar pessoas. Todo dia alguém aparece com um problema diferente”.

O comando do Giuseppe Grill não o impediu de atuar no marketing e na área comercial do BestFork como um todo. Em 2021, Ripper virou sócio-minoritário do grupo. Tiago Camargo também detém uma pequena participação. Os dois estão sendo preparados para suceder Torres, conjuntamente, no comando de tudo. Como sócio-administrador, Ripper exerce o cargo de gerente administrativo e comercial da companhia, que fatura quase R$ 200 milhões por ano.

Evolução constante

“O Marcelo é um professor”, afirma. “Sempre meu deu muita liberdade para crescer e me ensinou a importância de saber delegar”. Acrescenta que o BestFork criou uma cultura na qual a opinião dos funcionários é muito valorizada. “É muito ruim quando empresas familiares tomam decisões sem ouvir os colaboradores”, opina. “O ponto de vista deles costuma ser muito positivo para o negócio”. 

“O que sustenta um grupo como o BestFork — que se provou ao longo de tantos anos e com tantos clientes — não é só escala. É cultura e inconformismo”, diz Gustavo Lima, CEO do Risposta, plataforma especializada em aprimorar a experiência do cliente no foodservice. “A companhia está sempre olhando para onde ainda pode melhorar e a trajetória de Ripper reflete isso: é alguém que cresceu na operação, assumiu responsabilidades e nunca parou de evoluir”.

De acordo com Ripper, o BestFork tem como meta melhorar, todo dia, nem que seja um tiquinho. “É uma busca constante pela perfeição, que, nós sabemos, nunca vai chegar”, argumenta. “Só esse esforço constante, no entanto, é extremamente proveitoso”. Sobre a inauguração do São Miguel, diz o seguinte: “Vamos começar com falhas, não tem outro jeito, mas o mais importante é identificá-las e corrigi-las o quanto antes”. O que não dá é deixá-las nas mãos do acaso.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo