Madre é uma ótima nova opção de bar na região de Pinheiros
Casa comandada por Ana Beatriz Pereira comemora um mês aberta com ambiente confortável, cozinha deliciosa e coquetelaria criativa
Abastecido de boas opções e de novidades recorrentes, o bairro paulistano de Pinheiros mais uma vez vira destino imperdível com a abertura do Madre, bar de inspirações latino-americanas que está completando um mês de funcionamento na próxima segunda-feira, 21 de setembro.
Localizado em uma casa que foi adaptada para receber a clientela na rua Padre de Carvalho, o Madre é muito aconchegante. Na garagem, que fica de portas levantadas ao lado da entrada principal, um sofá confortável é perfeito para grupos maiores de amigos. A sala virou salão com mesas, o corredor se integrou com a cozinha aberta, onde ficam mais mesas, e, no andar de cima, um segundo bar aposta em coquetelaria com garrafas exclusivas e difíceis de encontrar no Brasil, com uma coleção considerável de diferentes rótulos de rum e pisco.

A cozinha tem pratos concebidos pelo chef colombiano Mario Panezo, conhecido na região por ter comandado o extinto restaurante Feriae, e executados pela chef venezuelana Gabriela Franchi. Nos coquetéis, o bartender Marco de la Roche ficou a cargo de criar uma carta que representasse os sabores latinos, com estações comandadas por Leonardo Massoni, e a casa ainda tem uma carta de vinhos em taças e garrafas, com opções de vermutes e bolhas.
Arquiteta apaixonada por gastronomia – que dedicou-se a estudar formalmente cozinha na Le Cordon Bleu durante a pandemia –, a manauara Ana Beatriz Pereira conta que o Madre foi concebido para homenagear sua avó: “A primeira ideia era abrir um café em homenagem à Benedita, a minha avó paterna, que era cozinheira, tinha um bar e restaurante, era muito boa com doces”, explica. “Mas quando comecei a pensar na ideia dessa casa pertencer a uma mulher latina, muito forte e muito bem vivida, uma verdadeira matriarca, fui me empolgando…”
Ana Beatriz percebeu que a entidade dessa mulher madura que passou a habitar a casa acabaria balizando todos os detalhes do Madre: “A casa tinha que ser multicolorida, porque, é como diz o clichê, ‘sou latina demais para ser minimalista’”, ela brinca. “E não é somente sobre isso. Me incomoda que o imaginário atual sobre um bar diz que ele é minimalista, chique, tem jazz tocando. E, tem tanto bar em São Paulo, por que eu vou abrir mais um assim?”
Não que o Madre não seja chique, ou que adote uma linha kitsch em sua decoração. Pelo contrário. Os buquês de flores e folhas secas presos no forro tornam o ambiente mais gostoso, quase protegido; os estofados em veludo têm tons neutros; a cabine de DJ – que naquela noite estava ocupada pela DJ Pensanuvem – tem estantes lindas para discos de vinil, e até as caixas de som têm design chamativo, tudo bem integrado, conversando, em seu lugar.

Ambiente delicado, cozinha bruta
“Não aguento mais sair e comer steak tartare”, desabafa Ana Beatriz. “Além disso, sou celíaca, e a comida latina é naturalmente sem glúten, já que sua base é o milho.” Ela conta também que não pretende levantar bandeiras sobre o assunto, apenas que quer servir comida gostosa e sem rótulos.
Do encontro com Mario Panezo nasceu um cardápio com algumas bocadas e porções para compartilhar, e apenas dois pratos principais: o peixe na brasa com moqueca e salada de côco (R$ 110), e o Lomo Negro (R$ 98), um lagarto ao molho de vinho tinto e especiarias, com purê de batata e picles de ameixa.
Didático, cada prato do Madre tem indicada a região que o inspirou: as arepas com carne oreada (R$ 49) são de receita caribenha, o milho e huancaína (R$ 32), andina, e o ceviche norteño (R$ 89), da costa peruana.

O taco de porco à pururuca (R$ 45), “uma conexão do Brasil com o México”, é especialmente delicioso, e as empanadas de queijo e palmito (R$ 34) chegam à mesa em duas unidades. Elas têm a massa e recheio mais potente do que os paulistanos estão acostumados em outras casas do gênero.
De tudo que provamos – inclusive a torta de queijo criolla (R$ 35) e a chocotorta (R$ 32), ambas sobremesas –, fica a impressão de uma comida que não evita sobressair os sabores dos temperos, dos molhos e dos recheios. Os torresmos do taco são enormes, as empanadas chegam fumegando, o molho hogao das arepas tem o tomate suculento bem destacado, e a mistura de queijos maturados, chantilly, praliné de café e redução de Frangelico da torta criolla vem torrada em um aspecto quase queimado, que joga os sabores untuosos dos laticínios e seu dulçor nas alturas, um espetáculo.

América Latina no copo
A carta de drinks concebida por Marco de la Roche é dividida em quatro seções: drinks autorais, releituras de clássicos, clássicos tradicionais e coquetéis sem álcool. Também na coquetelaria, o Madre não incorre nos clichês da América Latina – não espere tomar margaritas ou micheladas, por exemplo: “Gosto muito de viajar, então trago sempre muita coisa. Nossa prateleira está cheia de mezcal, sotol, pox e pisco, coisas que nem são distribuídas no Brasil”, afirma Ana Beatriz.

A carta ainda conta com drinks com base de rum, tequila, tiquira e cachaça. A vodka, o uísque e o gim aparecem, quando muito, como coadjuvantes.
Entre os autorais, destaque para o Cosecha (R$ 46), feito com tequila reposado, bourbon, licor artesanal de milho tostado, licor de tamarindo e finalizado com espuma de atole, com notas aveludadas e tostadas, tem ainda a presença forte do milho devido ao licor artesanal, provendo um aroma de tortilla no copo.

Para quem é dos drinks mais frescos, uma boa opção entre os autorais é o Pewen (R$ 46), feito de pisco infusionado com eucalipto, Jerez Fino, soda de uva verde, xarope de ervas andinas e limão.
De todos os coquetéis da carta, apenas o Kingston Negroni (R$ 54), feito com Black spiced rum, vermute rosso e aperitivo de laranja, e o Agavone (R$ 52), com Tequila reposado e añejo, vermute rosso e aperitivo de laranja, custam acima de cinquenta reais, um destaque importante para tempos de inflação.

Em breve, um novo hype
Ainda passando pelos ajustes finais tão comuns nas operações de bares e restaurantes recém-abertos, o Madre tem tudo para virar o novo hotspot de Pinheiros. “A meta agora é construir o nosso nome, para as pessoas entenderem a proposta e provarem coisas novas”, diz Ana Beatriz.
A empresária já tem os próximos passos definidos: usar o bar no segundo andar do Madre para fazer eventos, promover degustações e receber ocasiões especiais fechadas por clientes: “Eu brinco que lá em cima é onde vou ganhar dinheiro”, ela ri. “Na sala amarela, que é nossa garagem, vou abrir o portão e transformar em pista de dança para festas de tarde.”
Além disso, a casa já está servindo brunchs aos sábados e domingos, com um cardápio próprio. A programação musical com o line-up de DJs escalados para cada noite no Madre é atualizada semanalmente nas redes sociais do bar.
Madre
Rua Padre Carvalho, 141 — Pinheiros, São Paulo
Horários
De quarta a sábado, das 19h à 1h
Brunch aos sábados e domingos, das 9h às 15h
Telefone: (11) 93718 – 7435




