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Mais do mesmo? Novos restaurantes do Rio como Côt Parrilla e Giappo apostam no oposto

Novidade no Leblon é uma mescla da culinária argentina com a coreana; italiano no Jockey diferencia-se pelos toques orientais

Guilherme Brant debutou no setor de restaurantes, como investidor, no Malbek, em Niterói. A especialidade do empreendimento são os cortes preparados na parrilla e a seleção de vinhos – vide a brincadeira no nome do restaurante, com a uva Malbec. É uma fórmula que tem tudo para dar certo – e que, exatamente por isso, é replicada em tudo que é lado. Quando Brant e seus sócios decidiram montar novo restaurante na zona sul carioca, eles resolveram trilhar outro caminho. Em vez de bater o martelo no mais do mesmo, optaram, digamos assim, pelo “menos do mesmo”. O resultado é o Côt Parrilla, uma mescla da culinária argentina com a coreana.

Inaugurado há pouco, o empreendimento ocupa o imóvel, no Leblon, que já foi do Le Coin. Sob o comando da chef Mariana Rabello, o Côt serve cortes como bife de chorizo, costela e flat iron. Muitos deles, porém, chegam à mesa com toques orientais. É o caso desses três. O chorizo, por exemplo, é temperado com um irresistível dry rub coreano. Já o flat iron é incrementado com um molho japonês agridoce, além de alho tostado e picles de rabanete. Para além das carnes, o cardápio lista opções como guioza de porco no molho ponzu; katsu sando, sanduíche de barriga de porco que virou uma febre; e arroz de kimchi. 

Guilherme Brant e Mateus Silva, sócios do Cot. Foto: Rodrigo Azevedo.
Guilherme Brant e Mateus Silva, sócios do Côt. Foto: Rodrigo Azevedo.

Brant conta que descartou a ideia de montar ali um restaurante de carnes mais tradicional – como uma filial do Malbek, por exemplo – por uma razão prática: há uma unidade do Malta Beef Club, uma referência na especialidade, na quadra ao lado. “E há vários outros bons restaurantes do tipo no bairro, seria muito difícil se destacar com uma proposta parecida”, raciocina. Daí a aposta em um conceito fora da curva. “Acredito que ainda há espaço para mais casas de carne tradicionais na região, mas novos empreendimentos do gênero tendem a levar mais tempo para vingar”, afirma o empreendedor. “Com uma proposta diferente, conseguimos chamar atenção bem mais rapidamente.” 

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Originalmente, na França, a uva Malbec era chamada de Côt, o que explica o nome do segundo restaurante de Brant. Este se restringe à administração do negócio na Zona Sul, ao lado de um sócio, Mateus Silva, que, como ele, tem 33 anos. Dado o sucesso da novidade no Leblon, a dupla inaugurou, neste mês, mais um empreendimento, o Cotito. Trata-se de um pequeno negócio, na Tijuca, especializado em espetinhos orientais. Antes de se fixar na esquina da Avenida General San Martin com a Rua Cupertino Durão, o Côt Parrilla funcionou exclusivamente no delivery. Com a abertura do endereço fixo, o serviço de entregas ganhou um ponto final.  

Parrilla do Côt. Foto: Rodrigo Azevedo.
Parrilla do Côt. Foto: Rodrigo Azevedo.

A boa aceitação do Côt Parrilla sugere que fugir do “mais do mesmo” pode ser um caminho exitoso para empresários do ramo. “A diferenciação pode ser estratégica para atrair público em pouco tempo, especialmente quando estamos falando de uma especialidade com muitos representantes”, opina Fernando Blower, presidente do Sindrio, o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro. “Em muitos casos, porém, apostar num conceito que já é amplamente conhecido é o caminho menos arriscado. Se há muita concorrência direta, afinal, é sinal de que o interesse do público pela proposta em questão é muito alto. A enorme quantidade de restaurantes italianos no Rio de Janeiro ou em São Paulo serve de prova”. 

Nao Hara. Foto: Tomas Rangel.
Nao Hara. Foto: Tomás Rangel.

O carioca Nao Hara que o diga. Nissei, o chef é o mandachuva do Giappo, no Jockey Club Brasileiro. É mais uma novidade gastronômica que apostou no “menos do mesmo”. Inaugurado no começo do ano, o restaurante engrossou a lista de italianos no Rio de Janeiro. Trata-se, no entanto, da interpretação de Hara dessa culinária. “Para abrir mais um italiano na cidade, precisava ser um italiano diferente”, diz ele. Em linhas gerais, o cardápio respeita os cânones culinários da Lombardia, do Piemonte e do Vêneto. Os toques orientais aqui e ali, no entanto, não passam despercebidos. A brusqueta, por exemplo, leva tataki de salmão e lâminas de vieiras trufadas. Já o agnolotti com recheio de camarões vem acompanhado de uma fonduta com pimentões que remete à gastronomia tailandesa.  

Quadrucci Coloratta do Giappo. Foto: Tomas Rangel.
Quadrucci Coloratta do Giappo. Foto: Tomás Rangel.

Côt

Avenida General San Martin, 435 – Leblon, Rio de Janeiro — RJ
@cotparrilla

Giappo

Av. Rodrigo Otávio, 3200 — Jockey Club Brasileiro, Gávea, Rio de Janeiro — RJ
@giappo.rio

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