Maison Verot aposta no terroir brasileiro para escrever novo capítulo de sua história
Referência da gastronomia francesa produz em São Paulo receitas clássicas e criações inéditas inspiradas nos sabores nacionais, mantendo vivo um patrimônio culinário iniciado em 1930
Fundada em 1930 por Jean Verot, na cidade de Saint Étienne, a casa começou como uma pequena loja de bairro especializada em embutidos e terrines preparados segundo receitas familiares. A reputação cresceu rapidamente e atravessou gerações. Décadas depois, Pierre Verot, pai de Gilles Verot, recebeu o título de Meilleur Ouvrier de France, a mais importante distinção concedida pelo governo francês aos grandes artesãos do país, reconhecimento alcançado por pouquíssimos profissionais da gastronomia.
Nos anos 1990, Gilles Verot e sua esposa Catherine Léautey, também descendente de uma família de charcutiers, transferiram a operação para Paris, aproximando a marca dos grandes restaurantes e da cena gastronômica internacional. Pouco tempo depois, a Maison conquistaria novos prêmios nacionais e passaria a abastecer algumas das cozinhas mais prestigiadas do mundo.

Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória aconteceu em 2007, quando o chef Daniel Boulud levou as especialidades da Maison Verot para seus restaurantes e boutiques gastronômicas em cidades como Nova York, Toronto e Londres, consolidando a reputação internacional da marca.
Agora é a vez do Brasil entrar nesse roteiro. Diferente de outras operações internacionais, a Maison Verot optou por produzir localmente em uma cozinha instalada em São Paulo, utilizando ingredientes nacionais e adaptando parte das receitas ao terroir brasileiro. A proposta preserva o rigor técnico francês, mas permite que cada preparação dialogue com a cultura gastronômica do país.
Produzir e comer local
Essa filosofia aparece em diversas criações exclusivas desenvolvidas para o mercado brasileiro. O tradicional pâté en croûte, considerado o maior símbolo da casa parisiense, ganhou uma versão com pato e manga desidratada, enquanto as rillettes reinterpretam receitas afetivas como moqueca, feijoada e rabada. Até as saucisses recebem novos contornos, incorporando ingredientes como dendê e goiabada.
Pouca gente sabe que o pâté en croûte, estrela do catálogo da Maison Verot, já foi considerado uma verdadeira obra de arquitetura culinária. A massa dourada que envolve carnes e vegetais não tem apenas função estética: ela protege o recheio durante o cozimento, preservando textura e suculência, técnica desenvolvida séculos antes da refrigeração moderna. Hoje, campeonatos internacionais dedicados exclusivamente à especialidade movimentam chefs e artesãos da França, reforçando seu status de patrimônio gastronômico.

Outro detalhe curioso está nas terrines, que tradicionalmente recebem esse nome por serem moldadas em recipientes de barro chamados terrines, prática mantida até hoje por muitos produtores artesanais franceses. Já as rillettes nasceram como uma preparação camponesa, feita com carnes cozidas lentamente na própria gordura até atingirem textura extremamente macia, tornando-se mais tarde um clássico dos bistrôs franceses.
Sob supervisão diária de Nicolas Verot e gestão do empresário franco brasileiro Jean Pierre Bernard, a operação brasileira nasce com a missão de traduzir a excelência da casa parisiense utilizando ingredientes produzidos no país. O resultado é uma coleção que une tradição centenária, criatividade contemporânea e identidade local, aproximando o público brasileiro de um dos capítulos mais emblemáticos da gastronomia francesa.
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