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Mezzogiorno traz o tempo italiano para o almoço no Gero Itaim

Novo menu estreia às vésperas dos três anos da casa e resgata o ritual do meio do dia com massas frescas e elegância sem pressa

Há algo de simbólico no nome. Na Itália, mezzogiorno não é apenas meio dia. É o momento em que a cidade desacelera, o comércio fecha, o almoço ganha protagonismo e a mesa volta a ser centro de gravidade. É essa ideia, quase cultural, que o Gero Itaim coloca em prática ao lançar seu novo menu dedicado ao almoço, às vésperas de completar três anos dentro do hotel Fasano Itaim.

A casa, que carrega o sobrenome de um dos restaurantes mais emblemáticos do Grupo Fasano, sempre teve na cozinha italiana clássica seu eixo. Mas agora ajusta o compasso para o ritmo do dia. Menos formal, mais fluido, sem abrir mão da precisão que virou assinatura.

Pargo na brasa com acelga e tomate cereja / Mezzogiorno 26 / Gero Itaim / Foto: divulgação

À frente, o chef Lomanto Oliveira desenha um percurso que começa leve e evolui com naturalidade. Nos antipasti, aparecem acenos diretos à tradição italiana que nasceu da simplicidade e da escassez bem resolvida. O tartar de atum com stracciatella dialoga com a cultura do cru que ganhou força nas regiões costeiras. A polenta taragna, típica do norte da Itália e historicamente ligada à alimentação camponesa, surge aqui envolta em creme de gorgonzola, mais delicada, mas ainda reconfortante. Já o gnocchi sardi, apesar do nome, não é um nhoque, mas uma massa curta da Sardenha, originalmente moldada para reter molhos densos.

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Bottoni de costela com fonduta de parmesão / Mezzogiorno 26 / Gero Itaim / Foto: divulgação

É nas massas frescas que o Gero reafirma seu território. O ravioli de peixe branco ao bisque e alho poró revela uma cozinha que trabalha camadas de sabor sem pesar. O tagliatelle com vôngole e mexilhão remete às mesas do sul, onde o mar dita o ritmo. E o botoni de costela com fonduta de parmesão traz um gesto quase lombardo, em que a riqueza do queijo encontra o conforto da carne lentamente preparada.

O menu, com cerca de 25 pratos, percorre entradas, pastas, risotos, principais e sobremesas, mas o que se percebe é menos uma sequência formal e mais uma narrativa. Um almoço que pode ser rápido, mas que também convida a ficar. Algo que, no fundo, se conecta com a própria origem do Fasano no Brasil, quando as refeições eram longas, atravessavam a tarde e misturavam negócios, encontros e celebração.

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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