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Modernização das Auditorias Sanitárias no Food Service

O que muda com a RDC nº 868/2024 e o novo Guia 16 da Anvisa

A segurança dos alimentos está entrando em uma nova era no Brasil. Em vigor desde junho de 2024, a RDC nº 868/2024 e a terceira edição do Guia 16 da Anvisa (publicada em abril de 2025) trazem mudanças profundas para estabelecimentos do setor de alimentos e bebidas. Restaurantes, padarias, cozinhas industriais, dark kitchens e demais operações de food service precisarão repensar seus processos, documentos e treinamentos para atender aos novos critérios das auditorias sanitárias.

O foco agora está na gestão de riscos, na rastreabilidade e na comprovação técnica de tudo o que é feito dentro da operação, do recebimento de insumos até a definição de prazos de validade.

RDC nº 868/2024: foco na gestão de risco

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A principal novidade da RDC é exigir que os estabelecimentos adotem uma abordagem baseada em risco, ou seja, que priorizem o monitoramento dos pontos críticos da operação conforme o tipo de alimento, o processo produtivo e o histórico sanitário da empresa.

Entre as obrigações, destacam-se:

  • Plano de Gestão de Risco: documento técnico que descreve perigos, medidas preventivas e ações de controle.
  • Treinamento e capacitação contínuos: todos os envolvidos em etapas críticas devem passar por formações periódicas, com registros atualizados.
  • Monitoramento sistemático de temperatura, tempo de cocção, limpeza de utensílios, controle de pragas e validade.
  • Revisão dos POPs (Procedimentos Operacionais Padronizados): os procedimentos devem refletir a realidade prática da operação e ser atualizados sempre que houver mudanças.

Essa nova abordagem torna as auditorias mais técnicas, com menos foco em checklist e mais ênfase em evidências documentadas e no comportamento real da equipe durante as atividades.

Novo Guia 16: validade com base científica

Outro avanço importante está na nova versão do Guia 16 – Determinação do Prazo de Validade de Alimentos, que agora oferece critérios claros e metodologias padronizadas para validar as datas de vencimento dos produtos manipulados.

O que mudou:

  • Protocolos detalhados de testes de prateleira: simulações realistas de armazenamento para avaliar estabilidade e segurança.
  • Ferramentas visuais e quadros explicativos: facilitam a interpretação técnica por parte de gestores e responsáveis técnicos.
  • Referências bibliográficas atualizadas: nacionais e internacionais, para embasar os estudos.
  • Obrigatoriedade de registros e laudos técnicos: evidências precisam estar organizadas e disponíveis durante inspeções.

Essas exigências impactam principalmente produtos artesanais, sazonais ou com novas formulações, que antes não contavam com parâmetros claros para validade.

O que os fiscais vão exigir

As novas auditorias sanitárias serão mais rigorosas e técnicas. Os fiscais buscarão evidências práticas e não apenas documentos de prateleira. Prepare-se para apresentar:

  • Documentos atualizados: plano de risco, POPs, registros de monitoramento e laudos laboratoriais.
  • Evidência de treinamentos: com listas de presença, materiais utilizados e frequência de capacitações.
  • Execução dos processos em tempo real: os procedimentos precisam ser seguidos de fato — e não apenas estarem no papel.
  • Planos de ação e indicadores de desempenho: ações corretivas devem estar registradas e com metas claras.
  • Validação científica de validade de alimentos, conforme o novo Guia 16.

Como preparar seu estabelecimento

  1. Atualize a documentação
    • Revise manuais, POPs e fichas técnicas com base na RDC nº 868/2024.
    • Crie um cronograma de atualização semestral dos documentos.
  2. Capacite continuamente a equipe
    • Promova treinamentos mensais ou trimestrais.
    • Envolva todos os setores: compras, estoque, cozinha e atendimento.
  3. Valide os prazos de validade
    • Conduza ou terceirize testes de prateleira com laboratório credenciado.
    • Guarde os resultados com laudos assinados pelo RT (Responsável Técnico).
  4. Implemente tecnologia
    • Use sensores de temperatura conectados, planilhas digitais e sistemas de rastreabilidade.
    • Automatize alertas para vencimento e não conformidades.
  5. Realize auditorias internas simuladas
    • Faça inspeções periódicas com checklists alinhados à nova legislação.
    • Corrija falhas antes de visitas oficiais da vigilância.

Por que se adaptar é uma vantagem

Empresas que estiverem alinhadas às novas regras não só evitam multas e interdições, como também ganham em eficiência operacional, controle de perdas e confiança do cliente.A modernização das auditorias é uma oportunidade de elevar o padrão de segurança, treinar melhor a equipe e fortalecer a reputação do negócio. No novo cenário do food service, quem investe em gestão de risco, validação técnica e profissionalização, sai na frente.

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Luiza Pires

Instagram: @luizarpires

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