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Moscatel de Setúbal no copo e no gelo: história, produção e drinks para atravessar o verão

Licoroso, aromático e cheio de personalidade, o vinho símbolo da Península de Setúbal ganha nova vida em coquetéis refrescantes e combinações descomplicadas para os dias quentes

Quando o verão aperta, o ritual muda. As taças pedem gelo, os encontros ficam mais longos e as bebidas precisam entregar frescor sem abrir mão de sabor. É nesse cenário solar que os vinhos da Península de Setúbal, em Portugal, mostram toda a sua versatilidade. Entre eles, o Moscatel de Setúbal ocupa lugar de destaque, não apenas como vinho de sobremesa, mas também como protagonista de drinks elegantes e surpreendentemente fáceis de preparar.

Produzido majoritariamente a partir da uva Moscatel de Alexandria e, em versões mais raras, da Moscatel Roxo, o Moscatel de Setúbal é um vinho fortificado. A fermentação é interrompida pela adição de aguardente vínica, preservando parte do açúcar natural da uva e concentrando aromas intensos. Depois disso, vem um dos grandes segredos do estilo: a maceração prolongada com as cascas, que pode durar meses e, em alguns casos, mais de um ano. É esse contato que explica a cor âmbar profunda, os aromas de flor de laranjeira, mel, damasco seco, casca de cítricos e especiarias, além da textura untuosa em boca.

Verão com Moscatel de Setúbal / Ilustração

A história do Moscatel de Setúbal remonta ao século XIX, quando a região se consolidou como uma das grandes produtoras de vinhos licorosos de Portugal. Um fato curioso é que, durante décadas, parte desses vinhos envelhecia em grandes tonéis sujeitos a variações de temperatura, o que contribuía para sua complexidade oxidativa. Algumas casas mantêm até hoje estoques antigos conhecidos como vinhos de reserva perpétua, que servem de base para lotes especiais. Outro detalhe pouco conhecido é que o Moscatel de Setúbal foi, durante muito tempo, presença constante em mesas aristocráticas e chegou a ser exportado para cortes europeias como alternativa aos grandes vinhos doces franceses.

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No calor, porém, ele se reinventa. Servido bem gelado ou em coquetéis simples, o Moscatel mostra um lado mais leve e descontraído, sem perder identidade. Sua doçura natural dispensa xaropes elaborados e dialoga muito bem com cítricos, ervas frescas e água tônica. É o tipo de vinho que transforma qualquer fim de tarde em ritual de verão.

Entre o Atlântico e a serra, nasce um clássico português / Imagem ilustrativa

Entre os rótulos mais conhecidos no Brasil, o Alambre, da José Maria da Fonseca, é quase uma porta de entrada obrigatória, com perfil clássico, notas de laranja confitada, caramelo e frutas secas. Já o Moscatel Roxo Superior, da Casa Ermelinda Freitas, chama atenção pela elegância e pelo frescor que equilibra a doçura, funcionando muito bem tanto puro quanto misturado.

Para quem prefere alternar os drinks com taças de vinho, os brancos leves da região também entram em cena. Aromáticos, frescos e fáceis de beber, funcionam como companhia natural para saladas, peixes, frutos do mar e petiscos de verão, ampliando o repertório sem pesar.

Setúbal Spritz

Ingredientes
60 ml de Moscatel de Setúbal
40 ml de água tônica bem gelada
Gelo em cubos grandes
Casca de laranja ou limão
1 ramo pequeno de alecrim fresco

Modo de preparo
Em um copo baixo, coloque bastante gelo. Adicione o Moscatel de Setúbal e complete delicadamente com a água tônica. Finalize com a casca de laranja ou limão, espremendo levemente sobre o copo para liberar os óleos essenciais, e o ramo de alecrim. Mexa suavemente e sirva imediatamente.

Aromático, refrescante e cheio de personalidade, o drink traduz o espírito do verão e mostra como o Moscatel de Setúbal vai muito além da sobremesa. Seja em coquetel ou em taça gelada, é um convite para brindar a estação mais quente do ano com charme e história.

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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