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O óbvio tem que ser dito: não existe drink de mulher

Conceito preconceituoso demora a se retirar definitivamente do balcão, mas bartenders quebram estereótipos com propostas mais contemporâneas

Entre evidências científicas e puro senso comum, desce com gosto excessivamente amargo a ideia de que mulheres preferem coquetéis doces e que determinado copo ou taça é feminino. 

“Noto que rum e whisky estão entre as bebidas que as mulheres têm pedido e a cachaça cada vez mais conquista a aceitação de todas as pessoas”, afirma Laura Paravato, que assina a carta de drinks do Brejo Bar, no Rio de Janeiro. Ela, inclusive, lançou este mês um menu em homenagem às mulheres brasileiras emblemáticas da cultura, como o Bethânia, que é feito com gim, mate, xarope de gengibre e angostura.

A construção de cartas renovadas dialoga ainda com um dado expressivo – mulheres já lideram 52,7% dos negócios de alimentação fora do lar em 2026, superando a média nacional de ocupação feminina em cargos de chefia, segundo um levantamento da Abrasel. Elas estão dos dois lados do balcão, e seguem muito atentas às preferências dos clientes em constante mudança e adaptação.

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Stephanie Marinkovic, sócia do Fifty Fifty, em São Paulo

Consumo consciente

“Hoje, no nosso bar, as mulheres bebem muito mais que os homens em termos de qualidade e estrutura de coquetéis”, conta Stephanie Marinkovic, sócia do Fifty Fifty, em São Paulo. A bartender aponta também para outra evidência perceptível em restaurantes e bares – a de que a coquetelaria caminha para um consumo de bebidas com menor percepção alcoólica.

E uma pesquisa do Datafolha corrobora com a sensação no balcão: entre os brasileiros que dizem consumir álcool, 53% afirmam que reduziram a ingestão de bebida em 2024. A saúde é o principal motivo para não beber.

“Gosto de unir técnicas que permitam criar camadas de sabor e textura em coquetéis leves, fáceis de beber e com baixo teor de álcool, valorizando o consumo consciente”, afirma. “Não acredito que seja taça, copo baixo ou cor de rosa que determine se um drink é para mulher ou não, e muitos clientes entendem isso”, completa. “Mas eu já atendi, por diversas vezes, homens que pedem para tirar o drink de uma taça coupe por considerar de ‘mulher' e eu sigo afirmando que não é possível.”

Fifty Fifty: Rua Dep. Lacerda Franco 596, Pinheiros, São Paulo

Brejo Bar: Travessa dos Tamoios, 7 lj E, Flamengo, Rio de Janeiro

 

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Paula Calçade

Jornalista movida por destinos e temperos, experimenta o mundo sem moderação. @paulacalcade

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