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Nihoncha, uma linda introdução ao chá japonês

Exposição na Japan House, em São Paulo, faz uma viagem pela história do chá japonês, sua produção e os utensílios que fazem parte do ritual

Senti um orgulho muito grande quando, em 6.5.2017, foi inaugurada a Japan House São Paulo. A primeira a ser aberta no mundo, antes mesmo das de Los Angeles e de Londres. Sabemos que, no Brasil, temos a maior população de origem japonesa fora do Japão. Tive o prazer de conviver com a colônia japonesa de Ivoti, RS, quando era criança, e isso me aproximou, de uma maneira muito bonita, da cultura japonesa. Há 24 anos, quando abri a Loja do Chá em São Paulo, tínhamos mais de dez chás japoneses, chegamos a ter 15. Fomos a primeira loja a comercializar Matcha, Gyokuro, Kabusecha, Tencha, Hõjicha – é muita história para contar e muitos chás japoneses harmonizados com yogashis e wagashis, degustados, com prazer, pelos clientes.


Em 2018, tive a honra de participar, na Japan House SP, do Chawan Project – ciclo de palestras de ceramistas sobre histórias e técnicas da confecção dos chawans, sob a curadoria de Hideko Honma. Contei um pouco da minha história de 20 anos com matcha chawans, cerimônia do chá e chás japoneses. Também em 2021, participei da segunda temporada de podcasts da Japan House São Paulo, falando sobre chás, infusões e harmonizações.
Para minha alegria, a Japan House SP me procurou, como presidente da ABChá, atualmente sou vice-presidente, para promover, divulgar e apoiar a Exposição de Chás Japoneses que inauguraria em dezembro de 2023.

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Organizamos um pré-evento, juntamente com a Jetro Brazil-São Paulo, no qual empresas e pessoas ligadas à gastronomia e a bebidas participaram de um workshop especial, conduzido pelo Shouichi sensei, do Centro Chado Urasenke do Brasil, falando sobre a história do chá japonês, utensílios, chanoyu. Nossa missão foi reunir pessoas de diferentes áreas da gastronomia como café, chocolate, confeitaria, restaurantes, cafeterias, bares, erva-mate, chá, cerâmica em torno de um matcha chawan. Como em um lindo banquete, nos reunimos nesse workshop em comunhão e foi emocionante ver pessoas queridas brindando o começo dessa jornada. Foi um encontro cheio de harmonia, felicidade e ideias para futuros eventos. Afinal, somos todos da mesma área.
Tenho de agradecer a toda a equipe da Japan House SP, ao sr. Hiroshi Hara – presidente da Jetro Brazil-São Paulo, à sra. Shizuko Matsudaira – vice-presidente da Jetro, e aos convidados.


Depois dos pré-eventos, chegou o dia da inauguração oficial, com a presença do cônsul-geral do Japão em São Paulo, sr. Shimizu Toru, sua mulher, demais autoridades e convidados. A Exposição Nihoncha – introdução ao chá japonês – é como ter uma aula, ao vivo, sobre os principais chás japoneses. É uma viagem pela história do chá japonês, sua produção e utensílios. Tudo, harmoniosamente, explicado e com peças lindas tradicionais e contemporâneas, algumas do acervo do Centro Chado Urasenke do Brasil, filial de uma das principais escolas de chá do Japão. Todos se encantam com a Chashitsu (Casa de Chá) Tsuginote Tea House, primeira construção no mundo em madeira de impressão 3D. Feita com encaixes, técnicas tradicionais japonesas, sem cola ou pregos e parafusos. Para trazer o frescor de um jardim de chá para a exposição, tem um canteiro de mudas de Camellia sinensis vindas diretamente da cidade de Registro – a Capital do Chá no Brasil.


Entender um pouco da arte por trás dos processamentos do aracha e do shiagecha nos faz entender esse sabor inconfundível, cheio de umami, do chá verde japonês.
São nove variedades de chá na exposição: Gyokuro, Kabusecha, Sencha, Mushisei-tamaryokucha, Kamairisei-Tamaryokucha, Tencha, Matcha, Hõjicha, Genmaicha.
Um mapa do Japão, com as regiões produtoras e quais chás elas produzem nos conduz a elas: Saga, Kumamoto, Fukuoka, Shiga, Nara, Nagasaki, Miyazaki, Aichi, Kyoto, Gifu, Saitama, Mie, Shizuoca – a maior região produtora de chá.


É para se encantar e entender que o chá verde japonês harmoniza com a culinária japonesa, com saquê-nihonshu, com wagashi-doce japonês, mas também com comidas e bebidas ocidentais.
Venha preparado para um banho de cultura japonesa porque a Japan House São Paulo tem exposições também no térreo, onde temos o Aizomê Café, inspirado nas cafeterias japonesas –kissatens, com chás, cafés, doces deliciosos e uma biblioteca com livros maravilhosos e mangás. A Loja Shin completa o andar térreo e é uma perdição. Dá para conhecer produtos japoneses das diferentes regiões do Japão, além de ceramistas brasileiras, como Hideko Honma e Kimi Nii.
No segundo andar, sala de workshops- oficinas e mais uma loja, Furoshiki, para você aprender a técnica de amarração furoshiki em embalagens e bolsas, com tecidos japoneses maravilhosos – chegamos a não saber qual levar.

A exposição Nihoncha está no terceiro andar, junto ao restaurante Aizomê Japan House. Depois de tudo isso, o melhor a fazer é se deliciar com os settos, udons, sobas, sushis e sashimis, da querida e premiada chef Telma Shiraishi, nossa embaixadora da culinária japonesa. Aliás, não sou vegetariana mas a Telma está me surpreendendo cada vez mais com seus pratos vegetarianos.

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