Nimbus
Quando a brasileira Ruth Assis, há cerca de 13 anos, pediu demissão de uma empresa de óleo e gás para passar uma temporada em Melbourne, na Austrália, estudando inglês, não imaginava que sua vida mudaria tanto. Lá, além do curso de idioma, frequentou uma escola especializada em restaurantes, com ênfase em serviço e administração, descobriu sua vocação e se casou. Em busca de amizade, recorreu a um aplicativo e encontrou seu companheiro, o chef inglês James McLennan, o Jimmy, como prefere ser chamado.

Durante a pandemia, ensaiaram trabalhar juntos pela primeira vez: ele preparava a comida, ela recebia os pedidos, embalava os produtos e ambos cuidavam das entregas. Com o fim da crise sanitária, o mercado de restaurantes em Melbourne já não oferecia o que o casal desejava. Voltar ao Brasil sempre esteve nos planos de Ruth: “Consegui convencê-lo a mudar para o Rio e montarmos um pequeno restaurante, como ele sempre sonhou.”
A ideia inicial era criar um espaço pequeno e intimista, inspirado no antigo Trégua, atual Telhado, dos chefs Ana Paula Souza e Victor Lima. Mas, após meses de busca, encantaram-se por um ponto maior do que o planejado, porém perfeito para dar vida ao restaurante dos sonhos. “O espaço era muito maior do que desejávamos, mas ideal para o meu Nimbus”, conta Jimmy, satisfeito. O nome da casa vem do restaurante fictício do livro Lights Out in Wonderland, de DBC Pierre (pseudônimo do escritor australiano Peter Warren Finlay).

(Créditos Tomas Rangel)

(Créditos Tomas Rangel)

(Créditos Tomas Rangel)
O Nimbus, com trinta lugares, abriu em soft opening no fim de dezembro, oferecendo apenas menu degustação de nove etapas. A proposta de Jimmy e Ruth é servir cozinha autoral, baseada em produtos locais e sazonais, em ambiente agradável, informal e com serviço atento, mas despretensioso.
O estilo do chef reflete múltiplas influências dos restaurantes por onde passou: os britânicos Juniper, Ithaca e Aurora, e os australianos The Point e Taxi Kitchen. Sua sólida base francesa se mistura às técnicas asiáticas e aos ingredientes brasileiros que vem descobrindo: peixes de pesca artesanal da costa do Rio, frutas tropicais, verduras e temperos locais. Pesquisaram restaurantes e chefs cariocas e brasileiros, conversaram com pessoas do segmento e seguiram as coordenadas do site do Instituto Bazzar. No menu, mutável de acordo com a disponibilidade da estação, encontramos macaron de beterraba com macadâmia de Piraí; parfait de fígado de galinha e goiaba; folha de peixinho com camarão e ponzu; peixe olho-de-cão com mexilhão e tomate; combinação de alho-poró, alho negro, arroz vermelho e nori e fraldinha acompanhada de batatas, abóbora e caldo. A parte doce reserva surpresas e revela o alinhamento entre os ingredientes brasileiros e o trabalho conjunto do chef Jimmy e da confeiteira Tay Magalhães. Cupuaçu e mel de abelhas Jataí aparecem em sobremesas untuosas e delicadas, madeleines, pâtes de fruits, chocolates com missô e até em uma versão doce do macaron de beterraba.
A carta de vinhos oferece boas opções nacionais e estrangeiras, servidas em taças pelo sistema Coravin, com preços razoáveis.
O casal Ruth e Jimmy e equipe estão empenhados em conquistar público e crítica, posicionando o restaurante Nimbus como parte da alta gastronomia carioca. A cidade, por sua vez, anseia por restaurantes de excelência e o novo endereço promete contribuir para esse cenário.
Endereço: Rua Dezenove de Fevereiro, 153 – Botafogo, Rio de Janeiro
Tel./WhatsApp: (21) 99759-9735
Funcionamento: terça a sábado, reservas das 19h às 21h (apenas mediante reserva)
Preço do menu degustação: R$ 600 + 12%
Reservas: nimbus.meitre.com



