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Carta aberta às instituições bancárias

Senhores banqueiros,

Aqui estamos como membros do setor de bares e restaurantes do Estado de São Paulo. Olhem ao redor com atenção. Vocês estão vendo alguém levantar um brinde e mandar uma porção de fritas de cortesia à sua mesa? Não. Ninguém está fazendo isto. Estamos levando nossos chapéus até vocês. Estendendo o pires. A canequinha surrada.

Hoje não temos nada a comemorar. Estamos em terra arrasada. Despensas e câmaras frias vazias, funcionários em casa, portas fechadas. A penúria ronda nossa classe e nos coloca contra a parede. Estamos desesperados. É hora de vocês mostrarem uma resposta imediata a todas as pessoas físicas e jurídicas, incluindo governos, que ajudaram os bancos a terem lucros vultosos, em um país com diferenças abissais…

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E a má notícia, se é que o lembrete da desigualdade social abissal já soa familiar demais, é que 6 milhões de pessoas estão prestes a sumir dos vossos extratos bancários em muito pouco tempo. Seis milhões de pessoas em todo o Brasil que trabalhavam até dez dias atrás nos restaurantes e bares preferidos de sua família, dos seus funcionários, dos seus fornecedores. E o risco é que estes lugares deixem de existir. Com isso, o comércio da alimentação feérico e pujante que faz a fama de São Paulo, e contribui com a produção e consumo de milhares de produtos da agricultura, de produtores artesanais e das grandes indústrias presentes na maior
economia do país e da América do Sul, deixará de colaborar com os balanços exuberantes de
vocês.

Estamos sem oxigênio e precisamos de intervenção já. A partir de amanhã nosso setor deixa de insuflar dinheiro em seu negócio. Lastimamos. É uma pena.

A não ser…

A não ser que os bancos enfim entendam que estamos todos em uma corrente, de mãos dadas, dispostos a enfrentar a crise juntos. Mas juntos mesmo, porque de uma hecatombe, ninguém sai vivo. Perdemos funcionários, perdemos público, perdemos nosso trabalho, perdemos nossa segunda família, porque a primeira, está conosco e temos de ampará-la e sustentá-la sem saber exatamente como.

Estamos pedindo ajuda real, verdadeira, que nos levante sem nos subjugar, que nos dê força e dignidade. Sem mesquinhez. Um convite para que os senhores não percam dinheiro, não percam mercado, mas simplesmente deixem apenas por um ano de lucrar sobre os negócios de bares e restaurantes.

Pleiteamos:

  • Crédito para capital de giro
  • 12 meses de carência para o primeiro pagamento
  • Taxas de juros próximas à Selic
  • Longo prazo para pagar (acima de 48 ou 60 meses)
  • Os empréstimos devem acontecer com fundo garantidor do Governo e não com garantias do empresário de bares e restaurantes.
  • Tudo isso sem CND – certidão negativas de débito
  • Prorrogação/Renegociação das operações de crédito já contratadas com juros iguais ou menores dos já praticados. Carência de 12 meses.

É isso que esperamos. É isso que fará a economia do setor de Bares e Restaurantes e de toda a cadeia de alimentação sobreviver e voltar a girar dinheiro no Estado e no país. E é isso que fará, pela primeira vez na história, a imagem dos bancos se aproximar da efetiva, solidária e cúmplice imagem que os comerciais de bancos gastam fortunas em agências de propaganda para nos vender.

[email protected] e saúde a todos.

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